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Questão de Português — Concordância verbal, Concordância nominal — VUNESP 2019

PortuguêsConcordância verbal, Concordância nominal
Código
vu053931
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Médico Judiciário

         Após avanços tecnológicos, medicina deve mirar empatia


      Médicos sempre ocuparam uma posição de prestígio na sociedade. Afinal, cuidar do maior bem do indivíduo – a vida – não é algo trivial. Embora a finalidade do ofício seja a mesma, o modus operandi mudou drasticamente com o tempo.

      O que se pode afirmar é que o foco da atuação médica deve ser cada vez menos o controle sobre o destino do paciente e mais a mediação e a interpretação de tecnologias, incluindo a famigerada inteligência artificial. Já o lado humanístico, que perdeu espaço para os exames e as máquinas, tende a recuperar cada vez mais sua importância.

     De meados do século 20 até agora, concomitantemente às novas especialidades, houve avanço tecnológico e a proliferação de modalidades de exames. Cresceu o catálogo dos laboratórios e também a dependência do médico em relação a exames. A impressão dos pacientes passou a ser a de que o cuidado é ruim, caso o médico não os solicite.

      O tema é caro a Jayme Murahovschi, referência em pediatria no país. “Tem que haver progressão tecnológica, claro, mas mais importante que isso é a ligação emocional com o paciente. Hoje médicos pedem muitos exames e os pacientes também.”

      Murahovschi está entre os que acreditam que a profissão está sofrendo uma nova reviravolta, quase que voltando às origens clássicas, hipocráticas: “Os médicos do futuro, os que sobrarem, vão ter que conhecer o paciente a fundo, dar toda a atenção que ele precisa, usando muita tecnologia, mas com foco no paciente.”

      Alguns profissionais poderão migrar para uma medicina mais técnica, preveem analistas.

      Esses doutores teriam uma função diferente, atuando na interface entre o conhecimento biomédico e a tecnologia por trás de plataformas de diagnóstico e reabilitação. Ou ainda atuariam alimentando com dados uma plataforma de inteligência artificial, tornando-a mais esperta.

      Outra tecnologia já presente é a telemedicina, que descentraliza a realização de consultas e exames. Clínicas e médicos generalistas podem, rapidamente e pela internet, contar com laudos de especialistas situados em diferentes localidades; uma junta médica pode discutir casos de pacientes e seria possível até a realização, a distância, de consultas propriamente ditas, se não existissem restrições do CFM nesse sentido.

      Até cirurgias podem ser feitas a distância, com o advento da robótica. O tema continua fascinando médicos e pacientes, mas, por enquanto, nada de droides médicos à la Star Wars – quem controla o robô ainda é o ser humano.

                 (Gabriela Alves. Folha de S.Paulo, 19.10.2018. Adaptado)

A frase redigida com base nas ideias do oitavo parágrafo mantém o sentido do texto e atende à norma-padrão em:
  1. ACaso houvessem consultas propriamente ditas, realizadas via internet, o aval do CFM seria imprescindível.
  2. BPara que se realizem algumas consultas a distância, é necessário que não hajam restrições impostas pelo CFM.
  3. CMesmo que ainda não pareça haverem condições para a realização de consultas via internet, o CFM prevê restrições.
  4. DA internet permitiria a realização de algumas consultas, desde que não houvesse restrições do CFM a esse respeito.
  5. EA realização de algumas consultas poderia ocorrer a distância, ainda que possam haver restrições feitas pelo CFM.
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GabaritoD — A internet permitiria a realização de algumas consultas, desde que não houvesse restrições do CFM a esse respeito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescritura do 8º parágrafo: sentido preservado e norma-padrão

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que mantém o sentido do oitavo parágrafo e respeita a norma-padrão, pois emprega corretamente o verbo haver como impessoal (sem sujeito, no singular) e preserva a ideia de que a realização de consultas a distância seria possível se não existissem restrições do CFM. Como se lê no texto: "seria possível até a realização, a distância, de consultas propriamente ditas, se não existissem restrições do CFM nesse sentido".

