Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019
Português›Interpretação de Textos
Código
vu055796
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Barretos - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Leia o poema de Manoel de Barros para responder às questões de números 12 e 13.
O idioma das árvores
Eu queria aprender
O idioma das árvores.
Saber as canções do vento
Nas folhas da tarde.
Eu queria apalpar os perfumes do sol.
Sentado numa pedra
No mais alto do rochedo
Aquele gavião
Se achava principal:
Mais principal que todos.
Tem gente assim
(http://www.crianceiras.com.br, acessado em 06.09.2019)
Sobre o gavião, é possível considerar que, no conjunto do poema, a ave
Aé espécie agressiva e, sentado sobre uma pedra, está pronto para o ataque.
Bcompõe o painel dos seres vivos, mas nada representa no conjunto.
Crevela a intenção do eu lírico em dar uma lição de moral.
Dintegra o universo do eu lírico que, por ser solitário, vive nas alturas.
Epersonifica o esnobismo do ser humano, por isso está no alto do rochedo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — personifica o esnobismo do ser humano, por isso está no alto do rochedo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O gavião como personificação do esnobismo humano
Gabarito: letra E. No conjunto do poema, o gavião personifica o esnobismo do ser humano — a prova está na passagem em que a ave "Se achava principal: / Mais principal que todos", seguida do verso "Tem gente assim", que estabelece a comparação explícita entre o comportamento da ave e o de certas pessoas. A alternativa E é a única que capta essa transferência de traços humanos para o animal, recurso típico da personificação.
O comando pede uma interpretação ("é possível considerar que"), ou seja, exige que você vá além do sentido literal e perceba o que o gavião representa no poema. O eu lírico não descreve uma ave de rapina em seu comportamento biológico; ele a observa e a transforma em símbolo de uma atitude humana: a de se julgar superior aos demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o gavião é "espécie agressiva e, sentado sobre uma pedra, está pronto para o ataque". O texto não menciona agressividade nem intenção de ataque. O gavião está "Sentado numa pedra / No mais alto do rochedo", mas a ênfase recai sobre sua postura de autossuficiência ("Se achava principal"), não sobre qualquer comportamento predatório. Erro: extrapolação — acrescenta informação que não está no poema.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Dizer que o gavião "nada representa no conjunto" contradiz o texto. O gavião é justamente o elemento que ilustra a tese do eu lírico: ele "Se achava principal" e "Tem gente assim" — ou seja, ele representa o comportamento humano esnobe. Erro: contradiz o texto — o poema atribui ao gavião um papel simbólico central.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa sugere que o gavião "revela a intenção do eu lírico em dar uma lição de moral". O poema não tem tom moralizante; o eu lírico apenas observa e compara ("Tem gente assim"), sem julgar ou prescrever condutas. Não há lição de moral explícita ou implícita. Erro: acrescenta opinião — atribui ao eu lírico uma intenção que o texto não externa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o gavião "integra o universo do eu lírico que, por ser solitário, vive nas alturas". O texto não diz que o eu lírico é solitário nem que vive nas alturas. O eu lírico deseja "aprender o idioma das árvores" e "apalpar os perfumes do sol", mas isso não equivale a uma vida solitária nas alturas. Erro: extrapolação — projeta no eu lírico características que o poema não sustenta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta afirma que o gavião "personifica o esnobismo do ser humano, por isso está no alto do rochedo". O texto sustenta isso em dois momentos:
"Aquele gavião / Se achava principal: / Mais principal que todos."
"Tem gente assim"
O verbo "Se achava" indica autovalorização — o gavião se considera superior. A posição elevada ("No mais alto do rochedo") reforça essa superioridade simbólica. E o verso final "Tem gente assim" amarra a comparação: o comportamento do gavião é o mesmo de certas pessoas, que se julgam mais importantes que as outras — exatamente o sentido de esnobismo. A alternativa E é a única que ancora cada elemento no texto e capta a figura de linguagem (personificação) que estrutura o poema.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a leitura literal — o candidato que vê o gavião apenas como ave de rapina (agressiva, pronta para atacar) cai na alternativa A. A chave é perceber que o poema humaniza o gavião e o transforma em símbolo de um defeito humano.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação de poema, grife os verbos de percepção ("Se achava") e as comparações explícitas ("Tem gente assim") — elas costumam revelar o sentido figurado que a banca quer.