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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu054606
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Jornalista

Página infeliz


            O mercado editorial no Brasil nunca pareceu tão próximo de uma catástrofe - com as duas principais redes de livrarias do país, Saraiva e Cultura, em uma crise profunda, reduzindo o número de lojas e com dívidas que parecem sem fim.

            Líder do mercado, a Saraiva, que já acumula atrasos de pagamentos a editores nos últimos anos, anunciou nesta semana o fechamento de 20 lojas. Em nota, a rede afirma que a medida tem a ver com “desafios econômicos e operacionais”, além de uma mudança na “dinâmica do varejo”.

            Na semana anterior, a Livraria Cultura entrou em recuperação judicial. No pedido à Justiça, a rede afirma acumular prejuízos nos últimos quatro anos, ter custos que só crescem e vendas menores. Mesmo assim, diz a petição enviada ao juiz, não teria aumentado seus preços.

            O enrosco da Cultura está explicado aí. Diante da crise, a empresa passou a pegar dinheiro emprestado com os bancos - o tamanho da dívida é de R$ 63 milhões.

        Com os atrasos nos pagamentos das duas redes, editoras já promoveram uma série de demissões ao longo dos últimos dois anos.

            O cenário de derrocada, contudo, parece estar em descompasso com os números de vendas. Desde o começo do ano, os dados compilados pela Nielsen, empresa de pesquisa de mercado, levantados a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, mostravam que o meio livreiro vinha dando sinais de melhoras pela primeira vez, desde o início da recessão econômica que abala o país. 

            Simone Paulino, da Nós, editora independente de São Paulo, enxerga um descompasso entre as vendas em alta e a crise. Nas palavras dela, “um paradoxo assustador.” A editora nunca vendeu tanto na Cultura quanto nesses últimos seis meses”, diz. E é justamente nesse período que eles não têm sido pagos.

            “O modelo de produção do livro é muito complicado. Você investe desde a compra do direito autoral ou tradução e vai investindo ao longo de todo o processo. Na hora que você deveria receber, esse dinheiro não volta”, diz Paulino. 

            “Os grandes grupos têm uma estrutura de advogados que vão ter estratégia para tentar receber. E para os pequenos? O que vai acontecer?” 

            Mas há uma esperança para os editores do país: o preço fixo do livro. Diante do cenário de crise, a maior parte dos editores aposta em uma carta tirada da manga no apagar das luzes do atual governo - a criação, no país, do preço fixo do livro - norma a ser implantada por medida provisória - nos moldes de boa parte de países europeus, como França e Alemanha. 

            Os editores se inspiram no pujante mercado europeu. Por lá, o preço fixo existe desde 1837, quando a Dinamarca criou a sua lei limitando descontos, abolida só em 2001. A crença é a de que a crise atual é em parte causada pela guerra de preço. Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes.

(Folha de S. Paulo, 03.11.2018. Adaptado)

Considere as palavras em destaque no texto - catástrofe, enrosco, derrocada, esperança e florescimento - e assinale a alternativa correta.
  1. ATodas as palavras em destaque apresentam compatibilidade de sentido com a ideia contida no título - Página infeliz.
  2. BAs palavras - esperança e florescimento - sinalizam um cenário promissor para os grupos editoriais saírem da crise.
  3. CAs palavras - enrosco, florescimento e esperança - atestam a problemática vivida pelos grandes grupos editoriais do país.
  4. DTodas as palavras em destaque expressam a ideia de que o mercado editorial do país está em alta, apesar da recessão econômica.
  5. EAs palavras - catástrofe, enrosco e derrocada - evidenciam que os grupos editoriais poderão sair da crise, com a ajuda dos bancos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — As palavras - esperança e florescimento - sinalizam um cenário promissor para os grupos editoriais saírem da crise.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Significação contextual: as palavras em destaque e a tese do texto

Gabarito: letra B. A alternativa correta é a única que separa corretamente os campos semânticos das palavras em destaque: esperança e florescimento apontam para um cenário promissor — exatamente o que o texto defende ao final, quando apresenta o preço fixo do livro como a saída para a crise. As demais alternativas misturam os sentidos ou extrapolam o que o texto afirma.

