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Questão de Português — Pronomes pessoais oblíquos — VUNESP 2019

PortuguêsPronomes pessoais oblíquos
Código
vu053631
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Administrador Judiciário

                                     Assassinos culturais


      Sou um assassino cultural, e você também é. Sei que é romântico chorar quando uma livraria fecha as portas. Mas convém não abusar do romantismo – e da hipocrisia. Fomos nós que matamos aquela livraria e o crime não nos pesa muito na consciência.

      Falo por mim. Os livros físicos que entram lá em casa são cada vez mais ofertas – de amigos ou editoras.

      Aos 20, quando viajava por territórios estranhos, entrava nas livrarias locais como um faminto na capoeira. Comprava tanto e carregava tanto que desconfio que o meu problema de ciática é, na sua essência, um problema livresco.

      Hoje? Gosto da flânerie*. Mas depois, fotografo as capas com o meu celular antes de regressar para o psicanalista – o famoso dr. Kindle. Culpado? Um pouco. E em minha defesa só posso afirmar que pago pelos meus vícios.

      E quem fala em livrarias, fala em todo o resto. Eu também ajudei a matar a Tower Records e a Virgin Megastore. Havia lá dentro uma bizarria chamada CD – você se lembra?

      Hoje, com alguns aplicativos, tenho uma espécie de discoteca de Alexandria onde, a meu bel-prazer, escuto meus clássicos e descubro novos.

      Se juntarmos ao pacote o iTunes e a Netflix, você percebe por que eu também tenho o sangue dos cinemas e dos blockbusters nas mãos.

      Eis a realidade: vivemos a desmaterialização da cultura. Mas não é apenas a cultura que se desmaterializa e tem deixado as nossas salas e estantes mais vazias. É a nossa relação com ela. Não somos mais proprietários de “coisas”; somos apenas consumidores e, palavra importante, assinantes.

      O livro “Subscribed”, de Tien Tzuo, analisa a situação. É uma reflexão sobre a “economia de assinaturas” que conquista a economia global. Conta o autor que mais de metade das empresas da famosa lista da “Fortune” já não existiam em 2017. O que tinham em comum? O objetivo meritório de vender “coisas” – muitas coisas, para muita gente, como sempre aconteceu desde os primórdios do capitalismo.

      Já as empresas que sobreviveram e as novas que entraram na lista souberam se adaptar à economia digital, vendendo serviços (ou, de forma mais precisa, acessos).

      Claro que na mudança algo se perde. O desaparecimento das livrarias não acredito que seja total no futuro (e ainda bem). Além disso, ler no papel não é o mesmo que ler na tela. Mas o interesse do livro de Tzuo não está apenas nos números; está no retrato de uma nova geração para quem a experiência cultural é mais importante do que a mera posse de objetos.

      Há quem veja aqui um retrocesso, mas também é possível ver um avanço – ou, para sermos bem filosóficos, o triunfo do espírito sobre a matéria. E não será essa, no fim das contas, a vocação mais autêntica da cultura?

          (João Pereira Coutinho. Folha de S.Paulo, 28.08.2018. Adaptado)

* Flânerie: ato de passear, de caminhar sem compromisso.

De acordo com a norma-padrão, a expressão destacada no trecho do texto está corretamente substituída pela expressão entre parênteses na alternativa:
  1. A... que se desmaterializa e tem deixado as nossas salas e estantes mais vazias. (tem deixado-as)
  2. BÉ uma reflexão sobre a “economia de assinaturas” que conquista a economia global. (a conquista)
  3. CE em minha defesa só posso afirmar que pago pelos meus vícios. (pago-os)
  4. DMas depois, fotografo as capas com o meu celular antes de regressar para o psicanalista... (lhes fotografo)
  5. EO objetivo meritório de vender “coisas” – muitas coisas... (vender-lhes)
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GabaritoB — É uma reflexão sobre a “economia de assinaturas” que conquista a economia global. (a conquista)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de pronome oblíquo: regência e função sintática

Gabarito: letra B. A substituição correta é "a conquista" para "que conquista", pois o pronome relativo "que" exerce função de objeto direto do verbo "conquistar" (transitivo direto), e o pronome oblíquo átono adequado para objeto direto é "a" (e não "lhe"). Como se lê no texto: "É uma reflexão sobre a 'economia de assinaturas' que conquista a economia global" — o "que" retoma "economia de assinaturas" e funciona como sujeito da oração adjetiva; ao substituir por pronome pessoal, devemos usar "a" (a economia de assinaturas a conquista).

A questão testa a regência verbal e a função sintática dos pronomes oblíquos átonos: "o/a/os/as" substituem objeto direto (complemento sem preposição); "lhe/lhes" substituem objeto indireto (complemento com preposição). O verbo "conquistar" é transitivo direto — exige complemento sem preposição —, portanto o pronome correto é "a". Vamos analisar cada alternativa.

