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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2019

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu055533
Banca
VUNESP
Órgão
IPREMM - SP
Ano
2019
Nível
Superior

      Depois do vazio deixado pela Cynira, passei a dar mais valor ao contato com os três netos. Senti-me como o procurador da consorte, que tanto queria acompanhar a evolução da vida dos meninos. Ao mesmo tempo, eles se aproximaram mais de mim, agora que sou o único avô sobrevivente.

      Conversamos, com frequência, sobre opções profissionais. Quando menino, Miguel parecia inclinado a estudar Direito, tal sua obsessão pelos direitos individuais. Toda vez que alguém da família contava uma história de dano produzido por alguém, Miguel proclamava: “Processa!”

     Certa vez, quando subíamos a escadaria de uma livraria da cidade, disse a ele que não me sentia seguro e que, se tomasse um tombo, não poderia processar ninguém, pois a fragilidade era minha.

      “Como não?”, exclamou o Miguel. “Então para que existe o Estatuto do Idoso?”

      Em 2009 entrou na Psicologia da USP, tomado de paixão intelectual por Jung. Quanto ao Felipe, é mais pragmático e se prepara para entrar na faculdade de Economia. Só lhe digo para tomar cuidado com o salto alto, expressão que precisei explicar, pois o jovem, com todo o brilhantismo que lhe é peculiar, é jejuno em futebol.

      A surpresa veio do Antonio, carioca da gema, baladeiro, craque de bola no aterro do Flamengo. Sem abandonar essas atrações, o Antonio entrou no Direito da PUC-Rio e, para surpresa minha, está gostando do curso, com as amolações inevitáveis de sempre. Conversamos sobre questões do Direito, especialmente a área penal. Há dias, sintetizando um trecho do nosso diálogo, enunciei uma regra: Favorabilia ampliandaodiosa restringenda.*

      Não sei se ele entendeu.

(Boris Fausto. O brilho do bronzeum diário. Cosac Naify, 2014. Adaptado)


* “Ampliem-se as disposições favoráveis, restrinjam-se as desfavoráveis.” Princípio interpretativo do Direito, sobretudo na área das garantias individuais.

Assinale a alternativa em que a alteração da colocação do pronome mantém a conformidade com a norma-padrão.
  1. AMe senti como o procurador da consorte, que tanto queria acompanhar a evolução da vida dos meninos.
  2. BAo mesmo tempo, eles aproximaram-se mais de mim, agora que sou o único avô sobrevivente.
  3. C… disse a ele que não sentia-me seguro e que, se tomasse um tombo, não poderia processar ninguém…
  4. DSó digo-lhe para tomar cuidado com o salto alto, expressão que precisei explicar…
  5. E… o jovem, com todo o seu brilhantismo que é-lhe peculiar, é jejuno em futebol.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Ao mesmo tempo, eles aproximaram-se mais de mim, agora que sou o único avô sobrevivente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: a única alteração que preserva a norma-padrão

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que a alteração da colocação do pronome mantém a conformidade com a norma-padrão, pois a ênclise é facultativa quando o pronome vem após advérbio sem pausa — como em "eles aproximaram-se". As demais alternativas ou violam a próclise obrigatória (A, C, D) ou mantêm a próclise obrigatória (E), portanto não representam uma alteração válida.

A questão exige conhecimento das regras de colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise) e sua aplicação a reescrituras. O comando pede que se identifique a alternativa em que a alteração da posição do pronome mantém a norma-padrão — ou seja, a reescrita deve ser gramaticalmente aceitável, mesmo que diferente do original.

Regras essenciais de colocação pronominal

  • Próclise (pronome antes do verbo): obrigatória quando há palavra atrativa (advérbios, pronomes relativos, conjunções subordinativas, palavras negativas, pronomes indefinidos, etc.).

  • Ênclise (pronome depois do verbo): obrigatória quando o verbo inicia a oração (exceto em futuro do presente/pretérito, que usam mesóclise); facultativa após advérbio sem pausa.

  • Mesóclise (pronome no meio do verbo): usada com futuro do presente e futuro do pretérito, quando não há palavra atrativa.

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Obrigatória com palavra atrativa
      • Advérbio
      • Pronome relativo
      • Conjunção subordinativa
      • Palavra negativa
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Obrigatória quando o verbo inicia a oração
    • Facultativa após advérbio sem pausa
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente
    • Futuro do pretérito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Me senti como o procurador da consorte..."

A alteração coloca o pronome antes do verbo ("Me senti"), mas não há palavra atrativa que justifique a próclise. Na norma-padrão, não se inicia oração com pronome oblíquo átono; o correto seria "Senti-me". A alternativa viola a regra de que a ênclise é obrigatória quando o verbo inicia a oração.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Ao mesmo tempo, eles aproximaram-se mais de mim..."

Aqui, o pronome "se" foi deslocado para depois do verbo (ênclise). O advérbio "Ao mesmo tempo" (locução adverbial) não é palavra atrativa quando não há pausa imediata antes do verbo — a próclise seria facultativa, mas a ênclise também é aceita. Portanto, a alteração mantém a norma-padrão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"...disse a ele que não sentia-me seguro..."

A alteração coloca o pronome depois do verbo ("sentia-me"), mas há palavra atrativa antes: a conjunção subordinativa "que" e o advérbio "não". Com palavra atrativa, a próclise é obrigatória: "não me sentia". A ênclise aqui é inaceitável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Só digo-lhe para tomar cuidado..."

A alteração coloca o pronome depois do verbo ("digo-lhe"), mas há palavra atrativa antes: o advérbio "Só". Com palavra atrativa, a próclise é obrigatória: "Só lhe digo". A ênclise é inaceitável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...o jovem, com todo o seu brilhantismo que é-lhe peculiar..."

A alteração coloca o pronome depois do verbo ("é-lhe"), mas há palavra atrativa antes: o pronome relativo "que". Com palavra atrativa, a próclise é obrigatória: "que lhe é peculiar". A ênclise é inaceitável.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os casos de próclise obrigatória (após palavra atrativa) e os casos de ênclise facultativa (após advérbio sem pausa). A alternativa B parece "estranha" porque inverte a posição original, mas é a única gramaticalmente aceitável.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases, identifique primeiro se há palavra atrativa (advérbio, pronome relativo, conjunção, palavra negativa). Se houver, a próclise é obrigatória; se não houver, a ênclise é a regra (ou facultativa após advérbio).

Gabarito: letra B.

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