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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu052633
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
Oficial Administrativo

                                    A legião on-line


Um dos temas de “O Romance Luminoso”, a obra póstuma e incrivelmente contemporânea de Mario Levrero, é o uso da internet como antidepressivo. Sem alcançar a tal experiência luminosa que lhe permitiria escrever um romance iniciado há 15 anos, o autor passa os dias em frente ao computador curtindo o fracasso. Baixa e elabora programas, joga paciência, busca sites ao acaso. Nas raras vezes em que desgruda da tela, recorre a outro vício: a televisão.

      É um transtorno cada vez mais comum. Todo mundo conhece alguém que está sempre conectado; acorda e já olha o celular, o qual dormiu ao lado dele na cama; checa os aplicativos de cinco em cinco minutos; quando não está on-line, sente ansiedade, mau humor, angústia, tristeza. Os viciados em smartphones são uma legião.

      Publicado em 2005, o livro de Levrero destaca-se não só pela atualidade mas também pelo caráter profético. A páginas tantas, o autor anota: “O mundo do computador já foi invadido pelos abjetos*, e quanto mais barato fica mais cresce a abjeção. Não porque os pobres sejam necessariamente abjetos, e sim porque as pessoas mais vivas usarão as maravilhas tecnológicas para embrutecer mais ainda os pobres”.

      E conclui: “A internet tem mostrado, cada vez mais claramente, para que nasceu, e, com vistas a esse objetivo, será controlada por comerciantes e estadistas”. Isso nos leva, naturalmente, a pensar na relação das redes sociais com a empresa de dados políticos ligada à campanha presidencial de Donald Trump. Ou, em outro caso, sendo obrigadas a excluir contas por suspeita de fraude.

      Esse cenário de disseminação de informações questionáveis – com o fim de manipular condutas –, mas que em geral têm aceitação, aprofunda mais ainda a abjeção diagnosticada por Levrero.

      Que tal passar mais tempo off-line?

           (Alvaro Costa e Silva. Folha de S.Paulo, 11.08.2018. Adaptado)

*Abjeto: de abjeção → ato, estado ou condição que revela alto grau de torpeza, degradação.

Segundo as informações dos dois primeiros parágrafos do texto,
  1. Ao hábito de estar sempre conectado à internet tem levado muitos usuários de smartphones a comportarem-se como dependentes de seu conteúdo.
  2. Bo acesso à internet tem contribuído decisivamente para minimizar problemas como angústia e ansiedade, transtornos comuns na atualidade.
  3. Ca constatação de que são dependentes dos smartphones tem levado muitas pessoas a buscar opções para se afastarem desses aparelhos.
  4. Da despeito da crítica que se fazia à televisão, ela tem se mostrado benéfica ao diminuir a ansiedade provocada pelo uso da internet.
  5. Eapesar do grande alcance da internet, ela ainda se mostra menos danosa à saúde da população do que o hábito de assistir televisão.
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GabaritoA — o hábito de estar sempre conectado à internet tem levado muitos usuários de smartphones a comportarem-se como dependentes de seu conteúdo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão dos dois primeiros parágrafos

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que parafraseia fielmente o que o texto afirma: o hábito de estar sempre conectado tem levado muitos usuários a se comportarem como dependentes. Isso está explícito no segundo parágrafo, quando o autor descreve os sintomas dos viciados e conclui: "Os viciados em smartphones são uma legião".

O comando pede compreensão ("Segundo as informações..."), ou seja, a resposta deve estar literalmente no texto, sem deduções. Vamos ver cada alternativa à luz do que está escrito.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto descreve o comportamento dos que estão sempre conectados: acordam e olham o celular, checam aplicativos a cada cinco minutos, sentem ansiedade quando off-line. E arremata:

"Os viciados em smartphones são uma legião."

A alternativa A diz que "o hábito de estar sempre conectado tem levado muitos usuários de smartphones a comportarem-se como dependentes de seu conteúdo" — exatamente isso: o texto chama essas pessoas de viciados e diz que são uma legião (muitos). É uma paráfrase perfeita, sem acrescentar nada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B contradiz o texto. Ela afirma que a internet "tem contribuído decisivamente para minimizar problemas como angústia e ansiedade". O texto diz o oposto: quem não está on-line sente ansiedade, mau humor, angústia e tristeza — ou seja, a internet causa esses sintomas, não os minimiza. O trecho é claro:

"quando não está on-line, sente ansiedade, mau humor, angústia, tristeza"

Aqui, a ansiedade e a angústia aparecem como consequência da falta de conexão, não como algo que a internet resolve. A alternativa inverte a relação de causa e consequência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C extrapola o texto. Ela afirma que "a constatação de que são dependentes dos smartphones tem levado muitas pessoas a buscar opções para se afastarem desses aparelhos". O texto não menciona nenhuma busca por afastamento; pelo contrário, descreve pessoas que permanecem conectadas e sofrem com isso. Não há qualquer passagem sobre pessoas tentando se afastar dos aparelhos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D tangencia o tema e contradiz o texto. Ela afirma que "a despeito da crítica que se fazia à televisão, ela tem se mostrado benéfica ao diminuir a ansiedade provocada pelo uso da internet". O texto não faz crítica à televisão nem diz que ela é benéfica. Na verdade, a televisão é citada como outro vício: "Nas raras vezes em que desgruda da tela, recorre a outro vício: a televisão." Ou seja, a TV é tratada como vício, não como solução.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E extrapola e contradiz o texto. Ela afirma que "apesar do grande alcance da internet, ela ainda se mostra menos danosa à saúde da população do que o hábito de assistir televisão". O texto não compara os danos da internet com os da televisão. Ele apenas menciona a TV como outro vício, sem estabelecer qualquer comparação de nocividade. A alternativa inventa uma comparação que não existe no texto.

Gabarito: letra A — a única que se sustenta integralmente no texto, sem extrapolar, contradizer ou tangenciar o que está escrito.

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