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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2019

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu050722
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Postura e Ética Urbana

Um pouco de gentileza

    Pessoas bem educadas pedem “por favor”. A ideia prática por trás da polidez sempre foi esta: se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer. Funcionava.

    Em algum momento, que não consigo localizar no tempo exato da minha vivência, mas calculo que tenha sido pela metade dos anos 1960, o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência, contrabandeados para a vida civil e aprendidos em culturas de fora, instalaram-se nos modos do morador civilizado das nossas cidades, aquele que dava lugar no bonde às senhoras e aos mais velhos, dizia “bom dia” aos que passavam, pedia licença, não economizava o “por favor”, deixava entrar primeiro as damas, abria a porta do carro para a namorada, e tantas gentilezas extintas ou em extinção.

    Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes. Pode ser uma retomada, por que não?

    Uma placa bem no centro do muro do estacionamento de uma farmácia na Pompeia: “Este estabelecimento cuida da sua saúde, portanto o aspecto de limpeza é muito importante. Por favor, não piche. Contamos com a sua colaboração”. O muro tem estado limpo de rabiscos nestes dois anos em que venho andando por lá a caminho da hidroginástica.

    Há quem junte humor e ironia ao pedido, sem perder a delicadeza. Em uma aréola na Pompeia (Sabem o que é uma aréola? Pois aprendi que o pequeno ajardinado que circula o pé das árvores nas calçadas se chama aréola. Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho?), então, eu dizia, em uma aréola na Pompeia, encontro fincada uma plaquinha com os dizeres: “Senhor Cão, favor não fazer suas necessidades neste local”.

    Bem perto dali, em um ajardinado que contorna um poste, fincaram um repique* com nova dose de humor: “Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui”.

    Quem mora perto de boteco, sabe que não é fácil a convivência. Reclamações resultam inúteis. Quando a iniciativa de serenar os alegrados fregueses parte dos donos, e num tom amável, o resultado é melhor. Está dando certo em um boteco de Belo Horizonte, onde se lê: “Pedimos a colaboração dos frequentadores quanto às palmas, à cantoria etc. para não termos problemas com a vizinhança”.

    Em um posto de gasolina no Pari: “Senhor ladrão, favor passar outra hora. Seu colega já levou tudo”. Será que adianta? Até quem tem mais de 100 anos e boa memória se lembra do aviso nas casas do pequeno comércio de bairro: “Fiado, só amanhã”. Achávamos graça nessa habilidade com as palavras.

    Até nas estradas, lugar de bravatas e desafios, encontro pacíficos. Em um automóvel em Itaboraí, no Rio de Janeiro: “Calma... Eu sou 1000 e ando a gás...”.

(http://vejasp.abril.com.br/materia/ivan-angelo-um-pouco-degentileza-cronica. Publicado em 12.02.2016. Adaptado)

*repique: advertência, aviso

Assinale a alternativa em que o pronome indicado entre parênteses está substituindo, em conformidade com a norma-padrão, a expressão destacada na frase.
  1. AAquele que dava às senhoras o lugar no bonde. (lhes dava)
  2. BAquele que dizia “bom dia” aos que passavam. (lhes dizia)
  3. CAquele que pedia licença. (lhe pedia)
  4. DAquele que não economizava o “por favor”. (lhe economizava)
  5. EAquele que abria a porta do carro para a namorada. (lhe abria)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Aquele que dava às senhoras o lugar no bonde. (lhes dava)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pronomes oblíquos átonos: substituição de complementos verbais

Gabarito: letra A. A única alternativa em que o pronome substitui corretamente a expressão destacada, mantendo a norma-padrão, é a A, pois o pronome "lhes" substitui "às senhoras", que exerce a função de objeto indireto do verbo "dar" (quem dá, dá algo a alguém). As demais alternativas ou usam o pronome "lhe/lhes" onde o termo é objeto direto, ou trocam a regência verbal, gerando inadequação gramatical.

O comando pede que você identifique a substituição pronominal em conformidade com a norma-padrão. Isso significa que o pronome deve retomar o termo destacado sem alterar a função sintática que ele exerce na frase. A questão não é sobre interpretação de texto, mas sobre morfossintaxe do pronome oblíquo átono: saber quando usar "o/a/os/as" (objeto direto) e quando usar "lhe/lhes" (objeto indireto).

No texto-base, o trecho relevante é:

"aquele que dava lugar no bonde às senhoras e aos mais velhos"

A expressão "às senhoras" é o objeto indireto do verbo "dar" (dar algo a alguém). O pronome que substitui objeto indireto é "lhes" (para a 3ª pessoa do plural). Portanto, "dava lugar no bonde às senhoras" equivale a "lhes dava lugar no bonde". A alternativa A faz exatamente essa substituição, preservando a regência e o sentido.

Pronome oblíquo átono
  • 1Objeto direto (o/a/os/as)
    • Substitui termo sem preposição
    • Ex.: pedir licença → pedi-la
  • 2Objeto indireto (lhe/lhes)
    • Substitui termo com preposição
    • Ex.: dar às senhoras → lhes dar
  • 3Regra de ouro
    • Manter a regência do verbo
    • Não trocar a função sintática
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão destacada "às senhoras" é o objeto indireto do verbo "dar". O pronome "lhes" é a forma correta para substituir objeto indireto na 3ª pessoa do plural. A substituição mantém a regência verbal e o sentido original. Correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expressão "aos que passavam" é o objeto indireto do verbo "dizer" (quem diz, diz algo a alguém). O pronome "lhes" seria correto. Porém, a alternativa usa "lhes dizia", que está correto gramaticalmente. Erro: a alternativa B está correta também, mas a banca considerou apenas a A como gabarito. Análise: a alternativa B é gramaticalmente válida, mas a questão pede a substituição em conformidade com a norma-padrão — e ambas A e B são válidas. A banca considerou apenas A como correta, possivelmente por um erro de elaboração. Veredito: a alternativa B é gramaticalmente correta, mas não é o gabarito oficial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A expressão "licença" é o objeto direto do verbo "pedir" (quem pede, pede algo). O pronome correto para objeto direto é "a" (pede-a). O pronome "lhe" é usado para objeto indireto, o que torna a substituição incorreta. Erro: troca de objeto direto por indireto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A expressão "o 'por favor'" é o objeto direto do verbo "economizar" (quem economiza, economiza algo). O pronome correto é "o" (economiza-o). O pronome "lhe" é para objeto indireto, o que torna a substituição incorreta. Erro: troca de objeto direto por indireto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A expressão "para a namorada" é o objeto indireto do verbo "abrir" (quem abre, abre algo para alguém). O pronome correto é "lhe" (abre-lhe a porta). Porém, a alternativa usa "lhe abria", que está correto gramaticalmente. Erro: a alternativa E está correta também, mas a banca considerou apenas a A como gabarito. Análise: a alternativa E é gramaticalmente válida, mas a questão pede a substituição em conformidade com a norma-padrão — e ambas A e E são válidas. A banca considerou apenas A como correta, possivelmente por um erro de elaboração. Veredito: a alternativa E é gramaticalmente correta, mas não é o gabarito oficial.

Conclusão: A alternativa A é a única que a banca considerou correta, mas as alternativas B e E também são gramaticalmente válidas. A questão apresenta ambiguidade. Gabarito oficial: letra A.

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