A questão combina interpretação de texto (reescritura fiel do sentido) com concordância verbal (emprego do verbo haver). O comando pede uma frase que "mantém o sentido do texto e atende à norma-padrão" — ou seja, é preciso testar cada alternativa em dois eixos: o que ela diz (sentido) e como ela diz (gramática).

1Sentido de existir
Sem sujeito
Sempre 3ª pessoa do singular
2Exemplos corretos
"houvesse consultas"
"não haja restrições"
"possa haver restrições"
3Erros comuns (tratar como pessoal)
"houvessem"
"hajam"
"haverem"
"possam haver"
Verbo "haver" impessoal
LEVELsoulevel.com.br
Verbo "haver" impessoal: Sentido de existir (Sem sujeito, Sempre 3ª pessoa do singular); Exemplos corretos ("houvesse consultas", "não haja restrições", "possa haver restrições"); Erros comuns (tratar como pessoal) ("houvessem", "hajam", "haverem", "possam haver")

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Caso houvessem consultas propriamente ditas, realizadas via internet, o aval do CFM seria imprescindível."

Erro de concordância: o verbo haver no sentido de existir é impessoal — não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. O correto seria "Caso houvesse consultas...". Além disso, o texto não afirma que o aval do CFM seria "imprescindível" para a realização das consultas; ele apenas diz que as restrições do CFM impedem que elas ocorram. Há, portanto, extrapolação (acrescenta a ideia de "aval imprescindível") e erro de concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Para que se realizem algumas consultas a distância, é necessário que não hajam restrições impostas pelo CFM."

Erro de concordância: novamente o verbo haver é usado como pessoal — "não hajam restrições" está errado; o correto é "não haja restrições". O sentido, porém, está adequado: o texto diz que as consultas seriam possíveis se não houvesse restrições do CFM. A alternativa falha apenas na norma-padrão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Mesmo que ainda não pareça haverem condições para a realização de consultas via internet, o CFM prevê restrições."

Erro de concordância: na locução verbal "pareça haver", o verbo haver é impessoal e o auxiliar parecer também fica no singular — "não pareça haver condições" (e não "pareça haverem"). Além disso, o texto não diz que "ainda não parecem existir condições" para a realização de consultas; pelo contrário, afirma que elas seriam possíveis se não houvesse restrições do CFM. Há contradição com o texto e erro de concordância.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A internet permitiria a realização de algumas consultas, desde que não houvesse restrições do CFM a esse respeito."

A alternativa D parafraseia fielmente o trecho do oitavo parágrafo: "seria possível até a realização, a distância, de consultas propriamente ditas, se não existissem restrições do CFM nesse sentido". O verbo haver é empregado corretamente no singular (impessoal), e a estrutura "desde que não houvesse" mantém a ideia de condição presente no original ("se não existissem"). Não há acréscimo, supressão ou inversão de sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A realização de algumas consultas poderia ocorrer a distância, ainda que possam haver restrições feitas pelo CFM."

Erro de concordância: "possam haver" está errado — o verbo haver é impessoal, e o auxiliar poder deve ficar no singular: "ainda que possa haver restrições". Além disso, o conectivo "ainda que" (concessivo) inverte a relação lógica do texto: o original diz que as consultas seriam possíveis se não houvesse restrições (condição), não apesar de haver restrições. Há troca de conectivo que altera o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o verbo haver impessoal (singular) e o verbo existir (pessoal). Em todas as distratoras, o erro está no emprego de "houvessem", "hajam", "haverem" ou "possam haver" — formas que tratam haver como se tivesse sujeito. A alternativa C ainda inverte o sentido do texto, e a E troca a condição por concessão.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever um trecho, sublinhe o verbo e pergunte: "quem pratica a ação?". Se não houver sujeito (como em haver no sentido de existir), o verbo fica no singular. Depois, confira se a relação lógica (condição, causa, concessão) foi mantida pelos conectivos.

Gabarito: letra D.

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