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Questão de Português — Pronomes relativos — VUNESP 2019

PortuguêsPronomes relativos
Código
vu053926
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Médico Judiciário

                             Literatura no cárcere


      Desde 2013, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou a remição da pena pela leitura, 5.547 detentos foram beneficiados por esse projeto no Brasil. É um número baixo, se comparado com as quase 700 mil pessoas privadas de liberdade em todo o país.

      A recomendação do CNJ determina que, a cada livro lido, é possível reduzir quatro dias da pena. Para isso, o leitor deve escrever um resumo da obra que deve ser aprovado por um parecerista. Esses documentos seguem para o juiz responsável, que julga o pedido de remição.

      Medir os benefícios dessa proposta tem feito florescer debates acalorados entre os que veem na leitura ganhos efetivos para a reintegração do indivíduo à sociedade e os que a avaliam como um privilégio concedido a pessoas que, de algum modo, causaram danos à população. Sem entrar no mérito dessa discussão, é fato que, dentro ou fora da prisão, as benesses da leitura são muitas e difíceis de mensurar.

      Uma pesquisa feita em 2017 pela editora Companhia das Letras, que em parceria com a Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap) subsidia um projeto de clubes de leitura e remição de pena, indicou que os ganhos são mais concretos do que se pode imaginar.

      Durante um ano, 177 detentos se reuniram mensalmente para discutir uma obra selecionada pela curadoria do projeto.

      Quando perguntados sobre as eventuais mudanças percebidas em si próprios, a resposta mais frequente foi que os envolvidos conseguiram perceber uma “ampliação de conhecimentos”. Em segundo, que se sentiam mais motivados “para traçar planos para o futuro”. Na sequência, aparecem motivações como “capacidade de reflexão” e de “expressar sentimentos”, possibilidade de “dizer o que pensa”, “maior criatividade” e, por último, “maior criticidade”.

      Por qualquer prisma que se procure observar, esses ganhos já seriam significativos, pois no ambiente prisional revelam uma extraordinária mudança na chave da autoestima.

(Vanessa Ferrari, Rafaela Deiab e Pedro Schwarcz. Folha de S. Paulo, 25.06.18. Adaptado)

O pronome relativo onde foi empregado corretamente na alternativa:
  1. ANo ambiente prisional, onde se vive privado da liberdade, os dados revelam maior autoestima entre os participantes do projeto.
  2. BA cada livro lido, onde é necessário fazer um resumo e submetê-lo a um parecerista, reduzem-se quatro dias da pena.
  3. CA recomendação do CNJ, onde determina que a cada livro lido é possível reduzir a pena, desencadeou debates.
  4. DDesde 2013, onde o Conselho Nacional de Justiça autorizou a remição de pena pela leitura, vários detentos se inseriram no projeto.
  5. EAs benesses da leitura, onde muitas vezes não é fácil mensurar, são evidentes tanto fora como dentro da prisão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — No ambiente prisional, onde se vive privado da liberdade, os dados revelam maior autoestima entre os participantes do projeto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O pronome relativo "onde" e o lugar físico

Gabarito: letra A. O pronome relativo onde só pode ser empregado quando o antecedente indica lugar físico — e, na alternativa A, o antecedente é "ambiente prisional", um lugar concreto. Nas demais alternativas, o antecedente é abstrato (livro, recomendação, 2013, benesses), o que torna o uso de "onde" inadequado. A regra é clássica: onde = em que lugar; para antecedentes não locativos, usa-se "em que" ou "no qual".

A regra do "onde"

O pronome relativo onde retoma um antecedente que expressa lugar físico e exerce função de adjunto adverbial de lugar na oração adjetiva. A gramática normativa rejeita o uso de "onde" com antecedentes que não sejam lugar — como tempo, ideia, documento ou objeto. Veja o teste prático: substitua "onde" por "em que". Se a frase mantiver o sentido e o antecedente for um lugar, está correto.

Antecedente

Uso correto

Uso incorreto

lugar físico (ambiente, cidade, casa)

onde

tempo (2013, época)

onde

documento (recomendação, lei)

onde

objeto (livro)

onde

ideia abstrata (benesses)

onde

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"No ambiente prisional, onde se vive privado da liberdade, os dados revelam maior autoestima entre os participantes do projeto."

O antecedente é "ambiente prisional" — um lugar físico. O "onde" retoma esse lugar e equivale a "no qual". A frase é gramaticalmente correta e ainda dialoga com o texto-base, que afirma que "no ambiente prisional revelam uma extraordinária mudança na chave da autoestima".

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A cada livro lido, onde é necessário fazer um resumo e submetê-lo a um parecerista, reduzem-se quatro dias da pena."

O antecedente é "livro" — um objeto, não um lugar. O correto seria "em que" ou "no qual". A banca tenta confundir porque o livro é o suporte da leitura, mas não é um lugar físico. Erro: troca de antecedente não locativo por "onde".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A recomendação do CNJ, onde determina que a cada livro lido é possível reduzir a pena, desencadeou debates."

O antecedente é "recomendação" — um documento/ideia, não um lugar. Além disso, o "onde" exerce função de sujeito da oração adjetiva ("a recomendação determina"), função que o pronome relativo "que" desempenharia corretamente. Erro: uso de "onde" com antecedente abstrato e função sintática inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Desde 2013, onde o Conselho Nacional de Justiça autorizou a remição de pena pela leitura, vários detentos se inseriram no projeto."

O antecedente é "2013" — uma data, ou seja, um lugar no tempo, não no espaço. O correto seria "quando" ou "em que". Erro: confusão entre lugar físico e tempo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"As benesses da leitura, onde muitas vezes não é fácil mensurar, são evidentes tanto fora como dentro da prisão."

O antecedente é "benesses" — uma ideia abstrata, não um lugar. O correto seria "que" ou "as quais". Erro: uso de "onde" com antecedente abstrato.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "onde" (lugar físico) e outros relativos. A alternativa A é a única em que o antecedente é um lugar concreto; as demais usam "onde" com tempo, documento, objeto ou ideia — todos proibidos pela norma culta.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, pergunte: "o antecedente é um lugar físico?" Se sim, "onde" pode ser usado; se não, troque por "em que", "no qual", "quando" ou "que". Esse teste elimina as distratoras rapidamente.

Gabarito: letra A.

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