Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu053723
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Contador Judiciário
Carta-Poema
Excelentíssimo Prefeito
Senhor Hildebrando de Góis,
Permiti que, rendido o preito
A que faz jus por quem sois,
Um poeta já sexagenário,
Que não tem outra aspiração
Senão viver de seu salário
Na sua limpa solidão,
Peça vistoria e visita
A este pátio para onde dá
O apartamento que ele habita
No Castelo há dois anos já.
É um pátio, mas é via pública,
E estando ainda por calçar,
Faz a vergonha da República
Junto à Avenida Beira-Mar!
Indiferentes ao capricho
Das posturas municipais,
A ele jogam todo o seu lixo
Os moradores sem quintais.
(Manuel Bandeira, As cidades e as musas. Org. Antonio Carlos Secchin)
No verso “É um pátio, mas é via pública”, o poeta reforça o fato de o local ser
Auma via pública, usando uma construção de período também presente em: “A Avenida Beira-Mar faz a vergonha da República, conquanto moradores sem quintais joguem nela todo o seu lixo”.
Bum pátio, usando uma construção de período também presente em: “Como são indiferentes ao capricho das posturas municipais, os moradores sem quintais jogam lixo na Avenida Beira-Mar”.
Cuma via pública, usando uma construção de período também presente em: “A Avenida Beira-Mar é muito bonita, no entanto vem sofrendo com o descaso da administração pública”.
Duma via pública, usando uma construção de período também presente em: “Os moradores sem quintais ignoram o capricho das posturas municipais, por isso sujam a Avenida Beira-Mar”.
Eum pátio, usando uma construção de período também presente em: “A Avenida Beira-Mar sofre com alguns problemas localizados, pois os moradores do local não lhe dão o devido valor”.
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GabaritoC — uma via pública, usando uma construção de período também presente em: “A Avenida Beira-Mar é muito bonita, no entanto vem sofrendo com o descaso da administração pública”.
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O valor do "mas" em "É um pátio, mas é via pública"
Gabarito: letra C. No verso, o poeta reforça o fato de o local ser uma via pública, e a construção de período equivalente é a que usa a conjunção adversativa "no entanto" para opor uma qualidade positiva (bonita) a um problema (descaso), exatamente como o "mas" opõe "pátio" a "via pública". A passagem que ancora a leitura é o próprio verso: "É um pátio, mas é via pública" — o "mas" introduz a informação que o poeta quer destacar: o local, apesar de parecer um simples pátio, é oficialmente uma via pública, o que agrava a vergonha do descaso.
A questão testa compreensão do valor semântico do conectivo "mas" (adversativo: quebra de expectativa) e a capacidade de reconhecer paráfrase estrutural — qual reescritura mantém a mesma relação lógica entre as ideias. Vamos analisar cada alternativa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A diz que o poeta reforça o fato de o local ser via pública, mas a construção apresentada usa "conquanto", que é conjunção concessiva (equivale a "embora"), e inverte a relação: na reescritura, a Avenida Beira-Mar faz a vergonha da República apesar de os moradores jogarem lixo nela. Isso não é o mesmo que o "mas" do verso, que opõe "pátio" a "via pública" e destaca o segundo termo. A alternativa troca o conectivo (adversativo por concessivo) e, com isso, muda a relação lógica — erro de troca de conceito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que o poeta reforça o fato de o local ser um pátio, o que contradiz o verso: o "mas" destaca justamente o contrário — que é via pública. Além disso, a construção apresentada usa "Como" (causal: "porque"), que estabelece uma relação de causa e consequência, não de oposição. A alternativa inverte o foco (pátio em vez de via pública) e troca o conectivo (causal em vez de adversativo) — erro de contradição e troca de conceito.
Alternativa C — ✅ Correta
A alternativa C é a única que mantém a mesma relação lógica do verso. O "mas" é uma conjunção adversativa (equivale a "porém", "contudo", "no entanto"), e a reescritura usa "no entanto", que é exatamente um conectivo adversativo. Além disso, a estrutura é paralela: no verso, opõe-se "pátio" (aparência) a "via pública" (realidade); na reescritura, opõe-se "muito bonita" (qualidade) a "sofrendo com o descaso" (problema). O foco recai no segundo termo, assim como no verso o foco é "via pública". A alternativa parafraseia fielmente o valor do conectivo e a ênfase — correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que o poeta reforça o fato de o local ser via pública (isso está certo), mas a construção apresentada usa "por isso", que é conjunção conclusiva (equivale a "portanto"), estabelecendo uma relação de consequência — não de oposição. No verso, o "mas" não conclui nada; ele contrapõe duas ideias. A alternativa troca o conectivo (adversativo por conclusivo) e, com isso, muda a relação lógica — erro de troca de conceito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o poeta reforça o fato de o local ser um pátio, o que contradiz o verso (o "mas" destaca "via pública"). Além disso, a construção apresentada usa "pois", que é conjunção explicativa (equivale a "porque"), estabelecendo uma relação de explicação — não de oposição. A alternativa inverte o foco e troca o conectivo — erro de contradição e troca de conceito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura dois elementos: o foco (pátio vs. via pública) e o conectivo (adversativo vs. concessivo/causal/conclusivo/explicativo). As alternativas A, B, D e E erram em pelo menos um dos dois — ou invertem o foco, ou trocam o conectivo, ou ambos. A única que acerta os dois é a C.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver "mas", pergunte: "que relação ele estabelece?" — adversativa (oposição). Depois, procure a reescritura que use um conectivo do mesmo grupo (porém, contudo, no entanto, entretanto) e que mantenha o foco no mesmo termo que o original destaca.