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Questão de Português — Concordância verbal, Concordância nominal — VUNESP 2019

PortuguêsConcordância verbal, Concordância nominal
Código
vu053630
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Administrador Judiciário

                                     Assassinos culturais


      Sou um assassino cultural, e você também é. Sei que é romântico chorar quando uma livraria fecha as portas. Mas convém não abusar do romantismo – e da hipocrisia. Fomos nós que matamos aquela livraria e o crime não nos pesa muito na consciência.

      Falo por mim. Os livros físicos que entram lá em casa são cada vez mais ofertas – de amigos ou editoras.

      Aos 20, quando viajava por territórios estranhos, entrava nas livrarias locais como um faminto na capoeira. Comprava tanto e carregava tanto que desconfio que o meu problema de ciática é, na sua essência, um problema livresco.

      Hoje? Gosto da flânerie*. Mas depois, fotografo as capas com o meu celular antes de regressar para o psicanalista – o famoso dr. Kindle. Culpado? Um pouco. E em minha defesa só posso afirmar que pago pelos meus vícios.

      E quem fala em livrarias, fala em todo o resto. Eu também ajudei a matar a Tower Records e a Virgin Megastore. Havia lá dentro uma bizarria chamada CD – você se lembra?

      Hoje, com alguns aplicativos, tenho uma espécie de discoteca de Alexandria onde, a meu bel-prazer, escuto meus clássicos e descubro novos.

      Se juntarmos ao pacote o iTunes e a Netflix, você percebe por que eu também tenho o sangue dos cinemas e dos blockbusters nas mãos.

      Eis a realidade: vivemos a desmaterialização da cultura. Mas não é apenas a cultura que se desmaterializa e tem deixado as nossas salas e estantes mais vazias. É a nossa relação com ela. Não somos mais proprietários de “coisas”; somos apenas consumidores e, palavra importante, assinantes.

      O livro “Subscribed”, de Tien Tzuo, analisa a situação. É uma reflexão sobre a “economia de assinaturas” que conquista a economia global. Conta o autor que mais de metade das empresas da famosa lista da “Fortune” já não existiam em 2017. O que tinham em comum? O objetivo meritório de vender “coisas” – muitas coisas, para muita gente, como sempre aconteceu desde os primórdios do capitalismo.

      Já as empresas que sobreviveram e as novas que entraram na lista souberam se adaptar à economia digital, vendendo serviços (ou, de forma mais precisa, acessos).

      Claro que na mudança algo se perde. O desaparecimento das livrarias não acredito que seja total no futuro (e ainda bem). Além disso, ler no papel não é o mesmo que ler na tela. Mas o interesse do livro de Tzuo não está apenas nos números; está no retrato de uma nova geração para quem a experiência cultural é mais importante do que a mera posse de objetos.

      Há quem veja aqui um retrocesso, mas também é possível ver um avanço – ou, para sermos bem filosóficos, o triunfo do espírito sobre a matéria. E não será essa, no fim das contas, a vocação mais autêntica da cultura?

          (João Pereira Coutinho. Folha de S.Paulo, 28.08.2018. Adaptado)

* Flânerie: ato de passear, de caminhar sem compromisso.

Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância.
  1. AAs empresas que, hoje, em lugar de coisas vende serviços, moldaram-se à economia digital.
  2. BPresenteado, em sua maioria, são os livros que hoje fazem parte da biblioteca do escritor.
  3. CNão faz tantos anos que redes de lojas como Tower Records e Virgin Megastore eram referência no mercado musical.
  4. DO autor tem registrada, em seu celular, capas de livros que lhe interessam, os quais prefere ler em formato e-book.
  5. EO livro de Tien Tzuo, além dos dados numéricos, expõem reflexões a respeito do comportamento das novas gerações.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Não faz tantos anos que redes de lojas como Tower Records e Virgin Megastore eram referência no mercado musical.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e nominal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância, pois o verbo faz fica no singular por ser impessoal (indica tempo decorrido), e o verbo eram concorda com o sujeito composto posposto "redes de lojas como Tower Records e Virgin Megastore". Como se lê no texto-base: "Eu também ajudei a matar a Tower Records e a Virgin Megastore" — a banca retoma essas redes como referência do passado, e a frase "Não faz tantos anos que redes de lojas como Tower Records e Virgin Megastore eram referência no mercado musical" respeita a concordância: "faz" (singular, tempo decorrido) e "eram" (plural, concordando com "redes de lojas").

