Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019
Português›Interpretação de Textos
Código
vu044266
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Coordenador Pedagógico
É preciso construir um novo consenso, baseado na ideia
de que deve ser possível fazer muito mais com os 5% do PIB
que o Brasil já gasta em educação. Com a queda da natalidade, serão menos estudantes e será possível ter menos professores e pagar mais. A profissão docente precisa ser reformada,
com melhores cursos de formação, carreiras associadas ao
desempenho e facilitação do acesso ao ensino de pessoas
com outros perfis. A educação infantil deve deixar de ser meramente assistencialista e ser tratada como etapa essencial
de formação. A tolerância com o analfabetismo funcional deve
acabar, com o uso de métodos comprovados de alfabetização
e o acompanhamento de resultados. O segundo ciclo do ensino fundamental precisa ser repensado, e a reforma do ensino
médio precisa ser efetivamente implementada, inclusive pela
ampliação e pelo fortalecimento da educação técnica. O formato do ensino superior precisa ser revisto, criando mais alternativas de formação em diferentes níveis, e a pós-graduação
e a pesquisa precisam se tornar menos acadêmicas e mais
vinculadas às necessidades do País. E, em todos os níveis,
os papéis do setor público e do privado precisam ser revistos,
para que se tornem complementares e livres dos predomínios
simétricos do corporativismo e do mercantilismo.
(Simon Schwartzman, “Por um novo consenso na Educação”. Estadão.
https://opiniao.estadao.com.br, 14.06.2019)
Atendendo-se à norma-padrão, expressa-se o sentido da passagem “Com a queda da natalidade, serão menos estudantes e será possível ter menos professores e pagar mais.” por meio da seguinte reescrita:
AComo nascerá menos crianças, terá menos estudantes e, assim, haverá possibilidade de ter menos professores, mas com melhores salários.
BHaverá menos estudantes, devido à queda da natalidade, o que tornará possível haver menos professores, os quais terão melhores salários.
CSerão menos estudantes, por causa da queda da natalidade, assim é possível que hajam menos professores ganhando mais.
DA queda da natalidade implica de que haverá menos estudantes, conquanto haja também menos professores com salários mais altos.
EExiste a possibilidade de haverem menos professores, ganhando mais, pois existirá menos estudantes, devido a queda da natalidade.
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GabaritoB — Haverá menos estudantes, devido à queda da natalidade, o que tornará possível haver menos professores, os quais terão melhores salários.
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Reescrita sem alteração de sentido: causa, consequência e norma-padrão
Gabarito: letra B. A reescrita correta é a que preserva o sentido original — a queda da natalidade é a causa de haver menos estudantes, o que torna possível haver menos professores, e esses professores terão melhores salários — tudo isso dentro da norma-padrão. A alternativa B é a única que mantém essa cadeia lógica e gramaticalmente correta, como se lê no trecho original:
"Com a queda da natalidade, serão menos estudantes e será possível ter menos professores e pagar mais."
A banca testa duas coisas: fidelidade ao sentido (não trocar causa por consequência, não inverter relações) e correção gramatical (concordância, regência, uso de "haver" impessoal). Vamos analisar cada alternativa.
O que a questão exige: reescrita sem alterar o sentido
Reescrever sem alterar o sentido significa manter as relações lógicas entre as ideias e respeitar a norma-padrão. No trecho original, temos uma relação de causa e consequência: a queda da natalidade (causa) leva a menos estudantes (consequência), o que torna possível menos professores (consequência) e pagar mais (consequência). A reescrita deve preservar essa cadeia, sem inverter a ordem, sem trocar conectivos que mudem a relação (como "mas" que indica oposição) e sem cometer erros de concordância ou regência.
Pontos gramaticais críticos:
O verbo haver no sentido de "existir" é impessoal — fica sempre na 3ª pessoa do singular: "haverá menos estudantes", "pode haver menos professores". Formas como "hajam" ou "haverem" são erradas nesse contexto.
O verbo existir é pessoal e concorda com o sujeito: "existirão menos estudantes".
O verbo nascer é pessoal: "nascerão menos crianças" (e não "nascerá menos crianças").
A relação de causa pode ser expressa por "devido a", "por causa de", "em razão de", mas é preciso cuidar da regência ("devido à queda").
Erro: contradiz o texto (inverte a relação de causa) e quebra a concordância.
"Como nascerá menos crianças" — o verbo nascer deve concordar com o sujeito "menos crianças": o correto seria "nascerão menos crianças". Além disso, "terá menos estudantes" é uma construção com sujeito oculto que não se sustenta na norma-padrão (quem terá?); o sentido original é de existência (haverá menos estudantes), não de posse.
O conectivo "mas" indica oposição, mas no original a relação entre "menos professores" e "pagar mais" é de adição (e), não de oposição. Isso altera o sentido.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Preserva o sentido e a norma-padrão.
"Haverá menos estudantes, devido à queda da natalidade" — mantém a causa (queda da natalidade) e a consequência (menos estudantes), com o verbo haver impessoal no singular (correto).
"o que tornará possível haver menos professores" — o pronome "o que" retoma toda a ideia anterior, e "haver" novamente impessoal (correto).
"os quais terão melhores salários" — o pronome relativo "os quais" retoma "professores", e a expressão "melhores salários" é uma paráfrase de "pagar mais" (pagar mais = pagar melhores salários). A relação de consequência é mantida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: quebra a concordância do verbo "haver" e usa "assim" de forma inadequada.
"é possível que hajam menos professores" — o verbo haver no sentido de existir é impessoal, portanto o correto é "haja menos professores". A forma "hajam" é um erro clássico de concordância.
O conectivo "assim" pode indicar conclusão, mas aqui a relação é de consequência; ainda que "assim" possa ser aceito, o erro de concordância já invalida a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: usa o conectivo "conquanto" que indica concessão, alterando o sentido.
"conquanto haja também menos professores" — "conquanto" significa "embora", "ainda que", indicando concessão (ideia de contraste). No original, a relação entre "menos estudantes" e "menos professores" é de consequência (um leva ao outro), não de concessão. Isso inverte a lógica.
Além disso, "implica de que" é um erro de regência: o verbo "implicar" no sentido de "acarretar" é transitivo direto, não exige a preposição "de". O correto seria "implica que".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: inverte a ordem dos fatos e usa "haverem" (erro de concordância).
"Existe a possibilidade de haverem menos professores" — novamente o verbo haver impessoal: o correto é "haver menos professores". A forma "haverem" é um erro.
A alternativa coloca a possibilidade de menos professores antes da queda da natalidade, invertendo a cadeia causal: no original, a queda da natalidade é a causa primeira; aqui, ela aparece só no final ("devido a queda da natalidade"). Isso altera a ênfase e a relação lógica.
"devido a queda" — falta o acento indicativo de crase: o correto é "devido à queda" (devido a + a queda).
Conclusão
A única alternativa que preserva o sentido (causa → consequência → consequência) e respeita a norma-padrão (haver impessoal, concordância, regência) é a letra B.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura erros de concordância ("hajam", "haverem", "nascerá") com trocas de conectivos que alteram a relação lógica ("mas", "conquanto"). A alternativa B é a única que não comete nenhum desses deslizes.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, verifique primeiro a relação de causa e consequência e depois a concordância do verbo haver. Se aparecer "hajam" ou "haverem", descarte na hora.