Da menção a Clarice Lispector – dedução do conflito
Gabarito: letra D. A passagem de Clarice Lispector citada pelo autor afirma a insuficiência da linguagem: “Não só não consigo dizer o que penso como o que penso passa a ser o que digo”. Isso significa que não há correspondência exata entre pensamento e fala, e que o que pensamos acaba se moldando ao que dizemos – uma ilusão de equivalência. Portanto, a alternativa D é a única que traduz corretamente essa ideia, conforme se lê no último parágrafo.
Método de resolução: o comando “deduz-se” pede inferência a partir do texto. A citação de Clarice é a chave: o autor a utiliza para ilustrar o mal-estar contemporâneo da obrigação de opinar, e dela extrai a conclusão de que a linguagem é sempre insuficiente e que nos enganamos ao achar que expressamos exatamente o que pensamos.
Aspecto | Descrição | Relação com o texto |
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Citação de Clarice Lispector | “Não só não consigo dizer o que penso como o que penso passa a ser o que digo” | Afirma a insuficiência da linguagem e a ilusão de equivalência entre pensar e dizer |
Conclusão do autor | A linguagem é sempre insuficiente; enganamo-nos ao achar que expressamos exatamente o que pensamos | Endossa a visão de Clarice, como em “Pensamos estar pensando mesmo quando estamos apenas terceirizando convicções” |
Alternativa D (gabarito) | “Não é possível expressar com exatidão o que pensamos, e nos iludimos ao crer que o que dizemos equivale ao que pensamos” | Traduz corretamente a ideia do conflito descrito por Clarice Lispector |
Alternativa A — ❌ Incorreta
O autor não afirma que Clarice Lispector estava equivocada. Ele diz que o conflito descrito por ela ganha uma “nova versão” com o advento das redes e o verbo “compartilhar”. Trata-se de uma adaptação, não de uma crítica. A alternativa acrescenta uma opinião que o texto não contém (extrapolação).
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto sustenta exatamente o oposto: a insuficiência da linguagem não é superada; ela é um dado permanente. A frase “não só não consigo dizer o que penso” nega a possibilidade de expressão exata. Logo, a alternativa contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Não há menção a “valores morais” ou a qualquer exaltação decorrente do compartilhamento. O autor critica a pressão para opinar e a ilusão de que estamos pensando quando apenas reproduzimos convicções. A alternativa foge ao tema (tangencia) e insere ideias alheias ao texto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A citação de Clarice Lispector afirma: “Não só não consigo dizer o que penso como o que penso passa a ser o que digo”. Isso implica (1) impossibilidade de expressão exata e (2) ilusão de equivalência entre pensar e dizer. O autor endossa essa visão ao longo do texto, como quando escreve: “Pensamos estar pensando mesmo quando estamos apenas terceirizando convicções”. A alternativa D é uma paráfrase fiel desse raciocínio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O texto não diz que o “pensar” adquire valor apenas quando encontra equivalente no “dizer” e é compartilhado. Ao contrário, o autor critica a obrigação de ter uma conclusão e a superficialidade do compartilhamento. A alternativa restringe indevidamente o sentido do texto, atribuindo uma condição que não está presente.
Conclusão: A única alternativa que decorre diretamente da menção a Clarice Lispector é a D. As demais ou contradizem o texto, ou extrapolam seu conteúdo, ou introduzem ideias estranhas ao contexto.
Gabarito: letra D.