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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2019

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu053826
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Enfermeiro Judiciário

Tempo incerto

            Os homens têm complicado tanto o mecanismo da vida que já ninguém tem certeza de nada: para se fazer alguma coisa é preciso aliar a um impulso de aventura grandes sombras de dúvida. Não se acredita mais na existência de gente honesta; e os bons têm medo de exercitarem sua bondade, para não serem tratados de hipócritas ou de ingênuos.

            Vivemos um momento em que a virtude é ridícula e os mais vis sentimentos se mascaram de grandiosidade, simpatia, benevolência. A observação do presente leva-nos até a descer dos exemplos do passado: os varões ilustres de outras eras terão sido realmente ilustres? Ou a História nos está contando as coisas ao contrário, pagando com dinheiros dos testemunhos a opinião dos escribas?

            Se prestarmos atenção ao que nos dizem sobre as coisas que nós mesmos presenciamos – ou temos que aceitar a mentira como a arte mais desenvolvida do nosso tempo, ou desconfiamos do nosso próprio testemunho, e acabamos no hospício!

            Pois assim, é, meus senhores! Prestai atenção às coisas que vos contam, em família, na rua, nos cafés, em várias letras de forma, e dizei-me se não estão incertos os tempos e se não devemos todos andar de pulga atrás da orelha!

            Agora, pensam os patrões, os empregados, os amigos e inimigos de uns e de outros e todo o resto da massa humana. E não só pensam, como também pensam que pensam! E além de pensarem que pensam, pensam que têm razão! E cada um é o detentor exclusivo da razão!

            Pois de tal abundância de razão é que se faz a loucura. E a vocação das pessoas, hoje em dia, não é para o diálogo com ou sem palavras, mas para balas de diversos calibres. Perto disso, a carestia da vida é um ramo de flores. O que anda mesmo caro é alma. E o Demônio passeia pelo mundo, glorioso e imune.

(Cecília Meireles, Tempo incerto. Em: Escolha o seu Sonho. Adaptado)

Assinale a alternativa cuja frase atende à norma-padrão de colocação pronominal.
  1. AVivemos um momento em que os mais vis sentimentos têm mascarado-se de grandiosidade.
  2. BNos acostumamos ao medo de exercitar a bondade, pois não se acredita mais na existência de gente honesta.
  3. CAs pessoas certamente comunicam-se entre si não mais por meio do diálogo, com ou sem palavras.
  4. DOfenderíamos-nos porque questionam se os varões ilustres de outras eras teriam sido mesmo ilustres?
  5. EO que agora se vê é uma situação na qual o que se mostra mesmo caro é a alma, já que não se dialoga mais.
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GabaritoE — O que agora se vê é uma situação na qual o que se mostra mesmo caro é a alma, já que não se dialoga mais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: a próclise obrigatória após palavra atrativa

Gabarito: letra E. A única frase que atende à norma-padrão de colocação pronominal é a E, pois nela o pronome oblíquo átono "se" aparece corretamente em próclise (antes do verbo), atraído por palavras que exercem atração: o pronome relativo "que" e o advérbio "não". Como se lê na alternativa: "O que agora se vê é uma situação na qual o que se mostra mesmo caro é a alma, já que não se dialoga mais." — todos os pronomes estão antes dos verbos, posição exigida pela norma culta.

A questão cobra colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise). A regra central é: o pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) fica antes do verbo (próclise) quando há palavra atrativa — como pronomes relativos (que, quem, onde), advérbios (não, nunca, já, agora), conjunções subordinativas (se, quando, porque, embora) e pronomes indefinidos (tudo, nada, alguém). Sem palavra atrativa, o pronome vai depois do verbo (ênclise), desde que o verbo não esteja no futuro do presente ou do pretérito (nesses casos, usa-se mesóclise). Vamos analisar cada alternativa.

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavras atrativas
      • Pronomes relativos (que, quem, onde)
      • Advérbios (não, nunca, já, agora)
      • Conjunções subordinativas (se, quando, porque)
      • Pronomes indefinidos (tudo, nada, alguém)
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Sem palavra atrativa
    • Verbo fora do futuro
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente
    • Futuro do pretérito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase "Vivemos um momento em que os mais vis sentimentos têm mascarado-se de grandiosidade" apresenta ênclise no verbo "mascarado", mas há uma palavra atrativa antes: o pronome relativo "que" (em "em que"). A norma exige próclise após pronome relativo, portanto o correto seria "têm se mascarado". A banca explora a confusão entre ênclise e próclise: o candidato vê o verbo "têm" e esquece que o "que" atrai o pronome.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A frase "Nos acostumamos ao medo de exercitar a bondade, pois não se acredita mais na existência de gente honesta" começa com o pronome oblíquo "nos" em próclise, mas não há palavra atrativa no início da oração (o verbo "acostumamos" inicia o período). Sem atrativo, a norma exige ênclise: "Acostumamo-nos". Note que a segunda parte ("não se acredita") está correta, pois o advérbio "não" atrai o "se" — mas o erro na primeira parte já invalida a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A frase "As pessoas certamente comunicam-se entre si não mais por meio do diálogo, com ou sem palavras" usa ênclise em "comunicam-se", mas há um advérbio atrativo antes: "certamente". Advérbios atraem o pronome, então o correto seria "certamente se comunicam". A banca coloca o advérbio "certamente" para testar se o candidato percebe a atração — e muitos caem por achar que "certamente" não atrai.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frase "Ofenderíamos-nos porque questionam se os varões ilustres de outras eras teriam sido mesmo ilustres?" apresenta ênclise em "Ofenderíamos-nos", mas o verbo está no futuro do pretérito ("ofenderíamos"). Nesse tempo verbal, a norma exige mesóclise: "Ofender-nos-íamos". A banca testa o conhecimento da mesóclise, que é obrigatória no futuro do presente e no futuro do pretérito quando não há palavra atrativa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "O que agora se vê é uma situação na qual o que se mostra mesmo caro é a alma, já que não se dialoga mais" está inteiramente correta. Observe os três pronomes oblíquos "se":

  • "O que agora se vê" — o advérbio "agora" atrai o pronome para antes do verbo "vê".

  • "o que se mostra" — o pronome relativo "que" atrai o pronome para antes de "mostra".

  • "já que não se dialoga" — o advérbio "não" atrai o pronome para antes de "dialoga".

Todos os pronomes estão em próclise, posição exigida pela norma-padrão quando há palavra atrativa. A alternativa E é a única que não viola nenhuma regra de colocação pronominal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre ênclise e próclise: alternativas que usam ênclise após palavra atrativa (A, C) ou que iniciam período com pronome (B) ou que usam mesóclise incorretamente (D). A correta é a que respeita todas as atrações.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de colocação pronominal, sublinhe as palavras atrativas (advérbios, pronomes relativos, conjunções subordinativas) antes de decidir entre próclise e ênclise. Se houver atrativo, o pronome vem antes do verbo; se não houver, vem depois (ou no meio, no futuro).

Gabarito: letra E.

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