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Questão de Português — Pontuação — VUNESP 2019

PortuguêsPontuação
Código
vu054655
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Pedagogo

                                            Página infeliz


      O mercado editorial no Brasil nunca pareceu tão próximo de uma catástrofe – com as duas principais redes de livrarias do país, Saraiva e Cultura, em uma crise profunda, reduzindo o número de lojas e com dívidas que parecem sem fim.

      Líder do mercado, a Saraiva, que já acumula atrasos de pagamentos a editores nos últimos anos, anunciou nesta semana o fechamento de 20 lojas. Em nota, a rede afirma que a medida tem a ver com “desafios econômicos e operacionais”, além de uma mudança na “dinâmica do varejo”.

      Na semana anterior, a Livraria Cultura entrou em recuperação judicial. No pedido à Justiça, a rede afirma acumular prejuízos nos últimos quatro anos, ter custos que só crescem e vendas menores. Mesmo assim, diz a petição enviada ao juiz, não teria aumentado seus preços.

      O enrosco da Cultura está explicado aí. Diante da crise, a empresa passou a pegar dinheiro emprestado com os bancos – o tamanho da dívida é de R$ 63 milhões.

      Com os atrasos nos pagamentos das duas redes, editoras já promoveram uma série de demissões ao longo dos últimos dois anos.

      O cenário de derrocada, contudo, parece estar em descompasso com os números de vendas. Desde o começo do ano, os dados compilados pela Nielsen, empresa de pesquisa de mercado, levantados a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, mostravam que o meio livreiro vinha dando sinais de melhoras pela primeira vez, desde o início da recessão econômica que abala o país.

       Simone Paulino, da Nós, editora independente de São Paulo, enxerga um descompasso entre as vendas em alta e a crise. Nas palavras dela, “um paradoxo assustador.” A editora nunca vendeu tanto na Cultura quanto nesses últimos seis meses”, diz. E é justamente nesse período que eles não têm sido pagos.

      “O modelo de produção do livro é muito complicado. Você investe desde a compra do direito autoral ou tradução e vai investindo ao longo de todo o processo. Na hora que você deveria receber, esse dinheiro não volta”, diz Paulino.

      “Os grandes grupos têm uma estrutura de advogados que vão ter estratégia para tentar receber. E para os pequenos? O que vai acontecer?”

      Mas há uma esperança para os editores do país: o preço fixo do livro. Diante do cenário de crise, a maior parte dos editores aposta em uma carta tirada da manga no apagar das luzes do atual governo – a criação, no país, do preço fixo do livro – norma a ser implantada por medida provisória – nos moldes de boa parte de países europeus, como França e Alemanha.

      Os editores se inspiram no pujante mercado europeu. Por lá, o preço fixo existe desde 1837, quando a Dinamarca criou a sua lei limitando descontos, abolida só em 2001. A crença é a de que a crise atual é em parte causada pela guerra de preço. Unificar o valor de capa permitiria um florescimento das livrarias independentes, uma vez que elas competiriam de forma mais justa com as grandes redes.

                                                          (Folha de S. Paulo, 03.11.2018. Adaptado)

Assinale a alternativa em que as duas primeiras barras da frase devem ser substituídas por vírgulas, e a terceira, por dois-pontos.
  1. ANa tentativa de recuperar/ o mercado livreiro os editores se inspiram no mercado europeu para adotar lei criada/ na Dinamarca/ a fixação do preço fixo do livro.
  2. BNa tentativa de recuperar o mercado livreiro os editores/ se inspiram no mercado europeu/ para adotar lei criada na Dinamarca/ a fixação do preço fixo do livro.
  3. CNa tentativa de recuperar o mercado livreiro os editores/ se inspiram no mercado europeu para adotar/ lei criada na Dinamarca/ a fixação do preço fixo do livro.
  4. DNa tentativa de recuperar o mercado livreiro/ os editores se inspiram no mercado europeu/ para adotar lei criada na Dinamarca/ a fixação do preço fixo do livro.
  5. ENa tentativa/ de recuperar o mercado livreiro os editores se inspiram/ no mercado europeu para adotar lei criada na Dinamarca/ a fixação do preço fixo do livro.
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GabaritoD — Na tentativa de recuperar o mercado livreiro/ os editores se inspiram no mercado europeu/ para adotar lei criada na Dinamarca/ a fixação do preço fixo do livro.

