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Questão de Português — Morfologia - Verbos — VUNESP 2019

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
vu049143
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Olímpia - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Guarda Civil Municipal
Leia o texto, para responder à questão.

Piscina

    Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem.
    Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d’água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando.
   Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada de maiô à beira da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto.
    Era um ser encardido, cujos molambos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina.
    De súbito pareceu à dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão adentro, sem tirar dela os olhos. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejos, sempre a olhá-la, em desafio, e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão.
    Lá no terraço o marido, fascinado, viu toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate.
    Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.
(Fernando Sabino, A mulher do vizinho. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o verbo deter, presente na passagem – Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham … –, está conjugado de acordo com a norma-padrão.
  1. AOutras vezes talvez as próprias mulheres se detessem…
  2. BOutras vezes foi a própria mulher que se deteu…
  3. COutras vezes foram mulheres que se detiveram…
  4. DOutras vezes as próprias mulheres se detiam…
  5. EOutras vezes foi uma mulher que se detera…
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Outras vezes foram mulheres que se detiveram…

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjugação do verbo "deter" — Gabarito: letra C

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que apresenta a forma "se detiveram", pois o verbo deter é derivado de ter e, na 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, conjuga-se como "tiveram""detiveram". A passagem original do texto — "Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham" — está no pretérito imperfeito; a questão pede uma forma conjugada de acordo com a norma-padrão, e a única que respeita a conjugação correta do verbo é a letra C.

A questão é de morfologia verbal: exige conhecer a conjugação de um verbo irregular derivado de ter (deter, reter, conter, manter etc.). O verbo deter segue o modelo de ter: no pretérito perfeito do indicativo, temos eu tive, tu tiveste, ele teve, nós tivemos, vós tivestes, eles tiveram → logo, eu detive, tu detiveste, ele deteve, nós detivemos, vós detivestes, eles detiveram. A forma "detiveram" é exatamente a 3ª pessoa do plural desse tempo.

Verbo "deter" (derivado de TER)
  • 1Conjuga como "ter"
    • Pretérito perfeito: detive, deteve, detiveram
    • Pretérito imperfeito: detinha, detinham
    • Subjuntivo: detivesse, detivessem
    • Mais-que-perfeito: detivera
  • 2Formas incorretas (não existem)
    • detessem (troca por "fazer")
    • deteu (troca por "fazer")
    • detiam (troca por "fazer")
    • detera (troca por "fazer")
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A forma "se detessem" está no pretérito imperfeito do subjuntivo. A conjugação correta seria "se detivessem" (derivada de tivessem). A forma "detessem" não existe na norma-padrão — é um erro de conjugação, provavelmente por analogia com verbos como fazer (fizesse).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A forma "se deteu" está incorreta. O correto é "se deteve" (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito, derivada de teve). "Deteu" é uma forma popular/errada, que não existe na norma culta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A forma "se detiveram" está correta: 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, derivada de tiveram. A frase "Outras vezes foram mulheres que se detiveram…" mantém o sentido original (mulheres que paravam/ficavam olhando) e respeita a conjugação padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A forma "se detiam" está incorreta. O pretérito imperfeito do indicativo de deter é "detinham" (derivado de tinham), não "detiam". A forma "detiam" não existe na norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A forma "se detera" está incorreta. O pretérito mais-que-perfeito do indicativo é "detivera" (derivado de tivera), não "detera". A forma "detera" não existe na norma culta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbos derivados de ter e fazer. Muitos candidatos trocam "deter" por formas de "fazer" (detessem, deteu, detiam). A dica é: todo verbo derivado de TER conjuga como TER — se você sabe "tiveram", sabe "detiveram".

PEGA ESSA DICA!

Memorize a conjugação de ter e pôr — elas servem de modelo para dezenas de derivados (deter, reter, conter, manter, suster, etc.). Na dúvida, substitua mentalmente pelo verbo ter: "eles tiveram" → "eles detiveram".

Gabarito: letra C.

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