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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2019

PortuguêsSintaxe
Código
vu041722
Banca
VUNESP
Órgão
IPREMM - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Auxiliar de Escrita

                                      Víamos os nossos pés


      Não sou uma pessoa tropical. Minha terra preferida é o outono em qualquer lugar. No outono as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza etc., etc. (O verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no outono.)

      Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo?

      Via-se o fundo.

      Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d’água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.

      Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão. Gostava de ser mais moço.

(Luis Fernado Verissimo. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro, Objetiva, 2011. Adaptado)

O cronista estabelece algumas comparações ao longo do texto, como se constata em:
  1. ANão sou uma pessoa tropical. (1° parágrafo)
  2. BO mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. (2° parágrafo)
  3. CVia-se o fundo. (3° parágrafo)
  4. DVíamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço... (4° parágrafo)
  5. E... eu não gostava do verão. (5° parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. (2° parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comparações no texto de Verissimo

Gabarito: letra B. A única alternativa que apresenta uma comparação é a B, pois utiliza o conectivo "como" para comparar o estado do mar em Torres com todos os momentos posteriores: "O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve". As demais alternativas ou são afirmações simples ou expressam outra relação (concessão).

Análise detalhada

Uma comparação, em linguagem, consiste em aproximar dois elementos por semelhança ou diferença, geralmente por meio de conectivos como como, tal qual, mais... que, menos... que, tão... quanto etc. Vamos examinar cada alternativa à luz do texto:

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não sou uma pessoa tropical." (1º parágrafo)

É uma negação simples, sem qualquer termo comparativo. O cronista apenas afirma não ser tropical; não há confronto com outro elemento.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve." (2º parágrafo)

A expressão "como nunca mais esteve" estabelece uma comparação de superioridade: o verde daquele mar supera todos os verdes que vieram depois. O termo "como" é o típico conectivo comparativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Via-se o fundo." (3º parágrafo)

Frase declarativa, sem qualquer relação de comparação. Apenas informa a transparência da água.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço..." (4º parágrafo)

A conjunção "embora" indica concessão (oposição entre ver os pés e a água alta), e não comparação. O aluno poderia confundir, mas não há contraste de grau ou semelhança entre dois elementos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... eu não gostava do verão." (5º parágrafo)

Afirmação simples sobre uma preferência. Não há comparação. A palavra "Como" no início do parágrafo (não transcrita na alternativa) é interrogativa: "Como o cronista explica...?".

Conclusão: Apenas a alternativa B contém uma estrutura comparativa explícita.

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