Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu053726
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Contador Judiciário
Carta-Poema
Excelentíssimo Prefeito
Senhor Hildebrando de Góis,
Permiti que, rendido o preito
A que faz jus por quem sois,
Um poeta já sexagenário,
Que não tem outra aspiração
Senão viver de seu salário
Na sua limpa solidão,
Peça vistoria e visita
A este pátio para onde dá
O apartamento que ele habita
No Castelo há dois anos já.
É um pátio, mas é via pública,
E estando ainda por calçar,
Faz a vergonha da República
Junto à Avenida Beira-Mar!
Indiferentes ao capricho
Das posturas municipais,
A ele jogam todo o seu lixo
Os moradores sem quintais.
(Manuel Bandeira, As cidades e as musas. Org. Antonio Carlos Secchin)
Assinale a alternativa que contém informações coerentes com o poema, organizadas em conformidade com norma-padrão.
AO eu lírico, um senhor que mora na Avenida Beira-Mar, anseia por uma solução para os problemas que o afetam cotidianamente, a saber, a falta de calçamento do pátio e os lixos ali depositados.
BO eu lírico sente-se já velho pois seu dia a dia é de solidão, já que ele não aspira mais nada na vida, senão que o prefeito mande vistoriar o pátio de seu edifício, lugar que têm acesso os moradores sem quintais.
CO eu lírico, por ser já velho como o prefeito, recorre a este para que mande vistoria e visita ao pátio que ele mora, local onde os moradores sem quintais jogam lixo, com o que ele discorda.
DO eu lírico, amigo de sessenta anos do prefeito, solicita-o na vistoria e visita no prédio o qual mora, uma vez que o local ainda carece de calçamento e aonde os moradores sem quintais têm jogado lixo.
EO eu lírico exige do velho prefeito da cidade que este se dedique em vistoriar e visitar o pátio aonde ele mora, pois existe ali muito lixo devido ação dos moradores sem quintais na região.
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GabaritoA — O eu lírico, um senhor que mora na Avenida Beira-Mar, anseia por uma solução para os problemas que o afetam cotidianamente, a saber, a falta de calçamento do pátio e os lixos ali depositados.
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Carta-Poema: compreensão e norma-padrão
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que parafraseia fielmente o poema, sem acrescentar, suprimir ou inverter informações. O eu lírico, um senhor que mora no Castelo (bairro do Rio de Janeiro), pede ao prefeito que vistorie o pátio que dá para seu apartamento, pois o local está sem calçamento e recebe lixo dos moradores sem quintais. Como se lê no poema:
"Peça vistoria e visita / A este pátio para onde dá / O apartamento que ele habita / No Castelo há dois anos já."
E ainda:
"É um pátio, mas é via pública, / E estando ainda por calçar, / Faz a vergonha da República / Junto à Avenida Beira-Mar!"
A alternativa A condensa exatamente esses dois problemas — falta de calçamento e lixo depositado — e o desejo de solução, sem inventar nada.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A diz que o eu lírico "anseia por uma solução para os problemas que o afetam cotidianamente, a saber, a falta de calçamento do pátio e os lixos ali depositados". Isso está literalmente no texto: o eu lírico pede "vistoria e visita" ao pátio, que "estando ainda por calçar" e onde "jogam todo o seu lixo / Os moradores sem quintais". A expressão "mora na Avenida Beira-Mar" é uma inferência legítima: o poema diz que o pátio fica "Junto à Avenida Beira-Mar", e o apartamento "dá" para esse pátio — logo, o eu lírico mora nas proximidades. Não há extrapolação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B inverte a relação de causa e consequência. O texto diz que o eu lírico é "um poeta já sexagenário" e que "não tem outra aspiração / Senão viver de seu salário / Na sua limpa solidão". A solidão é apresentada como estado, não como consequência da velhice. Além disso, a alternativa diz que ele "anseia que o prefeito mande vistoriar o pátio" — isso é verdade, mas o erro está em afirmar que ele "sente-se já velho pois seu dia a dia é de solidão". O texto não estabelece essa relação causal. Erro: contradiz o texto (inverte causa e consequência).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C diz que o eu lírico é "já velho como o prefeito". O texto não diz que o prefeito é velho. Diz apenas que o eu lírico é "um poeta já sexagenário". Além disso, a alternativa afirma que ele "recorre a este para que mande vistoria e visita ao pátio que ele mora" — há um erro de regência: "pátio que ele mora" deveria ser "pátio em que ele mora" ou "pátio onde ele mora". E o texto não diz que ele "discorda" do lixo — ele apenas descreve o fato. Erro: extrapola (inventa a velhice do prefeito) e fere a norma-padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D diz que o eu lírico é "amigo de sessenta anos do prefeito". O texto não diz que são amigos; o eu lírico apenas escreve uma carta respeitosa ao prefeito. Além disso, há erro de regência: "solicita-o" deveria ser "solicita-lhe" (o verbo solicitar, no sentido de pedir a alguém, exige objeto indireto). E "no prédio o qual mora" deveria ser "no prédio em que mora". Erro: extrapola (inventa a amizade) e fere a norma-padrão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E diz que o eu lírico "exige" do prefeito. O texto usa o verbo "permiti" e "peça" — tom de pedido, não de exigência. Além disso, "aonde ele mora" está incorreto: o verbo morar exige "onde" (permanência), não "aonde" (movimento). E "devido ação" deveria ser "devido à ação" (crase). Erro: contradiz o texto (transforma pedido em exigência) e fere a norma-padrão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o referente do pronome "ele" (que se refere ao eu lírico, não ao prefeito) e inverte a relação de causa e consequência. Fique atento a quem cada pronome aponta.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife no texto os dados essenciais (quem, o quê, onde, por quê) e compare com cada alternativa. Desconfie de palavras absolutas como "exige", "amigo", "como o prefeito" — elas quase sempre extrapolam.