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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu041721
Banca
VUNESP
Órgão
IPREMM - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Auxiliar de Escrita

                                      Víamos os nossos pés


      Não sou uma pessoa tropical. Minha terra preferida é o outono em qualquer lugar. No outono as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza etc., etc. (O verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no outono.)

      Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo?

      Via-se o fundo.

      Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d’água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.

      Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão. Gostava de ser mais moço.

(Luis Fernado Verissimo. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro, Objetiva, 2011. Adaptado)

As frases interrogativas usadas no texto servem ao propósito de
  1. Afavorecer o diálogo com o leitor, intensificando o tom de conversa do texto.
  2. Bindicar dúvida, explicitando a incerteza do autor quanto a detalhes de sua narrativa.
  3. Cevidenciar que o relato não é confiável, pois o autor não se recorda bem dos fatos.
  4. Dmostrar que os eventos são fruto da imaginação, o que reforça o caráter fictício do texto.
  5. Esugerir que o autor questiona a precisão das informações, que recebeu de outras pessoas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — favorecer o diálogo com o leitor, intensificando o tom de conversa do texto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função das Frases Interrogativas no Texto

Gabarito: letra A. As perguntas no texto são retóricas e servem para simular um diálogo com o leitor, intensificando o tom coloquial e de conversa. O autor não expressa dúvida real — ele mesmo responde às questões, como visto nos trechos:

"Via-se o fundo? Via-se o fundo." "Havia algas no mar? ... Não, a água estava límpida como nunca mais esteve." "Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água..."

Isso cria uma interação fingida, aproximando o leitor do narrador. A alternativa A capta exatamente esse propósito: favorecer o diálogo e o tom de conversa.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque as perguntas são respondidas pelo próprio narrador ou pelo contexto, gerando um efeito de bate-papo. O texto é uma crônica pessoal, e as interrogações reforçam a informalidade e a cumplicidade com o leitor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao afirmar que as perguntas indicam dúvida ou incerteza. Na verdade, o narrador conhece as respostas e as fornece em seguida. A dúvida não se sustenta: ele pergunta "Via-se o fundo?" e já responde "Via-se o fundo." Erro: troca de conceito (confunde pergunta retórica com expressão de incerteza).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o relato não é confiável porque o autor não se recorda bem. Ao contrário, ele lembra com riqueza de detalhes ("o mar de Torres estava verde como nunca mais esteve", "a água estava límpida como nunca mais esteve"). As perguntas são um recurso estilístico, não sinal de falha de memória. Erro: generalização indevida (atribui falta de confiabilidade sem base textual).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D sugere que os eventos são fruto da imaginação. O texto, porém, é narrado como memória real: "O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50." Não há indício de ficção ou invenção. Erro: fora do escopo (o texto não autoriza essa conclusão).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E alega que o autor questiona a precisão de informações recebidas de outras pessoas. O texto não menciona fontes externas; as lembranças são pessoais. Erro: fora do escopo (informação ausente no texto).

Conclusão: A única alternativa plenamente apoiada pelo texto é a A, que reconhece o uso das interrogativas como recurso dialógico e de aproximação com o leitor. As demais ou extrapolam ou contradizem o sentido do texto.

Gabarito: letra A

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