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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu054482
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
V - - Bibliotecário

Leia o texto para responder às questões de números 03 a 07.


Eles ouviam o oceano. E assim se lançaram, dentro de frá­geis canoas, pelas águas do Pacífico a fim de descobrir mais terras. Estavam a cerca de 800 anos antes de Cristo, quando ainda se tinha a certeza de que a Terra era plana. Dias e noi­tes depois encontraram e conquistaram outras ilhas, distantes umas das outras centenas de quilômetros, as quais hoje for­mam a parte leste da Polinésia, na Oceania. Fizeram as via­gens sem instrumentos que ajudassem a navegar.

Nossos antepassados polinésios apenas ouviam o ocea­no ao desbravá-lo e, assim mesmo, tinham um conhecimento impressionante do sistema. Conheciam as ondas, correntes, nuvens, ventos, estrelas, conseguiam ler o estado do mar e, pelos reflexos nas nuvens, sabiam quando havia uma ilha ao alcance.

Mais de dois mil anos depois -muito mais -hoje nós estamos dirigindo até carro de modo automático, com a tecno­logia que fomos conquistando á custa de esforços humanos e outros tantos bens naturais. No entanto, ao mesmo tempo, muitos de nós fomos perdendo um valor intangível, um bem precioso: nossa intuição, nossa capacidade de "ouvir o ocea­no". E de estarmos totalmente integrados aos sentidos.

Caminhar por uma rua numa cidade grande apinhada de gente, de carros, ônibus, trens, aviões, vai nos deixan­do anestesiados dos barulhos que realmente nos podem conectar com a intuição. Para completar, quase sempre estamos acompanhados por um aparelho com tela que nos tira a atenção do olhar e da audição, dois sentidos importan­tes. Hoje pela manhã, numa rua de Botafogo, fiquei perto/lon­ge de uma mulher que conversava com seu GPS para tentar encontrar o endereço certo para onde precisava ir. Não olhou em volta. Não perguntou a ninguém, não fez nenhum contato com humanos naquela busca.


(Amélia Gonzalez, *Documentário alerta para a importância da intuição na relação do homem com o mundo ao redor". https.//g1 .globo.com. Adaptado)

No texto, a referência ao empreendimento dos antepas­sados polinésios tem a função de
  1. Achamar a atenção para o fato de as pessoas estarem vivendo de forma automatizada nos dias de hoje, o que faz com que a intuição esteja sendo perdida com esse novo modo de vida.
  2. Benfatizar os perigos que viveram ao saírem sem rumo pelo oceano com o intuito de descobrirem novas terras, o que hoje em dia é diferente, graças aos recursos tecnológicos disponíveis.
  3. Ccomparar como a intuição esteve presente na vida das pessoas, pois, seja há 800 anos antes de Cristo, seja atualmente, as maiores decisões têm sido tomadas com base nesse sentido.
  4. Dcontrastar a forma antiga e precária de se buscar o novo com a forma moderna, esta muito mais adequada, porque, ao longo da evolução, as pessoas têm, cada vez mais, integrado os sentidos.
  5. Emostrar a importância da intuição no cotidiano das pessoas, uma vez que ela pode ajudar a tomar decisões importantes, como atravessar um oceano ou encontrar uma rua pelo GPS.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — chamar a atenção para o fato de as pessoas estarem vivendo de forma automatizada nos dias de hoje, o que faz com que a intuição esteja sendo perdida com esse novo modo de vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da referência aos polinésios no texto

Gabarito: letra A. A referência aos antepassados polinésios serve para chamar a atenção para o contraste com o modo de vida automatizado de hoje, que leva à perda da intuição – exatamente o que a alternativa A descreve. A passagem central está no 3º parágrafo: "No entanto, ao mesmo tempo, muitos de nós fomos perdendo um valor intangível, um bem precioso: nossa intuição, nossa capacidade de 'ouvir o oceano'." A viagem polinésia é o exemplo de uso da intuição; a vida moderna, com tecnologia e distrações, mostra o abandono dela.

