Questão de Biologia — Cadeias e teias alimentares — VUNESP 2019
Biologia›Cadeias e teias alimentares
Código
vu051007
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Professor II - Ciências
O valor de um recurso para um consumidor não é determinado somente pelo que ele contém, mas também pela maneira como é defendido pelo organismo. Com relação às estratégias de defesa presentes na natureza, é correto afirmar que
Ao processo de construção de envoltórios e cascas ao redor de sementes pode ser pouco dispendioso aos vegetais se esses tecidos de defesa contiverem muita proteína e carboidrato.
Balguns animais podem tolerar as defesas químicas do seu alimento vegetal, armazenando suas toxinas e utilizando-as em sua própria defesa, sendo um exemplo dessa estratégia a utilizada pela borboleta-monarca.
Cespécies não palatáveis podem ter a capacidade de se camuflar no meio onde vivem ou ainda tentam se parecer com outras espécies diferentes que têm gosto ruim ou são venenosos, o que é denominado de camuflagem homocrômica.
Despécies palatáveis adotam padrões de cores e brilhos de advertência, estratégia conhecida com aposematismo, como é o caso da borboleta vice-rei que imita as cores da borboleta-monarca.
Eum animal pode ser menos óbvio a um predador se ele se igualar ao seu meio ou possuir um padrão parecido com alguma estrutura não comestível do ambiente, o que é denominado mimetismo.
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GabaritoB — alguns animais podem tolerar as defesas químicas do seu alimento vegetal, armazenando suas toxinas e utilizando-as em sua própria defesa, sendo um exemplo dessa estratégia a utilizada pela borboleta-monarca.
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Estratégias de defesa: aposematismo, mimetismo e camuflagem
Gabarito: letra B. A borboleta-monarca (Danaus plexippus) é o exemplo clássico de organismo que tolera as toxinas (cardenolídeos) presentes na planta da qual se alimenta (algodão-de-seda, Asclepias), armazenando-as em seu corpo e utilizando-as como defesa química contra predadores — exatamente o que descreve a alternativa. Essa estratégia é conhecida como sequestro de toxinas ou alelopatia defensiva.
A questão cobra as diferentes estratégias antipredação presentes na natureza, que se dividem em dois grandes grupos: as defesas químicas (produção ou sequestro de toxinas) e as defesas físicas/visuais (camuflagem, mimetismo e aposematismo). A banca explora justamente a confusão entre esses conceitos, especialmente entre mimetismo e camuflagem, e entre aposematismo e mimetismo batesiano.
Estratégias antipredação
1Defesas químicas
Produção de toxinas
Sequestro de toxinas
Borboleta-monarca
2Defesas visuais
Aposematismo
Cores de advertência
Espécies perigosas
Mimetismo
Batesiano (inofensiva imita perigosa)
Mülleriano (perigosas semelhantes)
Camuflagem (criptia)
Parecer com o ambiente
Bicho-pau, camaleão
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em afirmar que a construção de envoltórios e cascas (tecidos de defesa) pode ser "pouco dispendiosa" se contiverem muita proteína e carboidrato. Na realidade, esses tecidos são ricos em celulose, lignina e outras substâncias fibrosas, que são baratas de produzir do ponto de vista energético, mas pobres em nutrientes (proteínas e carboidratos). A produção de proteínas e carboidratos é energeticamente cara para a planta, pois exige nitrogênio e outros recursos. Portanto, a alternativa inverte a lógica: tecidos de defesa ricos em proteína e carboidrato seriam dispendiosos, não baratos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a estratégia de sequestro de toxinas. A borboleta-monarca se alimenta de plantas do gênero Asclepias (algodão-de-seda), que produzem cardenolídeos (glicosídeos cardíacos) tóxicos. A lagarta da monarca é capaz de tolerar essas toxinas, armazená-las em seus tecidos e mantê-las na fase adulta. Quando um predador (como um pássaro) tenta comê-la, sente o gosto desagradável e as toxinas podem causar vômito, aprendendo a evitar a borboleta. Esse é um caso clássico de defesa química adquirida — o animal não produz a toxina, mas a sequestra do alimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa confunde mimetismo com camuflagem. Espécies não palatáveis (com gosto ruim ou venenosas) que se parecem com outras espécies diferentes estão praticando mimetismo (especificamente mimetismo batesiano, quando uma espécie inofensiva imita uma perigosa). A camuflagem homocrômica é outra coisa: é quando um organismo se confunde com o ambiente (cor e padrão do substrato), não com outra espécie. A alternativa mistura os dois conceitos: "se parecer com outras espécies" é mimetismo, não camuflagem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa inverte os conceitos. O aposematismo (ou coloração de advertência) é a estratégia de espécies não palatáveis ou venenosas que exibem cores vivas e contrastantes (vermelho, amarelo, laranja) para advertir os predadores de que são perigosas. A borboleta-monarca, com suas cores laranja e preta, é um exemplo de aposematismo. Já a borboleta vice-rei (Limenitis archippus) é uma espécie palatável que imita as cores da monarca para se proteger — isso é mimetismo batesiano, não aposematismo. A alternativa diz exatamente o oposto: que espécies palatáveis adotam aposematismo (errado, elas usam mimetismo) e que a vice-rei imita a monarca (isso é verdade, mas não é aposematismo).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa descreve corretamente o fenômeno, mas o nomeia errado. Quando um animal se iguala ao meio ou se parece com uma estrutura não comestível do ambiente (como um galho, uma folha ou uma pedra), isso é camuflagem (ou mimetismo críptico), não mimetismo. O mimetismo envolve a semelhança com outra espécie (modelo), não com o ambiente. A camuflagem é uma forma de criptia — o organismo se torna difícil de ser detectado. A alternativa troca os termos: a descrição é de camuflagem, mas o nome dado é mimetismo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os conceitos de mimetismo e camuflagem. A pegadinha está em C e E: em C, "se parecer com outras espécies" é mimetismo, mas a alternativa chama de camuflagem; em E, "se igualar ao meio" é camuflagem, mas a alternativa chama de mimetismo. Outra inversão está em D: aposematismo é de espécies não palatáveis, não de palatáveis. Fique atento: mimetismo = parecer com outro ser vivo; camuflagem = parecer com o ambiente.