Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu050500
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Suzano - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Assistente Social
Relógio
Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade.

(João Cabral de Melo Neto. Obra completa.
Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1995)
No poema, são palavras que estabelecem uma relação de equivalência de sentido com relógio:
  1. Ajaula; gaiola.
  2. Bbicho; bolso.
  3. Cvidro; muros.
  4. Dpássaro; pulsos.
  5. Eplumagem; canto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — jaula; gaiola.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Equivalência de sentido com 'relógio' no poema de João Cabral

Gabarito: letra A. As palavras 'jaula' e 'gaiola' são usadas no poema como metáforas para o relógio, estabelecendo uma relação de equivalência de sentido. O poeta descreve o relógio como uma 'caixa de vidro' que, como uma jaula, contém um 'bicho' que palpita, e depois corrige: 'mais perto estão das gaiolas'. Portanto, tanto 'jaula' quanto 'gaiola' nomeiam metaforicamente o próprio relógio.

'dentro das quais, como em jaula, / se ouve palpitar um bicho.' 'Se são jaulas não é certo; / mais perto estão das gaiolas.'

— Esses versos mostram que o relógio é equiparado a esses objetos.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Confirma-se pelos versos acima: 'jaula' e 'gaiola' são as palavras que, no poema, funcionam como equivalentes metafóricos de 'relógio'. Nenhuma outra alternativa mantém essa correspondência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

'Bicho' e 'bolso' não equivalem a relógio. 'Bicho' é o que se ouve palpitar 'como em jaula' – é a pulsação do relógio, não o relógio em si. 'Bolso' é apenas um dos locais onde o relógio pode ser colocado ('vão num bolso'). Erro: troca conceito – confunde a parte ou o local com o todo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

'Vidro' é o material de que é feita a caixa; 'muros' são os lugares onde as gaiolas podem ser penduradas. Nenhum dos dois substitui o relógio. Erro: troca conceito – toma atributo ou localização pelo objeto principal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

'Pássaro' é uma metáfora para a palpitação ('é alada a palpitação'), mas não para o relógio; 'pulsos' é o local onde o relógio se usa ('num dos pulsos'). Erro: troca conceito – confunde a palpitação (do bicho/pássaro) com o continente, e o local com o objeto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

'Plumagem' refere-se à ave (ao canto? não); 'canto' é o som emitido ('delas se emite um cantor'). Ambos são característicos do pássaro (metáfora da palpitação), não do relógio. Erro: troca conceito – associa atributos do pássaro ao relógio, mas o texto não faz essa equivalência.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de equivalência semântica em textos poéticos, procure as palavras que o autor usa para se referir diretamente ao objeto central – muitas vezes são metáforas explícitas. Neste poema, o relógio é a gaiola/jaula; o bicho é o tique-taque.

Conclusão: Apenas a alternativa A apresenta pares que, no poema, nomeiam o próprio relógio. Todas as demais ou se referem a partes, características ou lugares associados ao relógio, e não ao relógio em si.

Link permanente: /questoes/vu050500