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Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2019

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
vu042008
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SP
Ano
2019
Nível
Fundamental
Cargo
Auxiliar de Promotoria - Eletricista
Leia um trecho do romance Um certo Capitão Rodrigo , de Érico Veríssimo, para responder a questão.

     Toda gente tinha achado estranha a maneira como o Capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho1 puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão2 , vestia calças de riscado, botas com chinelas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã3 militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Ni - colau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo4 , entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o rebenque5 , e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
    – Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!
(Um certo Capitão Rodrigo. Editora Abril Cultural, 1981) 

1 barbicacho: cordão
2 alazão: cavalo de pelo castanho
3 dólmã: casaco curto
4 cinamomo: tipo de árvore
5 rebenque: pequeno chicote
Assinale a alternativa em que a expressão destacada foi empregada de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
  1. ATodos estranharam a chegada de Rodrigo Cambará sob quem ninguém conhecia nada.
  2. BEle vestia um dólmã militar azul cuja gola era vermelha e os botões de metal.
  3. CEntrou na venda do Nicolau com um violão do qual trazia a tiracolo.
  4. DO Capitão tinha um olhar intenso ao qual fascinava as pessoas.
  5. EÀ porta da venda, apeou de seu alazão onde amarrou em uma árvore.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Ele vestia um dólmã militar azul cuja gola era vermelha e os botões de metal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso do pronome relativo e regência: a norma-padrão em foco

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que emprega o pronome relativo cujo de acordo com a norma-padrão, pois estabelece relação de posse entre "dólmã militar azul" e "gola"/"botões", sem preposição antes do pronome e com o verbo "ser" implícito. Como se lê no texto: "vestia calças de riscado, botas com chinelas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal" — a alternativa reescreve essa passagem com o pronome possessivo relativo, mantendo a relação de posse e a correção gramatical.

A questão testa o domínio dos pronomes relativos e da regência verbal/nominal na reescrita de trechos do texto. O comando pede a alternativa em que a expressão destacada foi empregada de acordo com a norma-padrão — ou seja, não se trata de interpretação, mas de aplicação de regras gramaticais (modo de cobrança: conceito). Vamos analisar cada pronome relativo e sua regência.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Todos estranharam a chegada de Rodrigo Cambará sob quem ninguém conhecia nada."

O pronome relativo quem refere-se a pessoas e, quando exerce função de objeto direto, deve vir sem preposição (ou com preposição, se a regência do verbo exigir). Aqui, o verbo "conhecer" é transitivo direto (conhecer alguém), portanto não admite a preposição "sob". Além disso, "sob" indica posição inferior, não cabendo semanticamente. O correto seria: "a quem ninguém conhecia" ou "que ninguém conhecia". Erro: regência inadequada do pronome relativo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Ele vestia um dólmã militar azul cuja gola era vermelha e os botões de metal."

O pronome relativo cujo (e flexões) estabelece relação de posse entre o antecedente e o termo seguinte, concordando com o possuidor (dólmã) e com a coisa possuída (gola, botões). Na norma-padrão, não se usa preposição antes de "cujo" quando a posse é direta, e o verbo "ser" fica implícito. A frase está correta: "cuja gola era vermelha e os botões de metal" = a gola do dólmã era vermelha e os botões (do dólmã) eram de metal. O texto original confirma a posse: "dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal". Correta: uso adequado de cujo com valor possessivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Entrou na venda do Nicolau com um violão do qual trazia a tiracolo."

O verbo "trazer" é transitivo direto (traz algo), não rege a preposição "de". Portanto, o pronome relativo deveria ser "o qual" (sem preposição): "um violão o qual trazia a tiracolo" ou, mais natural, "que trazia a tiracolo". A preposição "de" é indevida. Erro: regência verbal não observada (trazer não exige "de").

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O Capitão tinha um olhar intenso ao qual fascinava as pessoas."

O verbo "fascinar" é transitivo direto (fascinar alguém), não rege a preposição "a". O pronome relativo deveria ser "o qual" (sem preposição): "um olhar intenso o qual fascinava as pessoas" ou "que fascinava as pessoas". A preposição "ao" é indevida. Erro: regência verbal não observada (fascinar não exige "a").

Alternativa E — ❌ Incorreta

"À porta da venda, apeou de seu alazão onde amarrou em uma árvore."

O pronome relativo onde só pode ser usado para indicar lugar físico e com verbos que indicam permanência ou movimento compatível. Aqui, "onde" refere-se a "alazão" (animal), não a lugar, e o verbo "amarrou" exige a preposição "em" com o pronome: "em que amarrou" ou "no qual amarrou". O correto seria: "amarrou o alazão em uma árvore" — o pronome relativo deveria ser "em que" ou "no qual". Erro: uso indevido de "onde" para referir-se a animal e regência inadequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pronomes relativos e a regência dos verbos. As alternativas A, C, D e E usam preposições indevidas (sob, de, a, em) ou o pronome "onde" fora do contexto de lugar. A única que respeita a regência e a semântica é a B, com "cujo" possessivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar pronomes relativos, identifique o verbo da oração adjetiva e pergunte: "quem? o quê?" para saber se há preposição. Se o verbo for transitivo direto, não use preposição antes do relativo. Para "cujo", lembre: sempre indica posse e não leva preposição antes dele (a preposição, se houver, vem depois, regida pelo termo seguinte).

Gabarito: letra B.

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