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Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2019

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
vu041835
Banca
VUNESP
Órgão
IPREMM - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Psicólogo Clínico e Organizacional

      Membro da equipe curatorial do Brooklyn Museum desde 1998, Edward Bleiberg é especialista em arqueologia e em arte egípcias. Ele é o autor de uma pesquisa que busca compreender por que as estátuas egípcias têm não só o nariz quebrado, mas outras partes do corpo, como as mãos.

      Em entrevista, Bleiberg afirmou que partes quebradas não são comuns apenas em se tratando de protuberâncias de estátuas, mas também em baixos-relevos, como entalhes em placas de pedra, por exemplo.

      Isso indica que não se trata apenas de eventual acidente ou desgaste em razão do tempo, mas sugere que ele é proposital.

     Os egípcios acreditavam que a essência de uma deidade ou parte da alma de um ser humano morto podiam habitar estátuas que os representassem.

      Em tumbas e templos, estátuas e relevos em pedra tinham propósitos ritualísticos e eram um ponto de encontro entre o mundo sobrenatural e o mundo natural.

      Na crença do Egito Antigo, estátuas em uma tumba tinham o propósito de alimentar a pessoa morta com a comida deixada como oferenda.

      Segundo a explicação encontrada por Bleiberg, o vandalismo tinha, portanto, o objetivo de “desativar a força da imagem”.

      Quando um nariz era quebrado, a estátua não podia mais respirar, o que impedia que ela recebesse oferendas ou as retransmitisse para deuses ou poderosos mortos.

      Normalmente, as oferendas eram transmitidas com a mão esquerda. Por isso, muitas estátuas dedicadas à transmissão de oferendas tinham os braços esquerdos depredados. Por outro lado, estátuas que recebiam as oferendas tinham as mãos direitas depredadas.

      Posteriormente, durante o período cristão, entre os séculos 1 e 3 depois de Cristo, as estátuas eram vistas como demônios pagãos e, também, acabavam atacadas.

(André Cabette Fábio. Por que tantas estátuas egípcias têm os narizes quebrados. www.nexojornal.com.br, 06.04.2019. Adaptado)

A exemplo do que acontece no primeiro parágrafo, a expressão por que foi usada conforme a norma-padrão na frase:
  1. AMuitos que olham para as estátuas egípcias hoje não entendem o por que de elas não terem nariz.
  2. BPor que muitas deidades tinham a função de transmitir oferendas com a mão esquerda, essa era a mão vandalizada.
  3. CPartes da estátua eram quebradas, por que assim a força da imagem supostamente seria desativada.
  4. DA explicação do por que de apenas algumas partes estarem danificadas não estava apenas no fator tempo.
  5. ENão se sabia por que certas partes em baixo-relevo das estátuas também estavam danificadas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Não se sabia por que certas partes em baixo-relevo das estátuas também estavam danificadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos porquês: por que (interrogativo) × porque × porquê

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que emprega por que conforme a norma-padrão, pois o termo equivale a "por qual razão" e introduz uma oração interrogativa indireta — exatamente o mesmo uso do primeiro parágrafo do texto: "por que as estátuas egípcias têm não só o nariz quebrado". A banca testa a distinção entre as quatro formas: por que (separado, interrogativo), porque (junto, conjunção causal), porquê (junto, com acento, substantivo) e por quê (separado, com acento, em fim de frase).

A chave da questão

O comando pede que você identifique a frase em que por que foi usado como no primeiro parágrafo. No texto, lê-se:

"busca compreender por que as estátuas egípcias têm não só o nariz quebrado"

Aqui, por que = por qual razão — é um pronome interrogativo (formado pela preposição por + pronome que) que introduz uma pergunta indireta. A alternativa E repete exatamente essa estrutura: "Não se sabia por que certas partes... também estavam danificadas" — ou seja, "não se sabia por qual razão...".

Forma

Uso

Equivalência

Exemplo correto

por que

Interrogativo (direto ou indireto)

"por qual razão"

Não se sabia por que certas partes estavam danificadas.

porque

Conjunção causal/explicativa

"pois", "já que"

Partes eram quebradas porque a força seria desativada.

porquê

Substantivo (precedido de artigo)

"o motivo", "a razão"

Não entendem o porquê de elas não terem nariz.

por quê

Interrogativo em fim de frase

"por qual razão" (com acento)

Você não sabe o motivo por quê?

Porquês
  • 1Por que (separado, sem acento)
    • Interrogativo = por qual razão
    • ✅ "Não se sabia por que..."
  • 2Porque (junto, sem acento)
    • Conjunção causal = pois
    • ❌ "quebradas, porque assim..."
  • 3Porquê (junto, com acento)
    • Substantivo = motivo
    • ❌ "o porquê de elas..."
  • 4Por quê (separado, com acento)
    • Interrogativo em fim de frase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Muitos que olham para as estátuas egípcias hoje não entendem o por que de elas não terem nariz."

Aqui o termo é substantivo (vem precedido de artigo o e seguido de preposição de). Na norma-padrão, o substantivo é grafado porquê (junto e com acento). O correto seria: "não entendem o porquê de elas não terem nariz". A alternativa troca a forma: usa por que onde deveria usar porquê.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Por que muitas deidades tinham a função de transmitir oferendas com a mão esquerda, essa era a mão vandalizada."

Aqui por que está sendo usado com valor de conjunção causal (equivale a "porque", "pois"). A frase estabelece uma relação de causa e consequência: "Porque muitas deidades tinham essa função, essa era a mão vandalizada". Na norma-padrão, conjunção causal é grafada porque (junto, sem acento). A alternativa usa a forma interrogativa indevidamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Partes da estátua eram quebradas, por que assim a força da imagem supostamente seria desativada."

Mesmo erro da B: por que com valor causal. A oração "assim a força da imagem supostamente seria desativada" é a consequência de "partes eram quebradas". O conectivo correto é porque (junto). A forma separada só se justifica em contextos interrogativos ou relativos, o que não ocorre aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A explicação do por que de apenas algumas partes estarem danificadas não estava apenas no fator tempo."

Novamente o termo é substantivo (precedido de artigo o e de preposição de). O correto é porquê: "a explicação do porquê de apenas algumas partes...". A alternativa repete o erro da A, trocando a forma substantiva pela interrogativa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não se sabia por que certas partes em baixo-relevo das estátuas também estavam danificadas."

Aqui por que equivale a "por qual razão" e introduz uma oração interrogativa indireta (o verbo sabia pede um complemento que expressa uma pergunta). A estrutura é idêntica à do primeiro parágrafo: "compreender por que as estátuas... têm...". Portanto, a forma separada está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as quatro formas. A armadilha clássica é usar por que (interrogativo) em contextos causais (B e C) ou substantivos (A e D). Para acertar, pergunte: o termo equivale a "por qual razão"? Se sim, é por que separado. Equivale a "pois"? Então é porque junto. Vem precedido de artigo? É porquê com acento.

PEGA ESSA DICA!

Decore o quadro: por que = por qual razão (interrogativo); porque = pois (causal); porquê = motivo (substantivo, com artigo); por quê = por qual razão, em fim de frase (com acento). Na dúvida, substitua mentalmente por "por qual razão" — se encaixar, use separado.

Gabarito: letra E.

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