Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu056811
Banca
VUNESP
Órgão
Semae de Piracicaba - SP
Ano
2019
Nível
Fundamental
Leia o texto para responder à questão.
Velhos
Quando me queixo por algum pequeno mal-estar, o homem
com quem vivo diz: “Você está viva”. Significa: “Se você passa
algum tempo sobre esta terra, o material vai se desgastar. Quer
dizer que está viva: não reclame”. É uma filosofia pragmática
que acho inexplicável: eu, como quase todos, fui educada para
ser imortal.
Al Alvarez escreve em seu livro En el Estanque (diario de
un nadador): “Outro indício da velhice é a gratidão que sentimos diante de qualquer um que perceba que ainda temos
alguma importância”. Enquanto eu o lia, vi alguns filmes e
seriados que também tratam da velhice. Engenhos ficcionais
que falam de limitações físicas, do terror à morte e à doença.
Mas, na vida real, não falamos dessas coisas. Na verdade,
inventamos mais e melhores eufemismos para nos referir à
velhice: terceira idade, adultos idosos.
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde),
entre 2015 e 2050 a população mundial com mais de 60 anos
passará de 900 milhões a 2 bilhões de pessoas. Seremos
muitos, mas vamos em direção à velhice sem saber – sem
querer saber – como.
De acordo com a autora, a velhice é um tema que tem sido tratado com
Aexcessiva preocupação na sociedade atual.
Bmaior profundidade na ficção do que na vida real.
Cnegligência por ficcionistas na atualidade.
Dingenuidade por autores como Al Alvarez.
Eacentuada idealização e descaso pela OMS.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — maior profundidade na ficção do que na vida real.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A velhice na ficção e na vida real
Gabarito: letra B. A autora afirma que a velhice tem sido tratada com maior profundidade na ficção do que na vida real, como se lê no trecho: “Engenhos ficcionais que falam de limitações físicas, do terror à morte e à doença. Mas, na vida real, não falamos dessas coisas.” A alternativa B é uma paráfrase fiel desse contraste: a ficção aborda o tema com profundidade; a vida real, não.
A questão é de compreensão (o comando pede “de acordo com a autora”), ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, apenas reescrita com outras palavras. A chave está no conectivo “Mas”, que introduz a oposição entre o que a ficção faz e o que a vida real faz.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto não fala em “excessiva preocupação na sociedade atual”. Pelo contrário, a autora diz que “na vida real, não falamos dessas coisas” — ou seja, há omissão, não preocupação excessiva. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto afirma que os “engenhos ficcionais” (filmes, seriados, livros) falam de limitações físicas, do terror à morte e à doença, enquanto “na vida real, não falamos dessas coisas”. A alternativa parafraseia exatamente essa oposição: a ficção trata o tema com profundidade; a vida real, não. É a única inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto diz o oposto: os ficcionistas tratam da velhice (“Engenhos ficcionais que falam de limitações físicas...”). A alternativa contradiz o texto ao afirmar que há “negligência por ficcionistas”.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A autora cita Al Alvarez com apreço, reproduzindo uma frase dele como “indício da velhice” — não há qualquer juízo de “ingenuidade”. A alternativa acrescenta opinião que o texto não externa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A OMS é citada apenas para dados estatísticos (crescimento da população idosa), sem qualquer avaliação de “idealização e descaso”. A alternativa extrapola — atribui à OMS uma postura que o texto não menciona.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a oposição ficção × vida real. Cuidado para não inverter o contraste (como em C) ou atribuir ao texto opiniões que ele não dá (como em D e E).
PEGA ESSA DICA!
Grife o conectivo “Mas” — ele sinaliza a oposição central do texto. A resposta correta quase sempre está do lado que o autor defende, não no que ele apenas cita.