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Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2019

PortuguêsMorfologia
Código
vu053930
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Médico Judiciário

         Após avanços tecnológicos, medicina deve mirar empatia


      Médicos sempre ocuparam uma posição de prestígio na sociedade. Afinal, cuidar do maior bem do indivíduo – a vida – não é algo trivial. Embora a finalidade do ofício seja a mesma, o modus operandi mudou drasticamente com o tempo.

      O que se pode afirmar é que o foco da atuação médica deve ser cada vez menos o controle sobre o destino do paciente e mais a mediação e a interpretação de tecnologias, incluindo a famigerada inteligência artificial. Já o lado humanístico, que perdeu espaço para os exames e as máquinas, tende a recuperar cada vez mais sua importância.

     De meados do século 20 até agora, concomitantemente às novas especialidades, houve avanço tecnológico e a proliferação de modalidades de exames. Cresceu o catálogo dos laboratórios e também a dependência do médico em relação a exames. A impressão dos pacientes passou a ser a de que o cuidado é ruim, caso o médico não os solicite.

      O tema é caro a Jayme Murahovschi, referência em pediatria no país. “Tem que haver progressão tecnológica, claro, mas mais importante que isso é a ligação emocional com o paciente. Hoje médicos pedem muitos exames e os pacientes também.”

      Murahovschi está entre os que acreditam que a profissão está sofrendo uma nova reviravolta, quase que voltando às origens clássicas, hipocráticas: “Os médicos do futuro, os que sobrarem, vão ter que conhecer o paciente a fundo, dar toda a atenção que ele precisa, usando muita tecnologia, mas com foco no paciente.”

      Alguns profissionais poderão migrar para uma medicina mais técnica, preveem analistas.

      Esses doutores teriam uma função diferente, atuando na interface entre o conhecimento biomédico e a tecnologia por trás de plataformas de diagnóstico e reabilitação. Ou ainda atuariam alimentando com dados uma plataforma de inteligência artificial, tornando-a mais esperta.

      Outra tecnologia já presente é a telemedicina, que descentraliza a realização de consultas e exames. Clínicas e médicos generalistas podem, rapidamente e pela internet, contar com laudos de especialistas situados em diferentes localidades; uma junta médica pode discutir casos de pacientes e seria possível até a realização, a distância, de consultas propriamente ditas, se não existissem restrições do CFM nesse sentido.

      Até cirurgias podem ser feitas a distância, com o advento da robótica. O tema continua fascinando médicos e pacientes, mas, por enquanto, nada de droides médicos à la Star Wars – quem controla o robô ainda é o ser humano.

                 (Gabriela Alves. Folha de S.Paulo, 19.10.2018. Adaptado)

No trecho do último parágrafo – quem controla o robô ainda é o ser humano –, o termo destacado apresenta circunstância adverbial de
  1. Aafirmação, como em: “tende a recuperar cada vez mais sua importância”.
  2. Btempo, como em: “pode discutir, remotamente, diversos casos”.
  3. Ctempo, como em: “Hoje médicos pedem muitos exames”.
  4. Dafirmação, com em: “progressão tecnológica, claro, mas mais importante”.
  5. Eintensidade, como em: “tornando-a mais esperta”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — tempo, como em: “Hoje médicos pedem muitos exames”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Advérbio "ainda": circunstância de tempo

Gabarito: letra C. No trecho “quem controla o robô ainda é o ser humano”, o termo destacado é um advérbio que expressa circunstância de tempo — mais precisamente, indica que a situação perdura até o momento presente. A alternativa C é a correta porque apresenta outro advérbio de tempo, “Hoje”, que também localiza a ação no presente. As demais alternativas ou classificam o advérbio como de afirmação (A e D) ou de intensidade (E), ou usam um advérbio de tempo que não equivale a “ainda” (B).

O que a questão pede

A questão é de morfologia (classe gramatical do advérbio) e exige que você identifique a circunstância que o advérbio “ainda” expressa no contexto. Para isso, é preciso saber que os advérbios podem indicar tempo, modo, lugar, intensidade, afirmação, negação, dúvida etc. A banca testa se você reconhece o valor semântico do advérbio e se consegue compará-lo com outros advérbios de mesma natureza.

Análise do trecho

“quem controla o robô ainda é o ser humano”

No contexto do último parágrafo, o autor afirma que, apesar da robótica permitir cirurgias a distância, até agora quem controla o robô é o ser humano. O advérbio “ainda” carrega a ideia de tempo: indica que a ação (o ser humano controlar o robô) continua a ocorrer no presente, com a expectativa implícita de que isso possa mudar no futuro. É um advérbio de tempo, sinônimo de “até agora”, “por enquanto”.

Alternativa por alternativa

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa A afirma que “ainda” expressa afirmação, citando como exemplo “tende a recuperar cada vez mais sua importância”. O advérbio “ainda” no trecho não afirma nada; ele localiza temporalmente a ação. O exemplo citado contém o advérbio “mais”, que é de intensidade, não de afirmação. A banca tenta confundir o candidato com um advérbio que, em outros contextos, pode ter valor de inclusão (ex.: “ainda há esperança”), mas aqui o valor é claramente temporal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa B também classifica “ainda” como tempo, mas o exemplo dado — “pode discutir, remotamente, diversos casos” — contém o advérbio “remotamente”, que expressa modo (como se discute), não tempo. A banca usa um advérbio de modo para tentar validar a classificação de tempo, mas o exemplo não sustenta a ideia. O advérbio “ainda” no trecho é de tempo, mas o exemplo da alternativa B não é.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa C classifica “ainda” como tempo e apresenta como exemplo “Hoje médicos pedem muitos exames”. O advérbio “hoje” também expressa tempo (localiza a ação no presente). Ambos os advérbios indicam uma circunstância temporal: “ainda” indica que a ação perdura até o presente; “hoje” indica o momento atual. A correspondência é perfeita: ambos são advérbios de tempo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa D afirma que “ainda” expressa afirmação, citando “progressão tecnológica, claro, mas mais importante”. O advérbio “claro” é um advérbio de afirmação (equivale a “certamente”), mas “ainda” no trecho não é. A banca tenta confundir com um advérbio que, em outros contextos, pode ter valor de inclusão (ex.: “ainda há esperança”), mas aqui o valor é claramente temporal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa E classifica “ainda” como intensidade, citando “tornando-a mais esperta”. O advérbio “mais” é de intensidade (aumenta o grau de “esperta”), mas “ainda” no trecho não expressa intensidade. A banca tenta confundir com o uso de “ainda” como intensificador (ex.: “ainda mais”), mas no trecho o valor é temporal.

Tabela comparativa

Advérbio

Circunstância

Exemplo no texto

ainda

tempo

“quem controla o robô ainda é o ser humano”

hoje

tempo

Hoje médicos pedem muitos exames”

remotamente

modo

“pode discutir, remotamente, diversos casos”

claro

afirmação

“progressão tecnológica, claro, mas mais importante”

mais

intensidade

“tornando-a mais esperta”

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o valor semântico do advérbio: oferece exemplos com advérbios de outras circunstâncias (modo, afirmação, intensidade) para confundir. A chave é identificar a circunstância de “ainda” no contexto: tempo.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar um advérbio, pergunte: “que circunstância ele acrescenta ao verbo?”. Se responde a “quando?”, é tempo; se responde a “como?”, é modo; se responde a “quanto?”, é intensidade. No trecho, “ainda” responde a “quando?” (até agora).

Gabarito: letra C.

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