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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu050730
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Postura e Ética Urbana

Um pouco de gentileza

    Pessoas bem educadas pedem “por favor”. A ideia prática por trás da polidez sempre foi esta: se você pede com bons modos, tem mais chance de conseguir o que quer. Funcionava.

    Em algum momento, que não consigo localizar no tempo exato da minha vivência, mas calculo que tenha sido pela metade dos anos 1960, o desrespeito, e logo a grosseria, e daí a pouco a arrogância, e já, já a truculência, contrabandeados para a vida civil e aprendidos em culturas de fora, instalaram-se nos modos do morador civilizado das nossas cidades, aquele que dava lugar no bonde às senhoras e aos mais velhos, dizia “bom dia” aos que passavam, pedia licença, não economizava o “por favor”, deixava entrar primeiro as damas, abria a porta do carro para a namorada, e tantas gentilezas extintas ou em extinção.

    Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes. Pode ser uma retomada, por que não?

    Uma placa bem no centro do muro do estacionamento de uma farmácia na Pompeia: “Este estabelecimento cuida da sua saúde, portanto o aspecto de limpeza é muito importante. Por favor, não piche. Contamos com a sua colaboração”. O muro tem estado limpo de rabiscos nestes dois anos em que venho andando por lá a caminho da hidroginástica.

    Há quem junte humor e ironia ao pedido, sem perder a delicadeza. Em uma aréola na Pompeia (Sabem o que é uma aréola? Pois aprendi que o pequeno ajardinado que circula o pé das árvores nas calçadas se chama aréola. Quem terá posto nome tão delicado quanto apropriado ao jardinzinho?), então, eu dizia, em uma aréola na Pompeia, encontro fincada uma plaquinha com os dizeres: “Senhor Cão, favor não fazer suas necessidades neste local”.

    Bem perto dali, em um ajardinado que contorna um poste, fincaram um repique* com nova dose de humor: “Senhor Cão, favor não deixar seu dono fazer xixi aqui”.

    Quem mora perto de boteco, sabe que não é fácil a convivência. Reclamações resultam inúteis. Quando a iniciativa de serenar os alegrados fregueses parte dos donos, e num tom amável, o resultado é melhor. Está dando certo em um boteco de Belo Horizonte, onde se lê: “Pedimos a colaboração dos frequentadores quanto às palmas, à cantoria etc. para não termos problemas com a vizinhança”.

    Em um posto de gasolina no Pari: “Senhor ladrão, favor passar outra hora. Seu colega já levou tudo”. Será que adianta? Até quem tem mais de 100 anos e boa memória se lembra do aviso nas casas do pequeno comércio de bairro: “Fiado, só amanhã”. Achávamos graça nessa habilidade com as palavras.

    Até nas estradas, lugar de bravatas e desafios, encontro pacíficos. Em um automóvel em Itaboraí, no Rio de Janeiro: “Calma... Eu sou 1000 e ando a gás...”.

(http://vejasp.abril.com.br/materia/ivan-angelo-um-pouco-degentileza-cronica. Publicado em 12.02.2016. Adaptado)

*repique: advertência, aviso

Pelas informações do texto, é correto afirmar que o autor
  1. Aadmite que são fúteis e bizarras certas atitudes como pedir licença, praticadas pelos chamados moradores civilizados.
  2. Bcita frases que, muito usadas no passado em casas de comércio, hoje seriam consideradas ofensivas.
  3. Cobserva que tem encontrado mensagens escritas destinadas aos passantes e que primam pela amabilidade.
  4. Destava convicto, a princípio, de que a placa da farmácia em Pompeia jamais traria os resultados esperados.
  5. Esurpreendeu-se ao ver escrita em uma plaquinha de jardim a palavra “aréola”, que ele até então desconhecia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — observa que tem encontrado mensagens escritas destinadas aos passantes e que primam pela amabilidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: localizando a informação explícita

Gabarito: letra C. O autor afirma, no 2º parágrafo, que "Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes." Essa passagem é a base exata da alternativa C: ele observa mensagens escritas destinadas aos passantes e que primam pela amabilidade. As demais alternativas ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o texto.

A questão é de compreensão (o comando pede "Pelas informações do texto, é correto afirmar"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase de algo explícito — não uma dedução, nem uma opinião do candidato. Vamos ver cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não diz que pedir licença ou outras gentilezas são "fúteis e bizarras". Pelo contrário, o autor lamenta a perda desses hábitos: "tantas gentilezas extintas ou em extinção". A alternativa contradiz o texto ao atribuir ao autor um juízo negativo que ele não emite — é uma opinião embutida que inverte o tom do cronista.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto menciona o aviso "Fiado, só amanhã" e diz que "Achávamos graça nessa habilidade com as palavras" — ou seja, o autor vê com humor, não como ofensivo. A alternativa afirma que "hoje seriam consideradas ofensivas", o que extrapola completamente: o texto não diz nada sobre a recepção atual dessas frases. É uma extrapolação sem apoio no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O 2º parágrafo é a prova direta:

"Noto, circulando pela cidade, que há sinais de amabilidade por aí, uma cordialidade escrita. Pedidos e avisos delicados, dirigidos aos cidadãos passantes."

A alternativa C parafraseia esse trecho: "observa que tem encontrado mensagens escritas destinadas aos passantes e que primam pela amabilidade". "Cordialidade escrita" = "mensagens escritas"; "avisos delicados" = "primam pela amabilidade". É uma paráfrase fiel, sem acréscimos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O texto não diz que o autor estava convicto de que a placa da farmácia não daria resultado. Na verdade, ele apenas relata o conteúdo da placa e observa que "O muro tem estado limpo de rabiscos nestes dois anos" — o que sugere que funcionou, mas o autor não afirma ter tido qualquer expectativa inicial. A alternativa extrapola ao inventar uma convicção que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto mostra o autor explicando o que é aréola: "Sabem o que é uma aréola? Pois aprendi que o pequeno ajardinado que circula o pé das árvores nas calçadas se chama aréola." Ele aprendeu o termo, mas não diz que ficou surpreso ao vê-lo escrito em uma plaquinha — a surpresa é uma inferência não autorizada. A alternativa extrapola ao acrescentar uma reação emocional que o texto não registra.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura compreensão com interpretação. As alternativas A, D e E parecem plausíveis, mas exigem que você deduza algo que o texto não afirma. A correta (C) é a única que se apoia em uma passagem literal.

PEGA ESSA DICA!

Quando o comando pedir "de acordo com o texto", procure a paráfrase — a resposta estará escrita com outras palavras, mas com o mesmo sentido. Desconfie de alternativas que acrescentam opiniões, reações ou causas que o autor não mencionou.

Gabarito: letra C.

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