A questão pede que você relacione o sentido contextual de cada palavra destacada com a tese global do texto. O texto começa descrevendo a crise das livrarias (Saraiva e Cultura), mas termina com uma esperança: a criação do preço fixo do livro, que permitiria o florescimento das livrarias independentes. Veja a passagem que ancora a resposta:

“Mas há uma esperança para os editores do país: o preço fixo do livro.”

E, logo adiante:

“Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes.”

Aqui, esperança e florescimento estão no mesmo campo semântico: ambos expressam perspectiva positiva, de superação da crise. As outras palavras — catástrofe, enrosco, derrocada — pertencem ao campo da crise, do problema. A banca quer ver se você percebe essa divisão de sentidos.

Palavras em destaque
  • 1Campo negativo (crise)
    • Catástrofe
    • Enrosco
    • Derrocada
  • 2Campo positivo (superação)
    • Esperança
    • Florescimento
      • Preço fixo do livro
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que todas as palavras em destaque apresentam compatibilidade de sentido com a ideia contida no título “Página infeliz”. Isso é falso: esperança e florescimento não são compatíveis com a ideia de infelicidade; ao contrário, expressam otimismo e perspectiva de melhora. O texto, ao final, aponta o preço fixo como uma saída para a crise, o que contraria a ideia de uma “página infeliz” generalizada. A alternativa generaliza indevidamente, atribuindo a todas as palavras um sentido negativo que só se aplica a catástrofe, enrosco e derrocada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que esperança e florescimento sinalizam um cenário promissor para os grupos editoriais saírem da crise. Isso está diretamente ancorado no texto:

“Mas há uma esperança para os editores do país: o preço fixo do livro.”

“Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes.”

Esperança e florescimento são sinônimos contextuais de perspectiva positiva: a esperança é a crença na superação da crise; o florescimento é o resultado dessa superação. A alternativa é uma paráfrase fiel do que o texto afirma, sem acrescentar nem restringir nada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que enrosco, florescimento e esperança atestam a problemática vivida pelos grandes grupos editoriais. Isso é contraditório: florescimento e esperança não atestam problemática; expressam solução e otimismo. O texto usa enrosco para descrever a crise da Livraria Cultura, mas esperança e florescimento aparecem justamente como antídotos à crise. A alternativa mistura campos semânticos opostos, tratando palavras positivas como se fossem negativas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que todas as palavras em destaque expressam a ideia de que o mercado editorial está em alta, apesar da recessão. Isso é falso: catástrofe, enrosco e derrocada expressam crise, problema, declínio — não alta. O texto, inclusive, diz que o cenário de derrocada está em descompasso com as vendas em alta, mas isso não faz com que as palavras negativas virem positivas. A alternativa generaliza indevidamente, atribuindo a todas as palavras um sentido positivo que só se aplica a esperança e florescimento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que catástrofe, enrosco e derrocada evidenciam que os grupos editoriais poderão sair da crise com a ajuda dos bancos. Isso é extrapolação: o texto menciona que a Livraria Cultura pegou dinheiro emprestado com bancos, mas não afirma que isso resolverá a crise. Pelo contrário, o texto aponta o preço fixo do livro como a esperança de superação, não os bancos. A alternativa acrescenta informação que não está no texto, criando uma relação de causa e consequência inexistente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a generalização indevida (A e D) e a extrapolação (E), além da mistura de campos semânticos (C). A correta (B) é a única que separa os sentidos positivos dos negativos, como o texto faz.

PEGA ESSA DICA!

Ao relacionar palavras com a tese do texto, separe-as por campo semântico (positivo × negativo) e confira se a alternativa não acrescenta causas ou consequências que o texto não menciona. Palavras como “todas” e “sempre” são alerta de generalização.

Gabarito: letra B.

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