A questão cobra concordância verbal e nominal — a adequação de flexão entre verbo e sujeito (verbal) e entre determinantes e substantivos (nominal). O comando pede a alternativa em conformidade com a norma-padrão, ou seja, a que respeita as regras gramaticais, independentemente do conteúdo do texto. Vamos analisar cada uma.

Concordância verbal
  • 1Verbo impessoal "fazer" (tempo decorrido)
    • Fica no singular
    • Ex.: "Não faz tantos anos"
  • 2Sujeito composto posposto
    • Verbo concorda com o núcleo plural
    • Ex.: "redes... eram referência"
  • 3Sujeito distante do verbo
    • Verbo concorda com o núcleo
    • ⛔ "As empresas... vende" → vendem
    • ⛔ "O livro... expõem" → expõe
  • 4Concordância nominal
    • Particípio concorda com o termo referido
      • ⛔ "Presenteado... os livros" → Presenteados
      • ⛔ "registrada... capas" → registradas
    • Expressões intercaladas não alteram
      • "em sua maioria"
      • "além dos dados numéricos"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a norma de concordância verbal. O sujeito é "As empresas" (plural), e o verbo "vende" está no singular. A forma correta seria "vendem". A banca coloca o verbo distante do núcleo do sujeito ("As empresas que, hoje, em lugar de coisas vende serviços") para tentar confundir, mas o núcleo é "empresas", exigindo plural. Além disso, a oração relativa "que... vende" tem como sujeito o pronome relativo "que", que retoma "empresas" — portanto, o verbo deve concordar com esse antecedente plural.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a norma de concordância nominal. O particípio "Presenteado" está no singular, mas concorda com "os livros" (plural). A forma correta seria "Presenteados". A frase "Presenteado, em sua maioria, são os livros" inverte a ordem (predicativo antes do sujeito), mas a concordância deve ser feita com o núcleo do sujeito "livros". Note que "em sua maioria" é uma expressão intercalada que não altera a concordância.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: respeita a concordância verbal em dois pontos. Primeiro, o verbo "faz" está no singular porque é impessoal quando indica tempo decorrido ("Não faz tantos anos") — nesse caso, não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Segundo, o verbo "eram" concorda com o sujeito composto posposto "redes de lojas como Tower Records e Virgin Megastore" (núcleo: "redes", plural). A expressão "como Tower Records e Virgin Megastore" é uma comparação que não altera o núcleo do sujeito. Portanto, a frase está plenamente adequada à norma-padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a norma de concordância nominal. O particípio "registrada" está no singular, mas concorda com "capas" (plural). A forma correta seria "registradas". A frase "O autor tem registrada, em seu celular, capas de livros" — o particípio "registrada" refere-se a "capas", que é o objeto direto; como "capas" é plural, o particípio deve ir para o plural. A banca explora a distância entre o particípio e o substantivo a que se refere.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a norma de concordância verbal. O sujeito é "O livro de Tien Tzuo" (singular), e o verbo "expõem" está no plural. A forma correta seria "expõe". A expressão "além dos dados numéricos" é um adjunto adverbial (ou locução que indica acréscimo), mas não forma sujeito composto com "O livro"; o núcleo do sujeito é "livro", singular. Portanto, o verbo deve ficar no singular.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora distanciar o verbo do núcleo do sujeito (alternativas A e E) e usar particípios que concordam com um termo distante (B e D). A alternativa C é a única que acerta dois casos especiais: o verbo impessoal "fazer" e o sujeito composto posposto.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem pratica a ação?". O núcleo do sujeito pode estar longe, mas é ele que manda no verbo. Desconfie de expressões intercaladas ("em sua maioria", "além dos dados numéricos") — elas não alteram a concordância.

Gabarito: letra C.

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