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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu056808
Banca
VUNESP
Órgão
Semae de Piracicaba - SP
Ano
2019
Nível
Fundamental

Leia o trecho inicial da crônica de Moacyr Scliar para responder à questão.



Um dia na vida do cartão inteligente


“Preço menor viabiliza cartão inteligente.”

(Folha de S. Paulo, 26 ago.1999)


      Não eram ainda dez horas quando ele recebeu, pelo correio especial, o seu novo cartão inteligente. Foi com emoção que ele abriu o envelope – não tinha a menor ideia de como seria esse novo cartão, que, dizia a publicidade, inovava tudo o que se conhecia em matéria de cartões de crédito.

         E era diferente mesmo. Não apenas pelo formato – um pouco maior do que os cartões comuns – como também pelo mostrador, semelhante ao das calculadoras. Havia ali uma mensagem: “Bom dia. Sou o seu cartão inteligente. Aqui estou para lhe prestar todos os serviços de que necessite”.

        Entusiasmado, ele resolveu ir às compras. Foi ao shopping, passou por diversas lojas. De repente, avistou um belo paletó, um paletó importado, elegantíssimo. Entrou, experimentou. Caiu-lhe muito bem. Sacou do bolso o cartão inteligente e já ia entregá-lo ao vendedor, quando no mostrador apareceu uma mensagem: “Não compre esse paletó. Você não precisa dele. Você já tem muitos paletós e, além disso, o preço está exagerado. Não compre”.

       Perturbado, guardou o cartão no bolso, deu uma desculpa qualquer ao intrigado vendedor e bateu em retirada.

[...]


(O imaginário cotidiano. São Paulo, Global, 2013.)

Sendo uma obra ficcional, criada a partir de uma notícia do jornal Folha de S. Paulo, a crônica atribui ao cartão de crédito
  1. Aum processamento inteligente da informação com o intuito de estimular o consumismo.
  2. Buma inteligência característica dos humanos, o que deixa seu proprietário perplexo.
  3. Cpoderes especiais que o habilitam a realizar todas as vontades de seu proprietário.
  4. Dcaracterísticas equivalentes às dos cartões de crédito produzidos na atualidade.
  5. Ea habilidade de raciocinar como humano, o que lhe possibilita substituir seu proprietário.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — uma inteligência característica dos humanos, o que deixa seu proprietário perplexo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A inteligência humana do cartão na crônica de Scliar

Gabarito: letra B. A crônica atribui ao cartão uma inteligência característica dos humanos – ele julga, aconselha e contraria o desejo do dono –, o que deixa o proprietário perplexo, como se lê no trecho: “Perturbado, guardou o cartão no bolso, deu uma desculpa qualquer ao intrigado vendedor e bateu em retirada.” A passagem do cartão dizendo “Não compre esse paletó. Você não precisa dele” revela a humanização da máquina.

O comando da questão pede interpretação do texto ficcional: o que a crônica atribui ao cartão? A resposta mora no contraste entre a expectativa do personagem (um cartão que “presta todos os serviços”) e a realidade (um cartão que o desobedece e o deixa perturbado).


Alternativa A — ❌ Incorreta

“um processamento inteligente da informação com o intuito de estimular o consumismo.” O cartão faz exatamente o oposto: desestimula a compra. O texto mostra a mensagem “Não compre esse paletó. Você não precisa dele. [...] Não compre”. A banca contradiz o texto ao inverter o efeito.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“uma inteligência característica dos humanos, o que deixa seu proprietário perplexo.” O cartão age como um conselheiro moral, julga a necessidade da compra e o preço – característica tipicamente humana. O proprietário fica “perturbado” (sinônimo de perplexo), conforme o trecho final. A alternativa é uma paráfrase fiel do efeito narrado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“poderes especiais que o habilitam a realizar todas as vontades de seu proprietário.” Ao contrário: o cartão impede a vontade do dono. Não há menção a nenhum “poder” além de falar; o cartão não realiza desejos, ele os contraria. A banca extrapola ao atribuir uma capacidade que o texto não confere.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“características equivalentes às dos cartões de crédito produzidos na atualidade.” A crônica é ficcional e o cartão descrito (com mostrador, mensagens personalizadas) é diferente dos cartões reais. O texto não estabelece comparação com a atualidade; logo, a alternativa tangencia o tema e é genérica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“a habilidade de raciocinar como humano, o que lhe possibilita substituir seu proprietário.” O cartão raciocina, mas não substitui o proprietário. O dono continua presente e toma as decisões (ele desiste da compra, mas não é substituído). A afirmação de “substituir” é extrapolação – não há base textual para isso.


PEGA ESSA DICA!

Para questões de “atribuir”, procure no texto a ação ou efeito correspondente. Grife o que o cartão FEZ (falou, desaconselhou) e qual foi a REAÇÃO do personagem (perturbado). Isso elimina as alternativas que invertem o sentido.

Conclusão: A única alternativa que encontra sustento direto no texto é a B – o cartão é humanizado e deixa o dono perplexo. As demais ou contradizem, extrapolam ou tangenciam o que está narrado.

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