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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu050729
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Postura e Ética Urbana

Um pouco de gentileza

    Pessoas bem educadas pedem “por favor”. A ideia prática por trás da polidez sempre foi esta: se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer. Funcionava.

    Em algum momento, que não consigo localizar no tempo exato da minha vivência, mas calculo que tenha sido pela metade dos anos 1960, o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência, contrabandeados para a vida civil e aprendidos em culturas de fora, instalaram-se nos modos do morador civilizado das nossas cidades, aquele que dava lugar no bonde às senhoras e aos mais velhos, dizia “bom dia” aos que passavam, pedia licença, não economizava o “por favor”, deixava entrar primeiro as damas, abria a porta do carro para a namorada, e tantas gentilezas extintas ou em extinção.

    Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes. Pode ser uma retomada, por que não?

    Uma placa bem no centro do muro do estacionamento de uma farmácia na Pompeia: “Este estabelecimento cuida da sua saúde, portanto o aspecto de limpeza é muito importante. Por favor, não piche. Contamos com a sua colaboração”. O muro tem estado limpo de rabiscos nestes dois anos em que venho andando por lá a caminho da hidroginástica.

    Há quem junte humor e ironia ao pedido, sem perder a delicadeza. Em uma aréola na Pompeia (Sabem o que é uma aréola? Pois aprendi que o pequeno ajardinado que circula o pé das árvores nas calçadas se chama aréola. Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho?), então, eu dizia, em uma aréola na Pompeia, encontro fincada uma plaquinha com os dizeres: “Senhor Cão, favor não fazer suas necessidades neste local”.

    Bem perto dali, em um ajardinado que contorna um poste, fincaram um repique* com nova dose de humor: “Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui”.

    Quem mora perto de boteco, sabe que não é fácil a convivência. Reclamações resultam inúteis. Quando a iniciativa de serenar os alegrados fregueses parte dos donos, e num tom amável, o resultado é melhor. Está dando certo em um boteco de Belo Horizonte, onde se lê: “Pedimos a colaboração dos frequentadores quanto às palmas, à cantoria etc. para não termos problemas com a vizinhança”.

    Em um posto de gasolina no Pari: “Senhor ladrão, favor passar outra hora. Seu colega já levou tudo”. Será que adianta? Até quem tem mais de 100 anos e boa memória se lembra do aviso nas casas do pequeno comércio de bairro: “Fiado, só amanhã”. Achávamos graça nessa habilidade com as palavras.

    Até nas estradas, lugar de bravatas e desafios, encontro pacíficos. Em um automóvel em Itaboraí, no Rio de Janeiro: “Calma... Eu sou 1000 e ando a gás...”.

(http://vejasp.abril.com.br/materia/ivan-angelo-um-pouco-degentileza-cronica. Publicado em 12.02.2016. Adaptado)

*repique: advertência, aviso

De acordo com o texto, é correto concluir que, ao praticarmos a polidez e empregarmos bons modos, nossos interlocutores tornam-se
  1. Amais solícitos e receptivos.
  2. Bmais vulneráveis e discretos.
  3. Cmais céticos e emotivos.
  4. Dmenos afáveis e temerosos.
  5. Emenos transigentes e confiantes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — mais solícitos e receptivos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Polidez e bons modos: o efeito sobre os interlocutores

Gabarito: letra A. Ao praticarmos a polidez e empregarmos bons modos, nossos interlocutores tornam-se mais solícitos e receptivos — é o que o texto afirma logo no primeiro parágrafo, ao explicar a ideia prática por trás da polidez: "se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer". A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa passagem: "conseguir o que quer" equivale a encontrar interlocutores solícitos e receptivos.

A questão é de compreensão (o comando diz "de acordo com o texto"), ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, não ser deduzida de fora. A banca testa se você localiza a tese central do primeiro parágrafo e não se deixa levar por palavras soltas das placas citadas ao longo da crônica.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto abre com a tese:

"A ideia prática por trás da polidez sempre foi esta: se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer."

"Conseguir o que quer" é o resultado de encontrar o outro disposto a atender (solícito) e aberto ao pedido (receptivo). A alternativa A apenas reescreve essa ideia com sinônimos — é a paráfrase que o comando de compreensão exige. Nada no texto contradiz ou restringe esse efeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Mais vulneráveis e discretos" extrapola o texto. Em nenhum momento o autor afirma que a polidez deixa o interlocutor vulnerável (exposto, frágil) ou discreto (reservado). Esses adjetivos não têm correspondência com a ideia de "conseguir o que quer". A banca tenta atrair o candidato com uma consequência negativa que não está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Mais céticos e emotivos" contradiz a tese. O texto diz que a polidez aumenta a chance de conseguir o que se quer, o que pressupõe um interlocutor favorável, não cético (desconfiado) ou emotivo (excessivamente sentimental). Não há base textual para esses adjetivos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Menos afáveis e temerosos" inverte o sentido. O texto associa a polidez a um resultado positivo (conseguir o que quer); "menos afáveis" (menos cordiais) e "temerosos" (medrosos) são efeitos negativos que contrariam a lógica do parágrafo. A banca troca o sinal da consequência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Menos transigentes e confiantes" também inverte o sentido. "Transigente" (que cede, que aceita) e "confiante" são qualidades que favorecem o atendimento do pedido; dizer que o interlocutor fica menos transigente e confiante é o oposto do que o texto afirma. A alternativa usa antônimos para confundir.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece adjetivos negativos (vulneráveis, céticos, temerosos) ou que invertem o sentido (menos afáveis, menos transigentes) para testar se você se prende à tese explícita do primeiro parágrafo. A correta é a única que parafraseia o texto sem acrescentar ou inverter nada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a tese (geralmente no início ou no fim do texto) e procure a alternativa que a reescreve com sinônimos. Desconfie de adjetivos que não aparecem no texto ou que mudam o sinal da afirmação.

Gabarito: letra A

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