Carros precisam de renovação para oferecer
mais segurança aos ocupantes
Há temas que são tabu no conjunto de regulamentações
de trânsito no Brasil. Falar em renovação da frota é como
cercear o direito de ir e vir de quem não pode adquirir um
automóvel atual. A gritaria também é geral quando se fala em
restringir a circulação de veículos de carga em períodos de
grande movimento nas rodovias, como os feriados.
O problema ocorre quando os mundos se cruzam: carros
e caminhões mal conservados dividindo espaço no tráfego
congestionado. O resultado aparece em estatísticas: 103
mortos em acidentes nas estradas no período do último Carnaval. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal. Houve
queda de 31% no número de óbitos em relação a 2017, fato
que, apesar do alívio, não dá motivos para comemorações.
Caso as evoluções propostas há mais de 20 anos, época
em que o atual Código de Trânsito Brasileiro entrou em vigor,
tivessem se tornado realidade, a quantidade de vítimas seria
certamente menor.
A idade média da frota de caminhões é superior a 10
anos, segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes
Terrestres) e o Sindipeças. São veículos com milhões de quilômetros rodados e manutenção nem sempre em dia.
Carros incapazes de proteger ocupantes em colisões circulam na contramão da modernidade. Muitos donos teriam
interesse em se livrar desses veículos se lhes fossem oferecidos benefícios para adquirir um modelo mais novo, mesmo
que seja um usado em melhores condições.
Mas as propostas de renovação não seguem adiante,
sempre preteridas nos incentivos governamentais ou nos
pedidos de socorro feitos pelas montadoras em crise.
Com as novas exigências de segurança e redução de
emissões de poluentes que devem surgir com o programa
Rota 2030, é o momento de retornar ao tema, sem medo de
chamar carro velho de sucata. A legislação que virá e a retomada nas vendas precisam gerar também um ciclo de renovação mais amplo que a simples troca de um carro seminovo
por um zero-quilômetro.
(Eduardo Sodré. Folha de S.Paulo. 18.02.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a redação, escrita a partir do texto, atende à norma-padrão de concordância.
APara reduzir os números de mortes causado por acidentes automobilísticos, devem-se renovar as frotas de veículos.
BHá muitos veículos, no Brasil, com milhões de quilômetros rodados e que não passam por revisões e manutenções periódicas.
CÉ necessário a manutenção dos veículos para reduzir o número de acidentes com vítimas, bem como a substituição de veículos com alta quilometragem.
DOs incentivos governamentais são imprescindíveis aos condutores de veículos para que consiga substituir seus carros velhos por carros novos ou seminovo.
EOcorrerá mudanças profundas com as novas exigências de segurança e redução de emissões de poluentes de acordo com o programa Rota 2030.
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GabaritoB — Há muitos veículos, no Brasil, com milhões de quilômetros rodados e que não passam por revisões e manutenções periódicas.
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Concordância — Redação a partir do texto
Gabarito: letra B. Apenas a alternativa B atende à norma-padrão de concordância verbal e nominal, como se prova confrontando cada item com as regras gramaticais. As demais apresentam erro de flexão no verbo ou no adjetivo.
“São veículos com milhões de quilômetros rodados e manutenção nem sempre em dia.”
A alternativa B parafraseia essa passagem com correção: “Há muitos veículos, no Brasil, com milhões de quilômetros rodados e que não passam por revisões e manutenções periódicas.” O verbo “passam” concorda com “veículos”; os adjetivos “rodados” (com “quilômetros”) e “periódicas” (com “revisões e manutenções”) estão flexionados corretamente.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Para reduzir os números de mortes causado por acidentes automobilísticos, devem-se renovar as frotas de veículos.”
Erro de concordância nominal: “causado” deveria concordar com “mortes” (feminino plural) → causadas. A forma correta é “mortes causadas”. O restante está gramaticalmente aceitável, mas o desvio invalida a alternativa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Há muitos veículos, no Brasil, com milhões de quilômetros rodados e que não passam por revisões e manutenções periódicas.”
Verbo “passam”: sujeito “que” (veículos) → plural, correto.
“quilômetros rodados”: adjetivo concorda com “quilômetros” (masculino plural).
“revisões e manutenções periódicas”: adjetivo “periódicas” no feminino plural, concordando com os dois substantivos.
“Há”: impessoal, invariável.
Nenhum desvio. A redação está plenamente de acordo com a norma-padrão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“É necessário a manutenção dos veículos para reduzir o número de acidentes com vítimas, bem como a substituição de veículos com alta quilometragem.”
Erro de concordância nominal: o adjetivo “necessário” deve concordar com o sujeito oracional “a manutenção” (feminino singular) → necessária. O correto é “É necessária a manutenção”. O mesmo se aplica a “a substituição”, mas o erro já está no primeiro termo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Os incentivos governamentais são imprescindíveis aos condutores de veículos para que consiga substituir seus carros velhos por carros novos ou seminovo.”
Dois desvios:
Verbo “consiga” (singular): o sujeito é “condutores” (plural) → consigam.
“seminovo” (singular): deve concordar com “carros” (plural) → seminovos (carros novos ou seminovos).
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Ocorrerá mudanças profundas com as novas exigências de segurança e redução de emissões de poluentes de acordo com o programa Rota 2030.”
Erro de concordância verbal: o verbo “ocorrerá” está no singular, mas o sujeito “mudanças profundas” está no plural → Ocorrerão mudanças profundas. A forma correta é “Ocorrerão”.
Resumo: Somente a alternativa B apresenta todas as concordâncias (verbal e nominal) em conformidade com a norma-padrão. As demais erram na flexão de verbo ou de adjetivo.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.