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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu054607
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Jornalista

Página infeliz


            O mercado editorial no Brasil nunca pareceu tão próximo de uma catástrofe - com as duas principais redes de livrarias do país, Saraiva e Cultura, em uma crise profunda, reduzindo o número de lojas e com dívidas que parecem sem fim.

            Líder do mercado, a Saraiva, que já acumula atrasos de pagamentos a editores nos últimos anos, anunciou nesta semana o fechamento de 20 lojas. Em nota, a rede afirma que a medida tem a ver com “desafios econômicos e operacionais”, além de uma mudança na “dinâmica do varejo”.

            Na semana anterior, a Livraria Cultura entrou em recuperação judicial. No pedido à Justiça, a rede afirma acumular prejuízos nos últimos quatro anos, ter custos que só crescem e vendas menores. Mesmo assim, diz a petição enviada ao juiz, não teria aumentado seus preços.

            O enrosco da Cultura está explicado aí. Diante da crise, a empresa passou a pegar dinheiro emprestado com os bancos - o tamanho da dívida é de R$ 63 milhões.

        Com os atrasos nos pagamentos das duas redes, editoras já promoveram uma série de demissões ao longo dos últimos dois anos.

            O cenário de derrocada, contudo, parece estar em descompasso com os números de vendas. Desde o começo do ano, os dados compilados pela Nielsen, empresa de pesquisa de mercado, levantados a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, mostravam que o meio livreiro vinha dando sinais de melhoras pela primeira vez, desde o início da recessão econômica que abala o país. 

            Simone Paulino, da Nós, editora independente de São Paulo, enxerga um descompasso entre as vendas em alta e a crise. Nas palavras dela, “um paradoxo assustador.” A editora nunca vendeu tanto na Cultura quanto nesses últimos seis meses”, diz. E é justamente nesse período que eles não têm sido pagos.

            “O modelo de produção do livro é muito complicado. Você investe desde a compra do direito autoral ou tradução e vai investindo ao longo de todo o processo. Na hora que você deveria receber, esse dinheiro não volta”, diz Paulino. 

            “Os grandes grupos têm uma estrutura de advogados que vão ter estratégia para tentar receber. E para os pequenos? O que vai acontecer?” 

            Mas há uma esperança para os editores do país: o preço fixo do livro. Diante do cenário de crise, a maior parte dos editores aposta em uma carta tirada da manga no apagar das luzes do atual governo - a criação, no país, do preço fixo do livro - norma a ser implantada por medida provisória - nos moldes de boa parte de países europeus, como França e Alemanha. 

            Os editores se inspiram no pujante mercado europeu. Por lá, o preço fixo existe desde 1837, quando a Dinamarca criou a sua lei limitando descontos, abolida só em 2001. A crença é a de que a crise atual é em parte causada pela guerra de preço. Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes.

(Folha de S. Paulo, 03.11.2018. Adaptado)

Se a norma do preço fixo fosse aprovada no país,
  1. Aas livrarias independentes seriam mais competitivas diante dos maiores grupos.
  2. Bas grandes redes desnivelariam o mercado e poderiam lucrar ainda mais.
  3. Co Brasil se tornaria um país leitor, como França, Dinamarca e Alemanha.
  4. Das livrarias evitariam os prejuízos que vêm enfrentando por causa da crise.
  5. Ea leitura teria mais dinamismo no país e a guerra de preço seria eliminada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — as livrarias independentes seriam mais competitivas diante dos maiores grupos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Consequência da aprovação do preço fixo do livro

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto: o autor afirma que unificar o valor de capa "permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes". Ou seja, com o preço fixo, as livrarias independentes ficariam mais competitivas diante dos grandes grupos — exatamente o que a letra A diz. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem o que ele afirma.

A questão pede uma inferência ("Se a norma do preço fixo fosse aprovada no país, ..."), ou seja, uma consequência lógica do que o texto afirma. A resposta não está literal, mas é dedução ancorada em pistas do próprio texto. Vamos ver cada alternativa.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto, no último parágrafo, afirma:

"Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes."

A alternativa A parafraseia essa passagem: "as livrarias independentes seriam mais competitivas diante dos maiores grupos". "Competir de forma mais justa" = "ser mais competitivas"; "grandes redes" = "maiores grupos". É uma paráfrase fiel, sem acrescentar nada que o texto não diga.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que as grandes redes "desnivelariam o mercado e poderiam lucrar ainda mais". O texto diz exatamente o oposto: o preço fixo faria as independentes competirem "de forma mais justa" com as grandes redes, ou seja, nivelaria o mercado, não o desnivelaria. Não há nenhuma menção a lucro maior das grandes redes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona França, Dinamarca e Alemanha apenas como exemplos de países que adotam o preço fixo — não diz que o Brasil se tornaria um "país leitor" como eles. A ideia de "país leitor" é uma conclusão que o texto não autoriza; ele fala em florescimento das livrarias, não em hábito de leitura da população.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que o preço fixo permitiria às independentes competir de forma mais justa, mas não afirma que "evitaria os prejuízos" que as livrarias vêm enfrentando. A palavra "evitariam" é absoluta e o texto não garante que a norma eliminaria os prejuízos — apenas que melhoraria a competição. É uma generalização indevida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona que a crise é "em parte causada pela guerra de preço" e que o preço fixo permitiria competição mais justa, mas não diz que a leitura "teria mais dinamismo" nem que a guerra de preço seria "eliminada". "Eliminada" é um termo absoluto que o texto não sustenta — ele fala em "guerra de preço" como causa parcial, não como algo que desapareceria por completo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de extrapolar consequências que o texto não afirma. As alternativas C, D e E acrescentam ideias ("país leitor", "evitariam prejuízos", "eliminada") que não estão no texto. A correta é a que apenas parafraseia a consequência explicitamente prevista.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, desconfie de palavras absolutas como "sempre", "nunca", "todos", "eliminada", "evitariam". O texto raramente sustenta generalizações tão fortes. A resposta certa costuma ser a que reescreve com outras palavras uma ideia que o texto de fato apresenta.

Gabarito: letra A.

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