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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2019

PortuguêsSintaxe
Código
vu050736
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Fonodiaulogia

Leia o texto para responder à questão.


Apostas contra depressão e fobias


    A realidade virtual, conhecida pelo uso na indústria de games, tem sido cada vez mais utilizada para recriar situações de trauma ou medo e, assim, permitir que o paciente seja exposto a uma situação de risco, de forma controlada e com auxílio profissional. Medo de avião, pavor de aranhas ou insetos e fobia de lugares fechados são alguns dos problemas na mira.

    Para isso, programadores de games têm sido contratados por médicos e psicólogos para criar os cenários para pacientes interagirem com as situações que os aterrorizam.

    Em clínica especializada em realidade virtual, em São Paulo, uma equipe de programadores trabalhou, com detalhamento impressionante, nas versões mais recentes das experiências de imersão. No cenário de fobia de aranha, o paciente não só observa o comportamento do animal como pode interagir usando as próprias mãos, inseridas no cenário por meio de um sensor. No cenário da fobia de avião, a imersão é ainda maior. Além dos óculos de realidade virtual, há duas poltronas de avião posicionadas sobre uma plataforma móvel que simula os vários momentos – decolagem, pouso e turbulências.

    Antes mesmo de “entrar” na aeronave, o paciente em tratamento passa, dentro da experiência de realidade virtual, por check-in, raios X e fila de embarque. Em todas as situações, ele tem os batimentos cardíacos e a respiração monitorados constantemente pela equipe de psicólogos.

    Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) e chefe da clínica, a abordagem é eficaz visto que trabalha três dimensões: pensamento, emoção e comportamento. “Para quem tem medo de avião, não adianta você só trazer estatísticas.”

    O especialista explica que, ainda que o paciente tenha consciência de que aquela é uma simulação, o cérebro acaba “sendo enganado”.

    Já a realidade virtual aliada ao tratamento com choques elétricos tem sido estudada para casos como os de dependência química, manias e compulsões. O tratamento com choques elétricos no cérebro nada tem a ver com as terapias obsoletas praticadas nos antigos manicômios.

    Hoje, a corrente elétrica é usada em baixíssima intensidade, de forma não invasiva, para estimular ou inibir áreas do cérebro afetadas por alguns transtornos. Estudos publicados em renomadas revistas médicas já comprovaram a eficácia do tratamento para pacientes com depressão grave que não demonstravam uma boa resposta aos remédios. Nos últimos anos, a técnica começou a ser estudada também para condições de dependência química, autismo, transtorno obsessivo- -compulsivo e compulsão alimentar.

    Para os especialistas, evidentemente tanto a realidade virtual quanto a estimulação transcraniana são parte do tratamento e precisam ser associadas a psicoterapias e a medicações.

(Fabiana Cambricoli. O Estado de S. Paulo, 08.09.2019. Adaptado)

Os trechos destacados em – os cenários para pacientes interagirem com as situações que os aterrorizam (2o parágrafo) – e – o paciente tenha consciência de que aquela é uma simulação (6o parágrafo) – estão reescritos em conformidade com a regência verbal e nominal estabelecida pela norma-padrão na alternativa:
  1. Aterem contato com as situações a que temem / se sinta familiarizado a que aquela é uma simulação.
  2. Benfrentarem em situações de que se sobressaltem / tenha discernimento de que aquela é uma simulação.
  3. Cocuparem-se de situações com que se sentem inquietos / esteja ciente de que aquela é uma simulação.
  4. Dsuperarem com as situações a que receiem / esteja a par de que aquela é uma simulação.
  5. Elidarem com as situações a que se apavoram / tenha noção em que aquela é uma simulação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ocuparem-se de situações com que se sentem inquietos / esteja ciente de que aquela é uma simulação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal na reescritura de trechos

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que reescreve os dois trechos em conformidade com a norma-padrão: "ocuparem-se de situações com que se sentem inquietos" (regência do verbo pronominal "ocupar-se" exige a preposição "de"; o pronome relativo "com que" é regido por "sentir-se inquieto com") e "esteja ciente de que aquela é uma simulação" (regência nominal de "ciente" exige a preposição "de"). As demais alternativas falham por usar preposições inadequadas ou por construir o pronome relativo sem a preposição exigida pelo verbo/nome.

