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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2019

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu056812
Banca
VUNESP
Órgão
Semae de Piracicaba - SP
Ano
2019
Nível
Fundamental
Leia o texto para responder à questão.


Velhos


      Quando me queixo por algum pequeno mal-estar, o homem com quem vivo diz: “Você está viva”. Significa: “Se você passa algum tempo sobre esta terra, o material vai se desgastar. Quer dizer que está viva: não reclame”. É uma filosofia pragmática que acho inexplicável: eu, como quase todos, fui educada para ser imortal.
        Al Alvarez escreve em seu livro En el Estanque (diario de un nadador): “Outro indício da velhice é a gratidão que sentimos diante de qualquer um que perceba que ainda temos alguma importância”. Enquanto eu o lia, vi alguns filmes e seriados que também tratam da velhice. Engenhos ficcionais que falam de limitações físicas, do terror à morte e à doença. Mas, na vida real, não falamos dessas coisas. Na verdade, inventamos mais e melhores eufemismos para nos referir à velhice: terceira idade, adultos idosos.
      De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), entre 2015 e 2050 a população mundial com mais de 60 anos passará de 900 milhões a 2 bilhões de pessoas. Seremos muitos, mas vamos em direção à velhice sem saber – sem querer saber – como.


(Leila Guerriero. https://brasil.elpais.com, 11.03.2019. Adaptado)
Ao afirmar “eu, como quase todos, fui educada para ser imortal”, a autora defende a ideia de que
  1. Aa busca da imortalidade é benéfica quando resulta na busca de saúde.
  2. Bas pessoas não deveriam se queixar de seus pequenos mal-estares.
  3. Ca perspectiva da morte não traz medo a quem reflete sobre a velhice.
  4. Do homem moderno aprendeu a se sentir importante mesmo na velhice.
  5. Ea mortalidade não costuma ser abordada na formação dos indivíduos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a mortalidade não costuma ser abordada na formação dos indivíduos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A mortalidade não costuma ser abordada na formação dos indivíduos

Gabarito: letra E. A frase “eu, como quase todos, fui educada para ser imortal” defende a ideia de que a mortalidade não costuma ser abordada na formação dos indivíduos — ou seja, as pessoas são educadas como se fossem imortais, sem que se fale abertamente sobre a velhice e a morte. A passagem que ancora essa leitura está no 1º parágrafo: “eu, como quase todos, fui educada para ser imortal”. O trecho seguinte confirma: “na vida real, não falamos dessas coisas” (referindo-se a limitações físicas, terror à morte e à doença).

A questão é de compreensão (o comando pede “defende a ideia de que”), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que o texto afirma, sem deduções externas. A alternativa E é a única que traduz exatamente o sentido da frase: a educação recebida pela autora (e por “quase todos”) não incluiu a consciência da mortalidade.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “a busca da imortalidade é benéfica quando resulta na busca de saúde”. O texto não faz essa relação. A autora apenas diz que foi educada para ser imortal, e isso é apresentado como uma crítica à forma como se evita falar da velhice — não como algo benéfico. A alternativa extrapola ao acrescentar um juízo de valor (“benéfica”) e uma consequência (“busca de saúde”) que não estão no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que “as pessoas não deveriam se queixar de seus pequenos mal-estares”. O texto não defende isso. O que aparece é a fala do companheiro da autora: “Você está viva”, que é uma filosofia pragmática que a autora diz achar “inexplicável”. A autora não concorda com essa visão; ela apenas a relata. A alternativa contradiz o texto ao atribuir à autora uma opinião que ela não externa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “a perspectiva da morte não traz medo a quem reflete sobre a velhice”. O texto diz o contrário: os “engenhos ficcionais” falam “do terror à morte e à doença”. A autora menciona esse terror como algo presente nas ficções, mas que não é falado na vida real. A alternativa contradiz o texto ao inverter a relação: o medo existe, mas é evitado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa diz que “o homem moderno aprendeu a se sentir importante mesmo na velhice”. O texto menciona a citação de Al Alvarez: “a gratidão que sentimos diante de qualquer um que perceba que ainda temos alguma importância”. Mas isso é uma observação sobre a velhice, não uma defesa de que o homem moderno aprendeu a se sentir importante. A alternativa tangencia o tema, mas não corresponde à ideia defendida pela autora na frase citada no enunciado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase “eu, como quase todos, fui educada para ser imortal” significa que a autora (e a maioria das pessoas) não foi educada para lidar com a mortalidade — foi educada como se fosse imortal. Isso é reforçado no 2º parágrafo: “na vida real, não falamos dessas coisas” (limitações físicas, terror à morte e à doença). A alternativa E é uma paráfrase fiel dessa ideia: a mortalidade não costuma ser abordada na formação dos indivíduos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — alternativas que acrescentam opiniões ou consequências que o texto não traz (A, B, D) e uma que inverte o sentido (C). A correta é a que não acrescenta nada além do que o texto afirma.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que tragam palavras como “benéfica”, “deveriam”, “aprendeu” — elas costumam embutir juízos de valor que o autor não externou. A resposta certa é a que reescreve o texto sem mudar o sentido.

Gabarito: letra E

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