Como o texto constrói essa função

O 1º parágrafo narra a ousadia dos polinésios, que "apenas ouviam o oceano" e tinham "conhecimento impressionante do sistema". O 2º parágrafo detalha essa capacidade intuitiva. O 3º parágrafo faz a virada temporal: "Mais de dois mil anos depois... hoje nós estamos dirigindo até carro de modo automático... No entanto... fomos perdendo... nossa intuição." A conclusão é que o contraste evidencia a perda da intuição no mundo automatizado. A função do trecho inicial é, portanto, servir de contraponto para criticar a vida moderna.


Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a referência tem a função de "chamar a atenção para o fato de as pessoas estarem vivendo de forma automatizada nos dias de hoje, o que faz com que a intuição esteja sendo perdida com esse novo modo de vida". Isso é exatamente o que o texto faz: narra a aventura polinésia como exemplo de uso máximo da intuição e, em seguida, confronta-a com a perda contemporânea da capacidade de "ouvir o oceano". A passagem "No entanto... fomos perdendo... nossa intuição" liga diretamente o exemplo à crítica. Não há extrapolação, contradição ou acréscimo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"enfatizar os perigos que viveram ao saírem sem rumo pelo oceano com o intuito de descobrirem novas terras, o que hoje em dia é diferente, graças aos recursos tecnológicos disponíveis."

Erro: extrapolação + troca de foco. O texto não enfatiza perigos; destaca o conhecimento intuitivo dos polinésios ("conhecimento impressionante", "conseguiam ler o estado do mar"). Também não diz que saíram "sem rumo" – ao contrário, "ouviam o oceano" e sabiam onde estavam. A ideia de "perigo" advém do senso comum, não do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"comparar como a intuição esteve presente na vida das pessoas, pois, seja há 800 anos antes de Cristo, seja atualmente, as maiores decisões têm sido tomadas com base nesse sentido."

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que hoje a intuição está sendo perdida ("fomos perdendo", "anestesiados"), não que ela continua sendo a base das decisões. A palavra "atualmente" no texto aponta justamente para a ausência de intuição, e não para seu uso. A alternativa inverte o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"contrastar a forma antiga e precária de se buscar o novo com a forma moderna, esta muito mais adequada, porque, ao longo da evolução, as pessoas têm, cada vez mais, integrado os sentidos."

Erro: contradiz o texto + juízo de valor ausente. O texto não diz que a forma antiga era "precária" – pelo contrário, elogia o conhecimento intuitivo. Tampouco considera a forma moderna "mais adequada"; ao contrário, critica a perda da intuição. A afirmação de que "as pessoas têm integrado os sentidos" é o oposto do que o texto diz: "anestesiados dos barulhos que realmente nos podem conectar com a intuição".

Alternativa E — ❌ Incorreta

"mostrar a importância da intuição no cotidiano das pessoas, uma vez que ela pode ajudar a tomar decisões importantes, como atravessar um oceano ou encontrar uma rua pelo GPS."

Erro: tangencia o tema principal. A alternativa generaliza que a função é mostrar a importância da intuição, mas o texto não tem esse propósito meramente expositivo. A intuição é apresentada para criticar sua perda no mundo moderno. Além disso, o exemplo do GPS aparece no texto como antítese da intuição: a mulher não olhou em volta, não perguntou – foi guiada pela tecnologia, não pela intuição. A alternativa transforma o GPS em exemplo de uso da intuição, o que é uma falsa associação.


Resumo dos erros

Alternativa

Erro cometido

A

Correta

B

Extrapolação (perigos, sem rumo)

C

Contradiz o texto (afirma que hoje também se usa intuição)

D

Contradiz o texto + opinião embutida (precária, adequada, integração)

E

Tangenciamento + extrapolação (GPS como exemplo de intuição)

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta seduzir com alternativas que parecem lógicas (como a B, que apela ao senso comum de perigo) ou que citam partes do texto (GPS), mas invertem a tese central. A palavra "perdendo" no texto é a chave: ela aparece no 3º parágrafo e mostra que a função é criticar, não elogiar ou apenas comparar.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a função de um trecho, pergunte: "O que ele provoca no leitor? Qual é a conclusão a que o autor quer chegar?" Neste texto, a conclusão é que perdemos a intuição. O trecho inicial serve de contraste para essa conclusão.

Gabarito: letra A.

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