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Pontuação: vírgulas e dois-pontos em oração com adjunto adverbial e aposto

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que as duas primeiras barras devem virar vírgulas e a terceira, dois-pontos, porque a primeira barra isola o adjunto adverbial deslocado "Na tentativa de recuperar o mercado livreiro", a segunda isola o aposto explicativo "para adotar lei criada na Dinamarca" e a terceira introduz o esclarecimento "a fixação do preço fixo do livro". A estrutura correta é: Na tentativa de recuperar o mercado livreiro, os editores se inspiram no mercado europeu, para adotar lei criada na Dinamarca: a fixação do preço fixo do livro.

A questão exige aplicar as regras de pontuação a uma frase construída a partir do texto-base. O comando pede que se identifique onde a vírgula é obrigatória (adjunto adverbial deslocado e aposto) e onde os dois-pontos são adequados (introduzir explicação/esclarecimento). Vamos analisar cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A primeira barra está correta (isola o adjunto adverbial), mas a segunda barra, entre "lei criada" e "na Dinamarca", separa o substantivo de seu adjunto adnominal — proibido pela norma. A terceira barra, entre "Dinamarca" e "a fixação", poderia ser dois-pontos, mas a segunda já invalida a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A primeira barra, entre "editores" e "se inspiram", separa o sujeito do verbo — uso proibido. A segunda barra, entre "europeu" e "para adotar", separa o verbo de seu complemento, também proibido. A terceira barra, entre "Dinamarca" e "a fixação", poderia ser dois-pontos, mas as anteriores já invalidam.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A primeira barra, entre "editores" e "se inspiram", separa o sujeito do verbo — proibido. A segunda barra, entre "adotar" e "lei criada", separa o verbo de seu objeto direto — proibido. A terceira barra, entre "Dinamarca" e "a fixação", poderia ser dois-pontos, mas as anteriores já invalidam.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A primeira barra, após "mercado livreiro", isola o adjunto adverbial deslocado "Na tentativa de recuperar o mercado livreiro" — uso obrigatório de vírgula. A segunda barra, após "mercado europeu", isola o aposto explicativo "para adotar lei criada na Dinamarca" — também obrigatório. A terceira barra, após "Dinamarca", introduz o esclarecimento "a fixação do preço fixo do livro" — uso típico de dois-pontos. A frase pontuada corretamente é: Na tentativa de recuperar o mercado livreiro, os editores se inspiram no mercado europeu, para adotar lei criada na Dinamarca: a fixação do preço fixo do livro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A primeira barra, entre "tentativa" e "de recuperar", separa o substantivo de seu complemento — proibido. A segunda barra, entre "se inspiram" e "no mercado europeu", separa o verbo de seu adjunto adverbial — proibido. A terceira barra, entre "Dinamarca" e "a fixação", poderia ser dois-pontos, mas as anteriores já invalidam.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os usos da vírgula: ela é obrigatória para isolar adjunto adverbial deslocado e aposto, mas proibida para separar sujeito de verbo, verbo de complemento ou substantivo de adjunto adnominal. As alternativas erradas colocam a vírgula exatamente nesses lugares proibidos.

PEGA ESSA DICA!

Identifique primeiro a função sintática dos termos: se for adjunto adverbial deslocado ou aposto, a vírgula é obrigatória; se for sujeito, verbo ou complemento, é proibida. Os dois-pontos, por sua vez, introduzem explicação, enumeração ou citação.

Gabarito: letra D

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