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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu050509
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Suzano - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Assistente Social
Paisagem com figuras

          Em meados dos anos 60, o poeta João Cabral de Mello Neto jantava na cantina Fiorentina, no Leme, com seus colegas Fernando Pessoa Ferreira e Felix de Athayde, pernambucanos como ele. Em certo momento, ouviu-se um rumor na varanda e João Cabral perguntou o que estava acontecendo. “É o Chacrinha, que acabou de chegar”, informou Fernando. 

        “Chacrinha? Quem é Chacrinha?”, quis saber João Cabral. “É um apresentador de tevê, muito famoso”, disseram. Cônsul do Brasil em Barcelona, com raras vindas ao Rio e famoso por não se interessar por música e tomar dez aspirinas por dia para a dor de cabeça, o poeta estava por fora do que acontecia por aqui.

       E, mesmo que estivesse a par, não podia haver ninguém menos Chacrinha do que João Cabral. Na sua poesia grave e desidratada, altamente cerebral, as palavras eram de pedra; os cães, sem plumas; e as facas, só lâminas. Já Chacrinha, o divino palhaço, era o barroco em Technicolor, embora a tevê ainda fosse em preto e branco. Em seu programa, apresentava os piores cantores do Brasil, atirava bacalhau para a plateia e promovia concursos de comer barata. Os comunicólogos ainda não o tinham descoberto como símbolo do “mau gosto genial”.

       Chacrinha entrou ventando pela Fiorentina, cercado de dez ou quinze aspones. Ao passar pela mesa de João Cabral, estacou e olhou-o fixamente. Então, abriu os braços e exclamou: “Cabral!!!”. O poeta levou um susto, mas não deixou a bola cair: “Abelardo!!!”, respondeu. Levantou-se no ato e os dois se jogaram nos braços um do outro, aos soluços. O poeta João Cabral de Mello Neto e o apresentador Abelardo “Chacrinha” Barbosa, colegas de curso primário no Colégio Marista, do Recife, e que não se viam havia mais de 30 anos, tinham acabado de se reencontrar, reconhecer e abraçar. É o Brasil. (Ruy Castro. A arte de querer bem. Rio de Janeiro, Estação Brasil, 2018) 
Na construção de sentido do texto, estabelecem entre si relação de oposição as seguintes expressões do terceiro parágrafo:
  1. Adesidratada; cerebral.
  2. Bpoesia; pedra.
  3. Cpalhaço; genial.
  4. Dgrave; barroco.
  5. Epreto e branco; mau gosto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — grave; barroco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de Oposição no Terceiro Parágrafo

Gabarito: letra D. A única alternativa que apresenta expressões em oposição direta no terceiro parágrafo é D) grave; barroco — "grave" caracteriza a poesia de João Cabral ("grave e desidratada") e "barroco" descreve Chacrinha ("o barroco em Technicolor"), estabelecendo um contraste explícito entre os dois.


O enunciado pede as expressões que, na construção de sentido do texto, mantêm entre si uma relação de oposição dentro do terceiro parágrafo. O terceiro parágrafo traça um contraste nítido:

"Na sua poesia grave e desidratada, altamente cerebral [...] Já Chacrinha, o divino palhaço, era o barroco em Technicolor"

  • grave (sóbrio, sério, sem excessos) opõe-se a barroco (exuberante, cheio de ornamentos).

  • A oposição é reforçada pelo conector "Já", que marca contraste, e pelo contraste entre "desidratada" e "Technicolor".


Análise das Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

desidratada; cerebral. Ambas são características da poesia de João Cabral e não se opõem; pelo contrário, complementam-se (a poesia é "desidratada" justamente por ser "altamente cerebral").

Alternativa B — ❌ Incorreta

poesia; pedra. "Poesia" é o gênero; "pedra" é uma metáfora para as palavras duras do poeta. Não há oposição: a pedra é parte da descrição da poesia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

palhaço; genial. "Palhaço" refere-se a Chacrinha; "genial" aparece na expressão "mau gosto genial" — os comunicólogos ainda não o tinham descoberto como tal. As palavras não são postas em oposição no parágrafo; "genial" é um atributo que se aplica ao "palhaço", mas não contrasta com ele.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

grave; barroco. Conforme demonstrado, "grave" descreve a poesia de João Cabral e "barroco" descreve Chacrinha. O texto constrói uma oposição estética clara: sobriedade versus exuberância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

preto e branco; mau gosto. "Preto e branco" refere-se à tecnologia da TV da época ("embora a tevê ainda fosse em preto e branco"). "Mau gosto" integra a expressão "mau gosto genial", que é uma característica de Chacrinha ainda não reconhecida. Os termos não estão em oposição direta no parágrafo — um é circunstancial (cor da TV), outro é juízo de valor.


NÃO CAIA NESSA!

A banca explora pares que parecem opostos (ex.: preto e branco vs. mau gosto) mas que não são contrastados no texto. A oposição verdadeira está em grave vs. barroco, ancorada no conector "Já" e na estrutura antitética do parágrafo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar oposições, procure conectivos de contraste ("mas", "porém", "já", "ao contrário") e pares de adjetivos/expressões que descrevem polos opostos de uma mesma categoria (aqui: estilos poéticos/pessoais).

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