Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu054563
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Ciências Exatas

                                            Página infeliz


      O mercado editorial no Brasil nunca pareceu tão próximo de uma catástrofe – com as duas principais redes de livrarias do país, Saraiva e Cultura, em uma crise profunda, reduzindo o número de lojas e com dívidas que parecem sem fim.

      Líder do mercado, a Saraiva, que já acumula atrasos de pagamentos a editores nos últimos anos, anunciou nesta semana o fechamento de 20 lojas. Em nota, a rede afirma que a medida tem a ver com “desafios econômicos e operacionais”, além de uma mudança na “dinâmica do varejo”.

      Na semana anterior, a Livraria Cultura entrou em recuperação judicial. No pedido à Justiça, a rede afirma acumular prejuízos nos últimos quatro anos, ter custos que só crescem e vendas menores. Mesmo assim, diz a petição enviada ao juiz, não teria aumentado seus preços.

      O enrosco da Cultura está explicado aí. Diante da crise, a empresa passou a pegar dinheiro emprestado com os bancos – o tamanho da dívida é de R$ 63 milhões.

      Com os atrasos nos pagamentos das duas redes, editoras já promoveram uma série de demissões ao longo dos últimos dois anos.

      O cenário de derrocada, contudo, parece estar em descompasso com os números de vendas. Desde o começo do ano, os dados compilados pela Nielsen, empresa de pesquisa de mercado, levantados a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, mostravam que o meio livreiro vinha dando sinais de melhoras pela primeira vez, desde o início da recessão econômica que abala o país.

       Simone Paulino, da Nós, editora independente de São Paulo, enxerga um descompasso entre as vendas em alta e a crise. Nas palavras dela, “um paradoxo assustador.” A editora nunca vendeu tanto na Cultura quanto nesses últimos seis meses”, diz. E é justamente nesse período que eles não têm sido pagos.

      “O modelo de produção do livro é muito complicado. Você investe desde a compra do direito autoral ou tradução e vai investindo ao longo de todo o processo. Na hora que você deveria receber, esse dinheiro não volta”, diz Paulino.

      “Os grandes grupos têm uma estrutura de advogados que vão ter estratégia para tentar receber. E para os pequenos? O que vai acontecer?”

      Mas há uma esperança para os editores do país: o preço fixo do livro. Diante do cenário de crise, a maior parte dos editores aposta em uma carta tirada da manga no apagar das luzes do atual governo – a criação, no país, do preço fixo do livro – norma a ser implantada por medida provisória – nos moldes de boa parte de países europeus, como França e Alemanha.

      Os editores se inspiram no pujante mercado europeu. Por lá, o preço fixo existe desde 1837, quando a Dinamarca criou a sua lei limitando descontos, abolida só em 2001. A crença é a de que a crise atual é em parte causada pela guerra de preço. Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes.

                                                          (Folha de S. Paulo, 03.11.2018. Adaptado)

Assinale a alternativa que substitui, correta e respectivamente, de acordo com a norma-padrão da concordância, as expressões em destaque na frase - Dívidas sem fim, prejuízos acumulados, além da crise econômica, provocaram a derrocada das redes livreiras.
  1. Ainfindável … que se acumulam … tudo isso potencializou
  2. Binfindáveis … que se acumula … tudo isso potencializou
  3. Cinfindáveis … que se acumulam … tudo isso potencializou
  4. Dinfindável … que se acumula … tudo isso potencializaram
  5. Einfindáveis … que se acumulam … tudo isso potencializaram
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — infindáveis … que se acumulam … tudo isso potencializou

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância nominal e verbal na reescritura da frase

Gabarito: letra C. A única alternativa que respeita a norma-padrão é infindáveis … que se acumulam … tudo isso potencializou. A concordância se prova pela análise dos núcleos: dívidas (plural) exige o adjetivo infindáveis e o verbo acumulam (plural); tudo isso é sujeito singular, portanto o verbo potencializou fica no singular. Nenhuma outra combinação atende às três exigências simultaneamente.

A questão não depende do texto-base para ser resolvida: ela cobra concordância nominal e verbal em uma frase reescrita. O comando pede a substituição que obedeça à norma-padrão — tarefa de gramática normativa, não de interpretação. Vamos analisar cada termo em destaque.

Análise dos termos

A frase original: "Dívidas sem fim, prejuízos acumulados, além da crise econômica, provocaram a derrocada das redes livreiras."

As expressões a substituir são:

  1. "sem fim" → adjetivo infindável (concorda com dívidas, plural → infindáveis).

  2. "acumulados" → oração adjetiva que se acumulam (o pronome que retoma prejuízos, plural → verbo no plural).

  3. "provocaram"tudo isso potencializou (o sujeito tudo isso é singular → verbo no singular).

Concordância na reescritura
  • 1"sem fim" → infindável
    • concorda com "dívidas" (plural)
    • infindável (singular) errado
  • 2"acumulados" → que se acumulam
    • "que" retoma "prejuízos" (plural)
    • que se acumula (singular) errado
  • 3"provocaram" → tudo isso potencializou
    • sujeito "tudo isso" (singular)
    • potencializaram (plural) errado
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

infindável … que se acumulam … tudo isso potencializou — Erro: infindável no singular não concorda com dívidas (plural). O adjetivo deve flexionar no plural: infindáveis. As demais formas estão corretas, mas o primeiro termo já invalida a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

infindáveis … que se acumula … tudo isso potencializou — Erro: que se acumula no singular não concorda com prejuízos (plural). O pronome relativo que retoma prejuízos, então o verbo deve ficar no plural: que se acumulam.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

infindáveis … que se acumulam … tudo isso potencializou — Todas as concordâncias estão corretas: infindáveis concorda com dívidas (plural); que se acumulam concorda com prejuízos (plural); tudo isso potencializou — o sujeito tudo isso é singular, portanto o verbo fica no singular. É a única combinação que atende às três exigências.

Alternativa D — ❌ Incorreta

infindável … que se acumula … tudo isso potencializaram — Erros: infindável no singular (deveria ser infindáveis) e potencializaram no plural (o sujeito tudo isso é singular, então o verbo deve ser potencializou).

Alternativa E — ❌ Incorreta

infindáveis … que se acumulam … tudo isso potencializaram — Erro: potencializaram no plural não concorda com o sujeito tudo isso (singular). O verbo deve ficar no singular: potencializou.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura as três concordâncias para confundir: o candidato que acerta uma ou duas pode marcar uma alternativa parcialmente correta. A dica é verificar cada termo isoladamente antes de escolher.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, identifique o núcleo do sujeito e o núcleo do termo adjetivo antes de flexionar. Para o pronome relativo que, pergunte: "que retoma qual termo?" — a resposta define o número do verbo.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu054563