Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Travessão — VUNESP 2019

PortuguêsTravessão
Código
vu049465
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Fiscal Tributário

      A avaliação de sistemas tributários – isto é, o conjunto de regras legais que disciplina o exercício do poder impositivo pelos diversos órgãos públicos na forma de tributos cobrados no país – é notoriamente controversa no Brasil e em todo lugar. O sistema tributário desempenha papel central em uma economia moderna na medida em que afeta de múltiplas (e complexas) maneiras o padrão de crescimento econômico e a competitividade nacional, assim como a distribuição social e regional da renda, e pode atuar tanto como um elemento de suporte quanto um obstáculo ao desenvolvimento. É também crucial para delimitar com quanto cada grupo de cidadãos e empresas de quais regiões geográficas do país terá de arcar para financiar que tipo (e tamanho) de Estado e de provisão de serviços e bens públicos.

      Frequentemente, o sistema tributário brasileiro é referido como uma “estrutura desconexa”. O fato é que fica difícil encontrar uma coerência lógica, baseada em fundamentos teóricos, que justifique uma estrutura tributária como a nossa. Mudar isso não é tarefa simples e depende de acordos políticos e federativos que fogem do alcance analítico deste texto, mas um bom ponto de partida é atualizar o diagnóstico dos problemas que temos de enfrentar e as alternativas de solução disponíveis à luz da teoria econômica e das experiências internacionais.

      É possível imaginar dois caminhos de reforma tributária. Um primeiro seria de uma reforma radical, e também de mais difícil implementação. O segundo, de caráter pragmático, é trilhar um processo de mudança gradual ou uma “reforma fatiada”. É preciso, entretanto, diferenciar essa segunda alternativa da opção de se proceder a meras mudanças pontuais, que têm sido muitas vezes erroneamente denominadas reforma fatiada. Quando imaginamos que uma reforma será fatiada, está implícita a existência de um determinado desenho de sistema tributário que se pretende alcançar no futuro, mas cuja implementação é fracionada para facilitar a transição e permitir algumas correções de rumo.

      Em outras palavras, independentemente do ritmo que se deseje adotar, o mais importante é que haja um ponto de chegada comum, que é aproximar nossa estrutura tributária de um “sistema ideal” no qual os vários elementos se ajustem apropriadamente e as distorções desnecessárias sejam eliminadas.

(Rodrigo Orair e Sérgio Gobetti. Reforma tributária no Brasil: princípios norteadores e propostas em debate. Disponível em: www.scielo.br. Acesso em: 30.09.2019. Adaptado)

No início do primeiro parágrafo, o trecho colocado entre travessões e introduzido pela locução isto é representa, em relação à expressão sistemas tributários, uma informação
  1. Acom objetivo comprobatório.
  2. Bde natureza argumentativa.
  3. Cmeramente acessória.
  4. Dde caráter conceitual.
  5. Ecom finalidade de retificação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — de caráter conceitual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do travessão e da locução "isto é"

Gabarito: letra D. O trecho entre travessões, introduzido por "isto é", representa uma informação de caráter conceitual, pois define o que se entende por "sistemas tributários". A locução "isto é" é uma marca clássica de explicação/definição, e o conteúdo entre travessões funciona como um aposto explicativo — um termo que acrescenta uma explicação ao termo anterior, sem alterar o sentido essencial da frase.

Veja o trecho do texto:

"A avaliação de sistemas tributários – isto é, o conjunto de regras legais que disciplina o exercício do poder impositivo pelos diversos órgãos públicos na forma de tributos cobrados no país – é notoriamente controversa..."

A expressão "isto é" sinaliza que o que vem a seguir é uma explicação do termo anterior — ou seja, uma definição conceitual. O travessão, nesse caso, isola esse aposto explicativo, que poderia ser substituído por vírgulas ou parênteses sem prejuízo do sentido.

"Isto é" entre travessões
  • 1Função
    • Explicação/definição
    • Aposto explicativo
  • 2Natureza da informação
    • Conceitual (define o termo)
    • Não é comprobatória
    • Não é argumentativa
    • Não é meramente acessória
    • Não é retificação
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A informação não tem objetivo comprobatório — não há intenção de provar ou demonstrar algo com base em evidências. O trecho apenas define o que é sistema tributário, não apresenta prova ou dado que comprove uma tese.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Embora o texto como um todo seja argumentativo, o trecho específico entre travessões não tem natureza argumentativa — ele não defende um ponto de vista, não apresenta um raciocínio persuasivo. Ele apenas explica/define o termo. A argumentação aparece depois, quando o autor discute a reforma tributária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A informação não é meramente acessória no sentido de ser dispensável ou sem importância. Ela é essencial para a compreensão do que o autor está avaliando. Sem essa definição, o leitor não saberia exatamente o que significa "sistemas tributários" no contexto. O aposto explicativo é um termo acessório na estrutura sintática (pode ser retirado sem quebrar a frase), mas isso não significa que seja sem importância — a banca explora essa ambiguidade. A função é conceitual, não acessória.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como vimos, o trecho entre travessões, introduzido por "isto é", tem caráter conceitual: define o que são sistemas tributários. A locução "isto é" é um marcador de explicação/definição, e o conteúdo entre travessões é um aposto explicativo — um termo que explica o anterior. Portanto, a informação é de caráter conceitual.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A locução "isto é" não tem finalidade de retificação — não corrige um erro, não substitui uma ideia por outra. Ela apenas explica o que foi dito, sem contradizer ou corrigir nada. Retificar seria dizer algo como "ou melhor", "na verdade", o que não ocorre aqui.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com a alternativa C ("meramente acessória"), explorando o fato de o aposto ser um termo acessório na sintaxe. Mas a questão pergunta sobre a informação (o conteúdo), não sobre a função sintática. O conteúdo é conceitual — define o termo.

PEGA ESSA DICA!

Quando aparecer "isto é", "ou seja", "a saber", "isto é" — fique atento: são marcadores de explicação/definição. O que vem depois é uma paráfrase explicativa do que veio antes.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/vu049465