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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu050726
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Postura e Ética Urbana

Um pouco de gentileza

    Pessoas bem educadas pedem “por favor”. A ideia prática por trás da polidez sempre foi esta: se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer. Funcionava.

    Em algum momento, que não consigo localizar no tempo exato da minha vivência, mas calculo que tenha sido pela metade dos anos 1960, o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência, contrabandeados para a vida civil e aprendidos em culturas de fora, instalaram-se nos modos do morador civilizado das nossas cidades, aquele que dava lugar no bonde às senhoras e aos mais velhos, dizia “bom dia” aos que passavam, pedia licença, não economizava o “por favor”, deixava entrar primeiro as damas, abria a porta do carro para a namorada, e tantas gentilezas extintas ou em extinção.

    Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes. Pode ser uma retomada, por que não?

    Uma placa bem no centro do muro do estacionamento de uma farmácia na Pompeia: “Este estabelecimento cuida da sua saúde, portanto o aspecto de limpeza é muito importante. Por favor, não piche. Contamos com a sua colaboração”. O muro tem estado limpo de rabiscos nestes dois anos em que venho andando por lá a caminho da hidroginástica.

    Há quem junte humor e ironia ao pedido, sem perder a delicadeza. Em uma aréola na Pompeia (Sabem o que é uma aréola? Pois aprendi que o pequeno ajardinado que circula o pé das árvores nas calçadas se chama aréola. Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho?), então, eu dizia, em uma aréola na Pompeia, encontro fincada uma plaquinha com os dizeres: “Senhor Cão, favor não fazer suas necessidades neste local”.

    Bem perto dali, em um ajardinado que contorna um poste, fincaram um repique* com nova dose de humor: “Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui”.

    Quem mora perto de boteco, sabe que não é fácil a convivência. Reclamações resultam inúteis. Quando a iniciativa de serenar os alegrados fregueses parte dos donos, e num tom amável, o resultado é melhor. Está dando certo em um boteco de Belo Horizonte, onde se lê: “Pedimos a colaboração dos frequentadores quanto às palmas, à cantoria etc. para não termos problemas com a vizinhança”.

    Em um posto de gasolina no Pari: “Senhor ladrão, favor passar outra hora. Seu colega já levou tudo”. Será que adianta? Até quem tem mais de 100 anos e boa memória se lembra do aviso nas casas do pequeno comércio de bairro: “Fiado, só amanhã”. Achávamos graça nessa habilidade com as palavras.

    Até nas estradas, lugar de bravatas e desafios, encontro pacíficos. Em um automóvel em Itaboraí, no Rio de Janeiro: “Calma... Eu sou 1000 e ando a gás...”.

(http://vejasp.abril.com.br/materia/ivan-angelo-um-pouco-degentileza-cronica. Publicado em 12.02.2016. Adaptado)

*repique: advertência, aviso

Considere os trechos do texto.• ... o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência... (2º parágrafo)• Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho? (5º parágrafo)Nesses trechos há, respectivamente:
  1. Asequência de ideias cuja intensidade é crescente; ambiguidade entre as ideias.
  2. Bsequência de ideias cuja intensidade é crescente; equivalência entre as ideias.
  3. Csequência de ideias cuja intensidade é decrescente; repetição entre as ideias.
  4. Dsequência de ideias cuja intensidade é decrescente; discrepância entre as ideias.
  5. Esequência de ideias cuja intensidade é decrescente; igualdade entre as ideias.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sequência de ideias cuja intensidade é crescente; equivalência entre as ideias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações entre ideias: gradação e equivalência

Gabarito: letra B. No primeiro trecho, há uma sequência de ideias de intensidade crescente — do desrespeito à truculência, cada termo é mais forte que o anterior. No segundo, há equivalência entre as ideias: "delicado" e "apropriado" são qualidades que se somam sem se opor, ambas positivas e compatíveis. A prova está no próprio texto, como se lê no 2º parágrafo e no 5º parágrafo.

A chave de resolução

A questão pede que você reconheça a relação semântica entre os termos de cada trecho. Não é uma questão de compreensão literal, mas de interpretação das relações de sentido que o autor estabelece. Vamos analisar cada trecho com calma.

Primeiro trecho:

"... o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência..."

Observe a progressão: desrespeito → grosseria → arrogância → truculência. Cada palavra representa um estágio mais grave de comportamento antissocial. O desrespeito é uma falta de consideração; a grosseria é uma forma mais direta de ofensa; a arrogância é uma atitude de superioridade; a truculência é a violência, a brutalidade. Há uma escalada — a intensidade cresce a cada termo. Os conectivos "e logo", "e daí a pouco", "e já, já" reforçam essa progressão temporal e de intensidade.

Segundo trecho:

"Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho?"

Aqui, o autor pergunta quem teria dado um nome que é, ao mesmo tempo, delicado e apropriado. Essas duas qualidades não se opõem; pelo contrário, somam-se para elogiar o nome "aréola". Há uma equivalência de valor: ambas são positivas e compatíveis. Não há ambiguidade, repetição, discrepância ou igualdade — há equivalência.

Relações entre ideias
  • 1Gradação
    • Crescente
      • desrespeito → grosseria → arrogância → truculência
    • Decrescente
  • 2Equivalência
    • Ideias que se somam
    • Ambas positivas
  • 3Igualdade
    • Ideias idênticas
  • 4Ambiguidade
    • Duplo sentido
  • 5Discrepância
    • Ideias que se opõem
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A primeira parte está correta (intensidade crescente), mas a segunda erra ao falar em ambiguidade. Ambiguidade seria se o trecho permitisse duas leituras diferentes e conflitantes. Aqui, "delicado" e "apropriado" são claros e complementares — não há duplo sentido. A alternativa mistura conceitos: acerta a gradação, mas troca a relação do segundo trecho.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como vimos, o primeiro trecho é uma gradação crescente (desrespeito → grosseria → arrogância → truculência) e o segundo apresenta equivalência entre "delicado" e "apropriado". A alternativa B é a única que combina corretamente as duas relações.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra na primeira parte: a intensidade é crescente, não decrescente. A segunda parte também erra ao dizer "repetição" — "delicado" e "apropriado" não são sinônimos, são qualidades distintas que se equivalem em valor. A alternativa inverte a direção da gradação e confunde equivalência com repetição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra na primeira parte (intensidade decrescente) e na segunda (discrepância). Não há discrepância entre "delicado" e "apropriado"; pelo contrário, há harmonia. A alternativa contradiz o texto ao afirmar uma oposição que não existe.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra na primeira parte (decrescente) e na segunda (igualdade). "Igualdade" sugeriria que os termos são idênticos, mas "delicado" e "apropriado" são diferentes — apenas equivalentes em valor. A alternativa restringe o sentido ao trocar equivalência por igualdade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre equivalência (ideias que se somam, ambas positivas) e igualdade (ideias idênticas). No texto, "delicado" e "apropriado" são diferentes, mas equivalentes — a alternativa E tenta fazer você achar que são a mesma coisa.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar relações entre ideias, pergunte-se: elas se opõem? se somam? uma é mais forte que a outra? No primeiro trecho, a gradação é clara pela escalada de gravidade; no segundo, a conjunção "quanto" (tão... quanto) indica comparação de igualdade, ou seja, equivalência.

Gabarito: letra B — a única que combina corretamente gradação crescente e equivalência.

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