Questão de Português — Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) — VUNESP 2019
Português›Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)
Código
vu049195
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Olímpia - SP
Ano
2019
Nível
Fundamental
Cargo
Inspetor de Alunos
Leia o texto para responder à questão.
Vaca não dá leite
Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor, educador, palestrante e professor brasileiro, costumava dizer aos filhos quando
crianças: “Quando completarem 12 anos, vou contar o segredo
da vida a vocês”.
Quando o mais velho completou 12 anos, acordou o pai
todo ansioso para saber o segredo da vida. Disse o pai:
“Contarei, mas você não poderá revelar aos seus irmãos.
Eis o segredo: Vaca não dá leite. Você tem de tirar. Você precisa acordar às quatro da manhã, ir ao pasto, entrar no curral
cheio de fezes, amarrar rabo e pernas da vaca, sentar no
banquinho e fazer o movimento certo!”
Esse é o segredo da vida. Vaca, búfala, cabra não dão
leite. Ou você tira ou não tem leite.
(Cacau Menezes, “Vaca não dá leite”. Em:
https://www.nsctotal.com.br. Adaptado)
Na oração “costumava dizer aos filhos quando crianças” (1º parágrafo), a forma verbal destacada revela uma ação
Aidealizada pelo pai, mas que não seria capaz de entusiasmar os filhos pelo segredo.
Bconcluída pelo pai no passado, que despertou a atenção de todos os seus filhos.
Cpontual do pai, que alertava os filhos para que evitassem tornar-se ansiosos demais.
Dhabitual do pai, que resultou na ansiedade do filho mais velho ao completar 12 anos.
Efutura do pai em relação ao momento em que o filho mais velho completou 12 anos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — habitual do pai, que resultou na ansiedade do filho mais velho ao completar 12 anos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O valor do pretérito imperfeito em "costumava dizer"
Gabarito: letra D. A forma verbal "costumava" está no pretérito imperfeito do indicativo, tempo que expressa ação habitual, repetida ou contínua no passado — e é exatamente isso que a alternativa D afirma: "ação habitual do pai, que resultou na ansiedade do filho mais velho ao completar 12 anos". O próprio texto confirma a habitualidade e a consequência:
"costumava dizer aos filhos quando crianças: 'Quando completarem 12 anos, vou contar o segredo da vida a vocês'"
"Quando o mais velho completou 12 anos, acordou o pai todo ansioso para saber o segredo da vida."
O verbo "costumava" indica que o pai repetia aquela promessa aos filhos; e o desfecho — o filho mais velho acordar ansioso — é a resultado dessa fala habitual. Nenhuma outra alternativa captura esse valor semântico.
A chave da questão
O comando pede que você identifique o valor semântico da forma verbal "costumava" no contexto. Não se trata de decorar a conjugação, mas de reconhecer o uso do pretérito imperfeito: ele marca ação habitual, durativa ou repetida no passado, em contraste com o pretérito perfeito, que marca ação pontual e concluída.
No texto, "costumava dizer" = "dizia repetidamente", "tinha o hábito de dizer". Essa habitualidade é o que cria a expectativa nos filhos — e a ansiedade do mais velho ao completar 12 anos é a prova de que a promessa era recorrente.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não diz que a ação era "idealizada" nem que o pai duvidava do entusiasmo dos filhos. Pelo contrário, o filho mais velho acordou ansioso para saber o segredo — o que mostra entusiasmo, não falta dele. A alternativa inventa um juízo que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: troca de tempo verbal. "Costumava" não indica ação concluída (isso seria o pretérito perfeito: "disse", "contou"). Além disso, o texto não afirma que a ação "despertou a atenção de todos os filhos" — só sabemos do mais velho. A alternativa restringe o alcance ao dizer "todos", informação ausente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A ação não é pontual (o imperfeito é justamente o oposto: habitual/contínua). E o texto não diz que o pai alertava os filhos para "evitarem tornar-se ansiosos" — pelo contrário, a promessa gerou ansiedade, não a preveniu. A alternativa inverte o efeito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque "costumava" expressa habitualidade no passado, e o texto mostra a consequência: o filho mais velho, ao completar 12 anos, acordou ansioso para saber o segredo. A alternativa é uma paráfrase fiel do que o texto afirma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: troca de tempo verbal. "Costumava" está no pretérito, não no futuro. A alternativa confunde o valor do imperfeito com o do futuro do pretérito ("contaria"). O texto não diz que a ação era futura em relação ao momento em que o filho completou 12 anos — ela era passada e habitual.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os valores do pretérito imperfeito (habitual) e do pretérito perfeito (pontual/concluído). A alternativa B e a C tentam atrair quem não percebe que "costumava" = "tinha o hábito de".
PEGA ESSA DICA!
Ao ver um verbo no pretérito imperfeito, pergunte-se: "a ação era repetida, contínua ou pontual?" Se houver ideia de repetição/hábito, o valor é habitual — como em "costumava dizer".