A questão pede que você avalie a regência verbal e nominal na reescritura de dois trechos do texto. Para acertar, é preciso:

  1. Identificar a regência do verbo ou do nome que rege o termo seguinte.

  2. Verificar se o pronome relativo "que" está corretamente precedido da preposição exigida pelo verbo da oração subordinada.

  3. Garantir que a reescritura preserve o sentido original.

Vamos analisar cada trecho original:

  • "os cenários para pacientes interagirem com as situações que os aterrorizam" — o verbo "interagir" rege a preposição "com" (interagir com algo). Na reescritura, o pronome relativo "que" deve ser precedido de "com" ("com que"), pois o verbo da oração subordinada (por exemplo, "sentem-se inquietos") também exige "com".

  • "o paciente tenha consciência de que aquela é uma simulação" — o nome "consciência" exige a preposição "de" (consciência de algo). Na reescritura, o nome "ciente" também exige "de" (ciente de algo).

Agora, vejamos cada alternativa:

Regência na reescritura
  • 11º trecho (interagir com)
    • Verbo/nome rege "com"
    • Relativo: "com que"
    • "a que temem" (temer é VTD)
    • "de que se sobressaltem" (é "com")
    • "com que se sentem inquietos"
    • "a que receiem" (recear é VTD)
    • "a que se apavoram" (é "com")
  • 22º trecho (consciência de)
    • Nome rege "de"
    • Relativo: "de que"
    • "familiarizado a" (é "com")
    • "ciente de que"
    • "noção em que" (é "de")
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: regência do verbo "temer". O verbo "temer" é transitivo direto (temer algo), não exige preposição. A forma "a que temem" está incorreta; o correto seria "que temem" (sem preposição). Além disso, "familiarizado a" é regência inadequada — o correto é "familiarizado com".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: regência do verbo "sobressaltar-se". O verbo "sobressaltar-se" rege a preposição "com" (sobressaltar-se com algo), não "de". A forma "de que se sobressaltem" está incorreta; o correto seria "com que se sobressaltem".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: "ocuparem-se de situações com que se sentem inquietos" — o verbo pronominal "ocupar-se" exige a preposição "de" (ocupar-se de algo); o pronome relativo "com que" é regido por "sentir-se inquieto com" (sentir-se inquieto com algo). "esteja ciente de que aquela é uma simulação" — o nome "ciente" exige a preposição "de" (ciente de algo). Ambas as construções estão em conformidade com a norma-padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: regência do verbo "recear". O verbo "recear" é transitivo direto (recear algo), não exige preposição. A forma "a que receiem" está incorreta; o correto seria "que receiem" (sem preposição). Além disso, "a par de" é uma locução que exige a preposição "de" (estar a par de algo), mas a construção "a par de que" é aceitável; o erro está na primeira parte.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: regência do verbo "apavorar-se". O verbo "apavorar-se" rege a preposição "com" (apavorar-se com algo), não "a". A forma "a que se apavoram" está incorreta; o correto seria "com que se apavoram". Além disso, "noção em que" é regência inadequada — o correto é "noção de que".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbos que são transitivos diretos (temer, recear) e verbos que exigem preposição (interagir com, ocupar-se de, apavorar-se com). O candidato deve verificar a regência de cada verbo/nome antes de escolher a preposição do pronome relativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, identifique o verbo/nome que rege o termo seguinte e pergunte "o quê?" ou "de quê?" para descobrir a preposição correta. Por exemplo, "ocupar-se de quê?" → "de situações"; "sentir-se inquieto com quê?" → "com situações".

Gabarito: letra C

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