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Questão de Português — Pontuação — VUNESP 2019

PortuguêsPontuação
Código
vu050725
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Postura e Ética Urbana

Um pouco de gentileza

    Pessoas bem educadas pedem “por favor”. A ideia prática por trás da polidez sempre foi esta: se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer. Funcionava.

    Em algum momento, que não consigo localizar no tempo exato da minha vivência, mas calculo que tenha sido pela metade dos anos 1960, o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência, contrabandeados para a vida civil e aprendidos em culturas de fora, instalaram-se nos modos do morador civilizado das nossas cidades, aquele que dava lugar no bonde às senhoras e aos mais velhos, dizia “bom dia” aos que passavam, pedia licença, não economizava o “por favor”, deixava entrar primeiro as damas, abria a porta do carro para a namorada, e tantas gentilezas extintas ou em extinção.

    Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes. Pode ser uma retomada, por que não?

    Uma placa bem no centro do muro do estacionamento de uma farmácia na Pompeia: “Este estabelecimento cuida da sua saúde, portanto o aspecto de limpeza é muito importante. Por favor, não piche. Contamos com a sua colaboração”. O muro tem estado limpo de rabiscos nestes dois anos em que venho andando por lá a caminho da hidroginástica.

    Há quem junte humor e ironia ao pedido, sem perder a delicadeza. Em uma aréola na Pompeia (Sabem o que é uma aréola? Pois aprendi que o pequeno ajardinado que circula o pé das árvores nas calçadas se chama aréola. Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho?), então, eu dizia, em uma aréola na Pompeia, encontro fincada uma plaquinha com os dizeres: “Senhor Cão, favor não fazer suas necessidades neste local”.

    Bem perto dali, em um ajardinado que contorna um poste, fincaram um repique* com nova dose de humor: “Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui”.

    Quem mora perto de boteco, sabe que não é fácil a convivência. Reclamações resultam inúteis. Quando a iniciativa de serenar os alegrados fregueses parte dos donos, e num tom amável, o resultado é melhor. Está dando certo em um boteco de Belo Horizonte, onde se lê: “Pedimos a colaboração dos frequentadores quanto às palmas, à cantoria etc. para não termos problemas com a vizinhança”.

    Em um posto de gasolina no Pari: “Senhor ladrão, favor passar outra hora. Seu colega já levou tudo”. Será que adianta? Até quem tem mais de 100 anos e boa memória se lembra do aviso nas casas do pequeno comércio de bairro: “Fiado, só amanhã”. Achávamos graça nessa habilidade com as palavras.

    Até nas estradas, lugar de bravatas e desafios, encontro pacíficos. Em um automóvel em Itaboraí, no Rio de Janeiro: “Calma... Eu sou 1000 e ando a gás...”.

(http://vejasp.abril.com.br/materia/ivan-angelo-um-pouco-degentileza-cronica. Publicado em 12.02.2016. Adaptado)

*repique: advertência, aviso

Assinale a alternativa em que a pontuação destacada no trecho selecionado não altera o sentido original do texto.
  1. Adizia “bom dia” aos que passavam: pedia licença, não economizava o “por favor” (2º parágrafo)
  2. BNoto – circulando pela cidade – que há sinais de amabilidade por aí. (3º parágrafo)
  3. CBem perto dali (em um ajardinado que contorna um poste) fincaram um repique (6º parágrafo)
  4. DSerá que adianta. (8º parágrafo)
  5. E“Calma! Eu sou 1000 e ando a gás!” (último parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — dizia “bom dia” aos que passavam: pedia licença, não economizava o “por favor” (2º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação que não altera o sentido: dois-pontos com valor enumerativo

Gabarito: letra A. A alternativa A mantém o sentido original porque os dois-pontos, no trecho original, introduzem uma enumeração de ações do sujeito "dizia". A reescrita com dois-pontos preserva exatamente essa função: anuncia uma lista de atitudes (pedia licença, não economizava o "por favor", etc.). As demais alternativas alteram o sentido porque trocam o sinal de pontuação por outro que muda a relação sintático-semântica entre os termos.

A questão pede que se identifique a alternativa em que a pontuação destacada não altera o sentido original. Isso significa que a reescrita deve manter a mesma função do sinal de pontuação no texto-base. Vamos analisar cada caso.

Pontuação e sentido
  • 1Mantém o sentido
    • Dois-pontos
      • Anunciam enumeração
      • Mesma função das vírgulas
  • 2Alteram o sentido
    • Travessão duplo
      • Ênfase no adjunto
    • Parênteses
      • Rebaixam a informação
    • Ponto final
      • Vira afirmação (perde a dúvida)
    • Exclamação
      • Vira ordem/ênfase (perde a hesitação)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No texto original, o trecho é:

"dizia 'bom dia' aos que passavam, pedia licença, não economizava o 'por favor'"

Aqui, as vírgulas separam termos coordenados (verbos que indicam ações do sujeito). A alternativa A substitui a vírgula após "passavam" por dois-pontos, mantendo a ideia de enumeração. Os dois-pontos, nesse contexto, têm exatamente a função de anunciar uma lista, como em "Eis as cores da bandeira: verde, amarelo, azul e branco". Portanto, o sentido permanece o mesmo: o sujeito praticava várias ações, e os dois-pontos apenas introduzem essa sequência. Não há mudança de valor semântico, apenas de sinal gráfico, mas com a mesma função.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O travessão duplo isola o adjunto adverbial "circulando pela cidade", dando-lhe ênfase e criando uma pausa mais forte que a vírgula. No original, a vírgula apenas separa o adjunto, sem destacá-lo tanto. A troca por travessões altera a entonação e o realce do termo, o que muda o sentido expressivo do trecho. Portanto, a alternativa B altera o sentido original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os parênteses rebaixam a informação "em um ajardinado que contorna um poste" a um comentário à parte, como se fosse um detalhe secundário. No original, essa informação está integrada à frase com vírgulas, sem esse rebaixamento. A mudança de vírgulas para parênteses altera a hierarquia informativa do trecho, portanto altera o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

No original, a frase é uma pergunta retórica: "Será que adianta?". A alternativa D transforma essa pergunta em uma afirmação com ponto final: "Será que adianta.". Isso muda completamente o sentido: de uma dúvida para uma constatação. A pontuação altera o modo (interrogativo para declarativo), portanto altera o sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

No original, a frase é "Calma... Eu sou 1000 e ando a gás...". As reticências indicam hesitação ou tom coloquial. A alternativa E troca as reticências por ponto de exclamação, que expressa ordem ou ênfase enérgica. Isso muda o tom de suave para imperativo, alterando o sentido.

Conclusão: A única alternativa que mantém o sentido original é a letra A, pois os dois-pontos preservam a função enumerativa das vírgulas originais. As demais alteram o sentido por mudarem a função do sinal de pontuação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre sinais que têm funções semelhantes, mas não idênticas. Vírgulas e dois-pontos podem ambos introduzir enumerações, mas travessões, parênteses, ponto final e exclamação têm funções distintas que alteram o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de pontuação, pergunte-se: "Qual é a função do sinal no contexto?" Se a reescrita mantém a mesma função, o sentido é preservado; se muda a função, o sentido é alterado.

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