Questão de Português — Coesão e coerência — VUNESP 2019
Português›Coesão e coerência
Código
vu042016
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SP
Ano
2019
Nível
Fundamental
Cargo
Auxiliar de Promotoria - Eletricista
Leia o texto para responder a questão.
Disciplina
Qual a diferença entre um atleta excepcional e um
medíocre? Entre um artista admirado e um ator anônimo?
Entre um sedentário obeso e alguém com uma barriga enxuta
e bem definida? Entre uma família próspera e outra com
problemas financeiros?
Nada de sorte, genética ou dom. O que diferencia as conquistas dos fracassos é a dedicação, que pode ser traduzida
em disciplina para estabelecer metas e persegui-las.
A diferença entre sonhar e realizar está na ação que empregamos em direção ao sonho. Já dizia Peter Drucker que a
melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.
Enquanto alguns sonham com uma promoção, outros dedicam horas a cursos de especialização para agregar valor a
seu currículo.
Enquanto alguns sonham em viajar para o exterior ,
outros agendam suas férias e mergulham nas pesquisas de
promoções de agências de viagem.
Planejar é muito mais do que organizar e fazer contas.
Envolve questionar, ver e rever suas escolhas, estudar alternativas, debater dúvidas e soluções, enfim, focar em seus
objetivos e ajustar regularmente suas ações, com base em
novos conhecimentos.
Esse pacote de ações pode ser traduzido como disciplina.
Com ela, ficam mais curtos os caminhos para alcançarmos
todos os nossos objetivos, sejam eles profissionais ou não.
O fato é que cultivar a disciplina em nossa rotina pessoal
e familiar pode trazer grandes ganhos.
Pais disciplinados com a hora das refeições e do banho
criam filhos disciplinados em todas as áreas – da alimentação
às finanças pessoais –, e que serão mais capazes de plane -
jar a superação de adversidades.
Não se deve confundir, porém, o incentivo à disciplina
com a anulação da individualidade e da personalidade. O que
não pode servir de desculpa é afirmar que não temos pro -
pensão natural à disciplina. Um dia perceberemos que essa
desculpa nos custará caro.
(Gustavo Cerbasi. Folha de S.Paulo, 13.09.2010. Adaptado)
Com base na última frase do texto, assinale a alternativa que preserva o sentido original e apresenta a pontuação correta.
AUm dia perceberemos, que essa desculpa , nos custará caro.
BUm dia perceberemos que essa desculpa nos custará caro...
CUm dia perceberemos que essa desculpa : nos custará caro.
DPerceberemos um dia que essa desculpa nos custará caro?
EPerceberemos um dia que essa desculpa (nos custará) caro.
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GabaritoB — Um dia perceberemos que essa desculpa nos custará caro...
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Pontuação e sentido: a reescrita da última frase do texto
Gabarito: letra B. A única alternativa que preserva o sentido original e apresenta pontuação correta é a que mantém a estrutura sintática da frase sem inserir vírgulas, dois-pontos ou parênteses indevidos: "Um dia perceberemos que essa desculpa nos custará caro...". A passagem original do texto é:
"Um dia perceberemos que essa desculpa nos custará caro."
A alternativa B apenas substitui o ponto final por reticências, o que não altera o sentido — mantém a ideia de que, no futuro, haverá a percepção das consequências negativas de usar a desculpa da falta de propensão à disciplina. As demais alternativas ou inserem pontuação que quebra a estrutura sintática (vírgula separando sujeito de verbo, dois-pontos indevidos, parênteses) ou transformam a frase em pergunta, mudando o sentido.
A chave de resolução
O comando pede duas coisas: preservar o sentido original e apresentar pontuação correta. A frase original é uma oração principal ("Um dia perceberemos") seguida de uma oração subordinada substantiva objetiva direta ("que essa desculpa nos custará caro"). A conjunção "que" introduz o objeto direto do verbo "perceber". Qualquer pontuação que separe o verbo de seu objeto (vírgula, dois-pontos) ou que isole o sujeito da oração subordinada ("essa desculpa") do seu predicado ("nos custará caro") é proibida pela norma culta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Um dia perceberemos, que essa desculpa , nos custará caro."
Erro: pontuação inadequada (vírgula separando verbo do objeto e sujeito do predicado). A vírgula após "perceberemos" separa o verbo transitivo direto de seu objeto (a oração "que essa desculpa nos custará caro"), o que é proibido. A segunda vírgula, entre "desculpa" e "nos", separa o sujeito ("essa desculpa") do seu predicado ("nos custará caro"), também proibido. Além disso, a vírgula após "que" é totalmente desnecessária e incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Um dia perceberemos que essa desculpa nos custará caro..."
Correta. Mantém a estrutura sintática original, sem pontuação interna indevida. A substituição do ponto final por reticências é aceitável e não altera o sentido — apenas sugere uma continuação ou um tom de reflexão, mas a informação permanece a mesma: a percepção futura de que a desculpa terá consequências negativas. A frase continua com a mesma oração subordinada objetiva direta introduzida por "que".
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Um dia perceberemos que essa desculpa : nos custará caro."
Erro: dois-pontos indevidos. Os dois-pontos são usados para introduzir uma citação, uma enumeração ou uma explicação, mas aqui separam o sujeito ("essa desculpa") do predicado ("nos custará caro"), o que é gramaticalmente incorreto. Não há relação de explicação ou enumeração que justifique o uso dos dois-pontos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Perceberemos um dia que essa desculpa nos custará caro?"
Erro: mudança de sentido (interrogação). A frase original é uma afirmação categórica: "Um dia perceberemos que essa desculpa nos custará caro." Ao transformá-la em pergunta, a alternativa D coloca em dúvida a certeza da afirmação, alterando o sentido original. Além disso, a inversão "Perceberemos um dia" é aceitável, mas a interrogação é incompatível com o tom assertivo do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Perceberemos um dia que essa desculpa (nos custará) caro."
Erro: uso indevido de parênteses. Os parênteses isolam "nos custará", quebrando a estrutura da oração subordinada. O verbo "custará" exige o complemento "caro" (adjunto adverbial de modo) e o objeto indireto "nos"; separar esses elementos com parênteses é inadequado e desnecessário. A frase original não apresenta qualquer pausa ou isolamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pontuação que altera o sentido (interrogação) e pontuação que apenas quebra a estrutura sintática (vírgula, dois-pontos, parênteses). A alternativa D é a mais sedutora porque mantém as palavras, mas a interrogação muda o sentido — e o comando exige "preservar o sentido original".
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever frases, verifique se a pontuação separa termos que não podem ser separados: verbo e objeto, sujeito e predicado, nome e complemento. Se a pontuação for retirada e a frase continuar fazendo sentido, ela era desnecessária; se a retirada mudar o sentido, ela era obrigatória.