Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2019
Português›Denotação e Conotação
Código
vu056316
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Ibaté - SP
Ano
2019
Nível
Médio
Leia o texto para responder à questão.
Dieta salvadora
O ser humano revelou-se capaz de dividir o átomo, derrotar o câncer e produzir um “Dom Quixote”. Só não consegue
dar um destino razoável ao lixo que produz. E não se contenta
em brindar os mares, rios e lagoas com seus próprios dejetos.
Intoxica-os também com garrafas plásticas, pneus, computadores, sofás e até carcaças de automóveis. Tudo que perde o uso
é atirado num curso d’água, subterrâneo ou a céu aberto, que
se encaminha inevitavelmente para o mar. O resultado está nas
ilhas de lixo que se formam, da Guanabara ao Pacífico.
De repente, uma boa notícia. Cientistas da Grécia, Suíça,
Itália, China e dos Emirados Árabes descobriram em duas
ilhas gregas um micróbio marinho que se alimenta do carbono
contido no plástico jogado ao mar. Parece que, depois de
algum tempo ao sol e atacado pelo sal, o plástico, seja mole,
como o das sacolas, ou duro, como o das embalagens, fica
quebradiço – no ponto para que os micróbios, de guardanapo
ao pescoço, o decomponham e façam a festa. Os cientistas
estão agora criando réplicas desses micróbios, para que eles
ajudem os micróbios nativos a devorar o lixo. Haja estômago.
Em “A Guerra das Salamandras”, romance de 1936 do tcheco
Karel Čapek, um explorador descobre na costa de Sumatra uma
raça de lagartos gigantes, hábeis em colher pérolas e construir
diques submarinos. Em troca das pérolas que as salamandras
lhe entregam, ele lhes fornece facas para se defenderem dos
tubarões. O resto, você adivinhou: as salamandras se reproduzem, tornam-se milhões, ocupam os litorais, aprendem a falar e
inundam os continentes. Passam a ser bilhões e tomam o mundo.
Não quero dizer que os micróbios comedores de lixo
podem se tornar as salamandras de Čapek. É que, no livro, as
salamandras aprendem a gerir o mundo melhor do que nós.
Com os micróbios no comando, nossos mares, pelo
menos, estarão a salvo.
Assinale a alternativa em que a expressão destacada é empregada em sentido figurado.
AE não se contenta em brindar os mares, rios e lagoas…
BO ser humano revelou-se capaz de dividir o átomo…
CO resultado está nas ilhas de lixo que se formam…
D… descobriram em duas ilhas gregas um micróbio marinho…
EParece que, depois de algum tempo ao sol e atacado pelo sal…
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GabaritoA — E não se contenta em brindar os mares, rios e lagoas…
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Sentido figurado: a metáfora de "brindar" os mares
Gabarito: letra A. A expressão "brindar os mares, rios e lagoas" está em sentido figurado (conotativo), pois o verbo "brindar" é usado metaforicamente: o ser humano não oferece um brinde aos mares, mas sim os presenteia com lixo — uma ironia que só se entende pelo contexto. Como se lê no texto: "E não se contenta em brindar os mares, rios e lagoas com seus próprios dejetos". As demais alternativas empregam as palavras em sentido denotativo (literal, dicionarizado).
A chave da questão
O comando pede a alternativa em que a expressão destacada é empregada em sentido figurado. Isso é uma questão de conotação: a palavra foge do seu significado literal e ganha um novo sentido dependendo do contexto. Para resolver, você deve testar cada expressão: se ela pode ser entendida literalmente, é denotação; se exige uma interpretação figurada, é conotação.
No texto, o autor critica o descarte de lixo nos mares. Ao dizer que o ser humano "brinda" os mares com dejetos, ele usa o verbo "brindar" (que literalmente significa "oferecer um brinde, saudar") para dizer, com ironia, que o ser humano dá de presente o lixo aos mares. Nenhum mar recebe um brinde de verdade — a ação é figurada.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"E não se contenta em brindar os mares, rios e lagoas…"
O verbo "brindar" aqui não tem sentido literal de "fazer um brinde" ou "saudar". O contexto mostra que o autor quer dizer que o ser humano presenteia os mares com lixo, numa metáfora irônica. É o clássico caso de conotação: o sentido depende inteiramente do contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O ser humano revelou-se capaz de dividir o átomo…"
"Dividir o átomo" é uma ação literal e verificável: os cientistas realmente dividem átomos em reações nucleares. Não há desvio de sentido. É denotação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"O resultado está nas ilhas de lixo que se formam…"
Aqui, "ilhas de lixo" é uma expressão que, embora possa parecer metafórica, é usada em sentido próprio: o texto se refere a acúmulos reais de lixo que se formam nos oceanos, como as ilhas de plástico do Pacífico. O termo "ilha" é empregado para designar uma massa concreta de detritos, não um sentido figurado. Cuidado: a banca pode tentar confundir, mas o contexto confirma o sentido literal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"…descobriram em duas ilhas gregas um micróbio marinho…"
"Ilhas gregas" são ilhas de verdade, localizadas na Grécia. Sentido denotativo, sem qualquer figura de linguagem.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Parece que, depois de algum tempo ao sol e atacado pelo sal…"
"Ao sol" indica exposição real ao sol, e "atacado pelo sal" descreve o efeito químico do sal sobre o plástico. Ambos são usados em sentido literal. Não há conotação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de achar que qualquer expressão "diferente" é figurada. Em C, "ilhas de lixo" parece metáfora, mas o texto fala de acúmulos reais — é denotação. Já em A, "brindar" é a única que exige interpretação figurada.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar conotação, pergunte: "isso pode acontecer literalmente?" Se não pode, é figurado. "Brindar os mares" não pode acontecer de verdade; "dividir o átomo" pode.