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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu053938
Banca
VUNESP
Órgão
TJ-SP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Médico Judiciário

         Após avanços tecnológicos, medicina deve mirar empatia


      Médicos sempre ocuparam uma posição de prestígio na sociedade. Afinal, cuidar do maior bem do indivíduo – a vida – não é algo trivial. Embora a finalidade do ofício seja a mesma, o modus operandi mudou drasticamente com o tempo.

      O que se pode afirmar é que o foco da atuação médica deve ser cada vez menos o controle sobre o destino do paciente e mais a mediação e a interpretação de tecnologias, incluindo a famigerada inteligência artificial. Já o lado humanístico, que perdeu espaço para os exames e as máquinas, tende a recuperar cada vez mais sua importância.

     De meados do século 20 até agora, concomitantemente às novas especialidades, houve avanço tecnológico e a proliferação de modalidades de exames. Cresceu o catálogo dos laboratórios e também a dependência do médico em relação a exames. A impressão dos pacientes passou a ser a de que o cuidado é ruim, caso o médico não os solicite.

      O tema é caro a Jayme Murahovschi, referência em pediatria no país. “Tem que haver progressão tecnológica, claro, mas mais importante que isso é a ligação emocional com o paciente. Hoje médicos pedem muitos exames e os pacientes também.”

      Murahovschi está entre os que acreditam que a profissão está sofrendo uma nova reviravolta, quase que voltando às origens clássicas, hipocráticas: “Os médicos do futuro, os que sobrarem, vão ter que conhecer o paciente a fundo, dar toda a atenção que ele precisa, usando muita tecnologia, mas com foco no paciente.”

      Alguns profissionais poderão migrar para uma medicina mais técnica, preveem analistas.

      Esses doutores teriam uma função diferente, atuando na interface entre o conhecimento biomédico e a tecnologia por trás de plataformas de diagnóstico e reabilitação. Ou ainda atuariam alimentando com dados uma plataforma de inteligência artificial, tornando-a mais esperta.

      Outra tecnologia já presente é a telemedicina, que descentraliza a realização de consultas e exames. Clínicas e médicos generalistas podem, rapidamente e pela internet, contar com laudos de especialistas situados em diferentes localidades; uma junta médica pode discutir casos de pacientes e seria possível até a realização, a distância, de consultas propriamente ditas, se não existissem restrições do CFM nesse sentido.

      Até cirurgias podem ser feitas a distância, com o advento da robótica. O tema continua fascinando médicos e pacientes, mas, por enquanto, nada de droides médicos à la Star Wars – quem controla o robô ainda é o ser humano.

                 (Gabriela Alves. Folha de S.Paulo, 19.10.2018. Adaptado)

Segundo Jayme Murahovschi, a profissão está passando por uma reviravolta cuja consequência será:
  1. Ao surgimento de novas modalidades de exames que tornarão o médico mais dependente desses recursos.
  2. Bo crescimento, no país, do número de médicos interessados em praticar uma medicina mais técnica.
  3. Ca retomada dos conceitos hipocráticos que se opõem à prática dos médicos generalistas.
  4. Do relacionamento entre médico e paciente, que se dará exclusivamente por meios tecnológicos.
  5. Ea necessidade de associar tratamento clínico e envolvimento humano no contato entre médico e paciente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a necessidade de associar tratamento clínico e envolvimento humano no contato entre médico e paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A reviravolta na medicina segundo Jayme Murahovschi

Gabarito: letra E. A consequência da reviravolta, na visão de Murahovschi, é a necessidade de associar o uso da tecnologia ao envolvimento humano no cuidado com o paciente. A passagem que ancora essa leitura está no 5º parágrafo, na fala do pediatra: "Os médicos do futuro, os que sobrarem, vão ter que conhecer o paciente a fundo, dar toda a atenção que ele precisa, usando muita tecnologia, mas com foco no paciente." A alternativa E é a única paráfrase fiel dessa ideia: unir o tratamento clínico (tecnologia) ao envolvimento humano (atenção, conhecer o paciente).

A questão é de compreensão/recorrência: o comando pergunta "segundo Jayme Murahovschi", ou seja, pede uma informação explícita na fala do personagem, não uma dedução do leitor. Basta localizar o trecho em que ele descreve a consequência da reviravolta e comparar com as alternativas, eliminando as que extrapolam, restringem ou contradizem o texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto afirma que "Cresceu o catálogo dos laboratórios e também a dependência do médico em relação a exames" (3º parágrafo), mas isso é apresentado como um fato histórico ("De meados do século 20 até agora"), não como consequência da reviravolta prevista por Murahovschi. A alternativa extrapola: atribui ao personagem uma consequência que ele não menciona — e que, na verdade, ele critica ("Hoje médicos pedem muitos exames").

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto diz que "Alguns profissionais poderão migrar para uma medicina mais técnica" (6º parágrafo), mas isso é uma previsão de "analistas", não de Murahovschi. Além disso, a alternativa restringe o alcance: o texto fala em "alguns profissionais", e a opção generaliza para "o crescimento, no país, do número de médicos". Há dupla falha: atribuição indevida de autoria e generalização indevida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Murahovschi diz que a profissão está "quase que voltando às origens clássicas, hipocráticas" (5º parágrafo), mas a consequência que ele descreve é "conhecer o paciente a fundo, dar toda a atenção" — não a "retomada dos conceitos hipocráticos" em si. A alternativa troca o efeito pela causa: o retorno às origens é a natureza da reviravolta, não a sua consequência. Além disso, o texto não diz que esses conceitos "se opõem à prática dos médicos generalistas" — isso é invenção (extrapolação).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa contradiz o texto ao usar o advérbio "exclusivamente". Murahovschi defende o oposto: o médico deve usar "muita tecnologia, mas com foco no paciente" — ou seja, a relação deve ser humana e tecnológica ao mesmo tempo, nunca apenas por meios tecnológicos. A palavra "exclusivamente" é o vocábulo que inverte o sentido e denuncia a armadilha.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fala de Murahovschi no 5º parágrafo é a prova direta: "Os médicos do futuro, os que sobrarem, vão ter que conhecer o paciente a fundo, dar toda a atenção que ele precisa, usando muita tecnologia, mas com foco no paciente." A alternativa E parafraseia com precisão: "associar tratamento clínico" (= usar muita tecnologia) "e envolvimento humano" (= conhecer o paciente, dar atenção) "no contato entre médico e paciente" (= com foco no paciente). É a única que não acrescenta, não restringe e não contradiz nada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de vocábulo na alternativa D ("exclusivamente") e a generalização indevida na B ("alguns" → "crescimento do número"). Fique atento a palavras absolutas como "exclusivamente", "sempre", "apenas" — elas quase sempre sinalizam restrição indevida.

PEGA ESSA DICA!

Quando o comando diz "segundo [alguém]", grife o trecho da fala dessa pessoa antes de ler as alternativas. A resposta correta será uma paráfrase desse trecho — nem mais, nem menos.

Gabarito: letra E.

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