Verbo no trecho

Transitividade

Complemento (objeto)

Pronome correto

Alternativa

Conquistar

Transitivo direto

a economia global

a (a conquista)

B (correta)

Deixar (tem deixado)

Transitivo direto

as nossas salas e estantes

as (tem-nas deixado / as tem deixado)

A (incorreta)

Pagar (pagar por)

Transitivo indireto

pelos meus vícios

lhes (pago-lhes)

C (incorreta)

Fotografar

Transitivo direto

as capas

as (fotografo-as)

D (incorreta)

Vender

Transitivo direto

coisas

as (vendê-las)

E (incorreta)

1Objeto direto (sem preposição)
o, a, os, as
lo, la, los, las (verbo -r/-s/-z)
no, na, nos, nas (verbo -m/-ão)
2Objeto indireto (com preposição)
lhe, lhes
3Regência do verbo
Conquistar (VTD) → a
Pagar por (VTI) → lhes
Fotografar (VTD) → as
Vender (VTD) → as
Pronome oblíquo átono
LEVELsoulevel.com.br
Pronome oblíquo átono: Objeto direto (sem preposição) (o, a, os, as, lo, la, los, las (verbo -r/-s/-z), no, na, nos, nas (verbo -m/-ão)); Objeto indireto (com preposição) (lhe, lhes); Regência do verbo (Conquistar (VTD) → a, Pagar por (VTI) → lhes, Fotografar (VTD) → as, Vender (VTD) → as)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A substituição "tem deixado-as" está incorreta porque o pronome oblíquo átono "as" não pode ser usado após forma verbal terminada em -do (gerúndio). A norma-padrão exige a forma "tem deixado-as"? Não: quando o verbo termina em -r, -s ou -z, o pronome assume as formas lo, la, los, las; mas com gerúndio, a forma correta é "deixando-as" (com hífen) ou, em locução verbal, "tem deixado-as" é aceito? Na verdade, a forma correta com gerúndio é "deixando-as" (ênclise), e com particípio, o pronome não se liga ao particípio, mas ao verbo auxiliar: "tem-nas deixado" ou "as tem deixado". Portanto, "tem deixado-as" viola a colocação pronominal. Além disso, o trecho original "tem deixado as nossas salas e estantes mais vazias" tem "as nossas salas e estantes" como objeto direto; a substituição por "as" seria possível, mas a forma correta seria "tem-nas deixado" ou "as tem deixado". A alternativa erra ao usar a forma proclítica inadequada.

Alternativa B — ✅ Correta

A substituição "a conquista" está correta porque o pronome relativo "que" exerce função de objeto direto do verbo "conquistar" (transitivo direto). O pronome oblíquo átono adequado para objeto direto é "a" (feminino singular, referindo-se a "economia de assinaturas"). A frase reescrita fica: "É uma reflexão sobre a 'economia de assinaturas' que a conquista" — ou seja, "a economia de assinaturas conquista a economia global". O pronome "a" retoma "economia de assinaturas" e funciona como objeto direto. A substituição preserva o sentido e a regência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A substituição "pago-os" está incorreta porque o verbo "pagar" é transitivo indireto quando significa "pagar por algo" (pagar pelos vícios). O pronome oblíquo átono adequado para objeto indireto é "lhes" (pago-lhes), não "os". O trecho original: "pago pelos meus vícios" — o complemento é "pelos meus vícios" (objeto indireto, com preposição). Portanto, a substituição correta seria "pago-lhes" (pago a eles). A alternativa usa "os" (objeto direto), o que viola a regência do verbo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A substituição "lhes fotografo" está incorreta porque o verbo "fotografar" é transitivo direto (fotografar algo/alguém). O pronome oblíquo átono adequado para objeto direto é "as" (fotografo-as), não "lhes" (objeto indireto). O trecho original: "fotografo as capas" — "as capas" é objeto direto. Portanto, a substituição correta seria "fotografo-as". A alternativa usa "lhes", que é exclusivo para objeto indireto, o que está errado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A substituição "vender-lhes" está incorreta porque o verbo "vender" é transitivo direto (vender algo). O pronome oblíquo átono adequado para objeto direto é "as" (vender as coisas → vendê-las), não "lhes" (objeto indireto). O trecho original: "vender 'coisas'" — "coisas" é objeto direto. Portanto, a substituição correta seria "vendê-las". A alternativa usa "lhes", que é exclusivo para objeto indireto, o que está errado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pronomes oblíquos átonos "o/a/os/as" (objeto direto) e "lhe/lhes" (objeto indireto). O candidato deve verificar a regência do verbo: se o complemento exige preposição, usa-se "lhe"; se não exige, usa-se "o/a".

PEGA ESSA DICA!

Identifique a transitividade do verbo no trecho: "conquistar" é VTD (quem conquista, conquista algo), "pagar" pode ser VTI (pagar por algo), "fotografar" é VTD, "vender" é VTD. Depois, escolha o pronome adequado.

Gabarito: letra B.

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