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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu050727
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Postura e Ética Urbana

Um pouco de gentileza

    Pessoas bem educadas pedem “por favor”. A ideia prática por trás da polidez sempre foi esta: se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer. Funcionava.

    Em algum momento, que não consigo localizar no tempo exato da minha vivência, mas calculo que tenha sido pela metade dos anos 1960, o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência, contrabandeados para a vida civil e aprendidos em culturas de fora, instalaram-se nos modos do morador civilizado das nossas cidades, aquele que dava lugar no bonde às senhoras e aos mais velhos, dizia “bom dia” aos que passavam, pedia licença, não economizava o “por favor”, deixava entrar primeiro as damas, abria a porta do carro para a namorada, e tantas gentilezas extintas ou em extinção.

    Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes. Pode ser uma retomada, por que não?

    Uma placa bem no centro do muro do estacionamento de uma farmácia na Pompeia: “Este estabelecimento cuida da sua saúde, portanto o aspecto de limpeza é muito importante. Por favor, não piche. Contamos com a sua colaboração”. O muro tem estado limpo de rabiscos nestes dois anos em que venho andando por lá a caminho da hidroginástica.

    Há quem junte humor e ironia ao pedido, sem perder a delicadeza. Em uma aréola na Pompeia (Sabem o que é uma aréola? Pois aprendi que o pequeno ajardinado que circula o pé das árvores nas calçadas se chama aréola. Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho?), então, eu dizia, em uma aréola na Pompeia, encontro fincada uma plaquinha com os dizeres: “Senhor Cão, favor não fazer suas necessidades neste local”.

    Bem perto dali, em um ajardinado que contorna um poste, fincaram um repique* com nova dose de humor: “Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui”.

    Quem mora perto de boteco, sabe que não é fácil a convivência. Reclamações resultam inúteis. Quando a iniciativa de serenar os alegrados fregueses parte dos donos, e num tom amável, o resultado é melhor. Está dando certo em um boteco de Belo Horizonte, onde se lê: “Pedimos a colaboração dos frequentadores quanto às palmas, à cantoria etc. para não termos problemas com a vizinhança”.

    Em um posto de gasolina no Pari: “Senhor ladrão, favor passar outra hora. Seu colega já levou tudo”. Será que adianta? Até quem tem mais de 100 anos e boa memória se lembra do aviso nas casas do pequeno comércio de bairro: “Fiado, só amanhã”. Achávamos graça nessa habilidade com as palavras.

    Até nas estradas, lugar de bravatas e desafios, encontro pacíficos. Em um automóvel em Itaboraí, no Rio de Janeiro: “Calma... Eu sou 1000 e ando a gás...”.

(http://vejasp.abril.com.br/materia/ivan-angelo-um-pouco-degentileza-cronica. Publicado em 12.02.2016. Adaptado)

*repique: advertência, aviso

No sexto parágrafo, o autor atribui a “nova dose de humor” ao fato de a mensagem
  1. Aestabelecer onde devem circular os animais domésticos do bairro.
  2. Bdirigir a solicitação ao cão e não a seu dono.
  3. Cestar redigida com emprego de termos literários.
  4. Disentar o dono do cão dos compromissos com a cidadania.
  5. Ecriticar adultos que não cuidam devidamente dos animais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — dirigir a solicitação ao cão e não a seu dono.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Humor na placa do "Senhor Cão"

Gabarito: letra B. A "nova dose de humor" está em dirigir a solicitação ao cão e não a seu dono, como se lê no sexto parágrafo: a placa diz "Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui". O humor nasce exatamente de o aviso ser endereçado ao animal, e não à pessoa responsável por ele.

A questão é de compreensão (o comando pede "o autor atribui"), ou seja, a resposta está explícita no texto — basta localizar o trecho e reconhecer a paráfrase. Não há inferência nem dedução: a alternativa correta reescreve com outras palavras o que o autor escreveu literalmente.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A placa não estabelece onde devem circular os animais domésticos; ela pede que o cão não faça necessidades no ajardinado. O texto diz apenas "favor não deixar seu dono fazer xixi aqui" — não há qualquer orientação sobre circulação. A alternativa extrapola o conteúdo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho do sexto parágrafo é claro:

"fincaram um repique com nova dose de humor: 'Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui'"

O humor está em falar com o cão ("Senhor Cão") como se ele fosse o responsável, quando na verdade quem age é o dono. A alternativa B é uma paráfrase fiel dessa ideia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há termos literários na placa; a linguagem é coloquial e direta. A alternativa tangencia o tema ao falar de estilo, que o texto não aborda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A placa não isenta o dono de compromissos; ao contrário, ironicamente cobra o dono por meio do cão. A alternativa contradiz o efeito humorístico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não há crítica a adultos que não cuidam dos animais; a placa é um pedido bem-humorado, não uma crítica. A alternativa acrescenta opinião que o autor não externou.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que corresponde ao enunciado e compare cada alternativa com ela. A correta é a que reescreve o trecho sem acrescentar nem tirar nada.

Gabarito: letra B.

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