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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu056829
Banca
VUNESP
Órgão
Semae de Piracicaba - SP
Ano
2019
Nível
Superior

                                Bom exemplo na saúde


      Os bons resultados que estão sendo obtidos por programa de parceria entre hospitais privados de ponta e hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) para reduzir a infecção hospitalar nestes últimos, como mostra reportagem do Estado, são um exemplo de que é possível melhorar o atendimento na rede pública com medidas simples e de custo relativamente baixo.

      Em um ano, o treinamento que profissionais de 119 unidades da rede pública de 25 Estados recebem em cinco hospitais privados de ponta já levou a uma redução de 23% das ocorrências de infecção hospitalar em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de três tipos principais: na corrente sanguínea, no trato urinário e na pneumonia associada à ventilação mecânica. Participam do treinamento não apenas médicos e enfermeiros, mas também – e este é um ponto importante – integrantes das diretorias dos hospitais para facilitar a adoção dos procedimentos como rotina.

      Os bons resultados do programa, observados em todas as regiões, levaram o Ministério da Saúde a fixar a meta ambiciosa de redução de 50% da infecção hospitalar na rede do SUS até 2020. Isso significará salvar 8500 vidas de pacientes de UTI. O programa também permitirá, segundo estimativa do Ministério, reduzir R$ 1,2 bilhão nos gastos com internação.

      Tudo isso sem fazer reformas e obras na rede pública, apenas redesenhando “o processo assistencial com os recursos disponíveis”, como diz a coordenadora-geral da iniciativa, Cláudia Garcia, do Hospital Albert Einstein. Além de fazer muito com poucos recursos, o alvo do programa foi bem escolhido, porque as infecções hospitalares estão entre as principais causas de mortes em serviços de saúde do mundo inteiro, segundo a Organização Mundial da Saúde.

      É preciso ter em mente, porém, que não se pode esperar demais de iniciativas desse tipo. Elas são importantes em qualquer circunstância – porque o bom emprego do dinheiro público, para dele sempre tirar o máximo, deve ser uma regra –, mas têm alcance limitado. Constituem um avanço, não mais do que isso.

                    (Editorial de 09.09.2018. https://opiniao.estadao.com.br. Adaptado)

Analisando-se os numerais empregados no texto, conclui-se que eles
  1. Aconstituem dados relevantes e fundamentam a argumentação favorável à iniciativa de parceria entre os sistemas de saúde.
  2. Bsão pouco expressivos na argumentação apresentada, considerando-se que não sinalizam para resultados auspiciosos.
  3. Corientam a argumentação para a ideia de se gastar menos com a saúde, devendo-se usar o dinheiro de forma menos criteriosa.
  4. Dcontrariam a ideia de que o país passa para uma crise econômica, já que se gasta muito em uma parceria entre os sistemas de saúde.
  5. Esinalizam informações da iniciativa sem, contudo, agregar elementos que mostrem se haverá uma redução de custo que a justifique.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — constituem dados relevantes e fundamentam a argumentação favorável à iniciativa de parceria entre os sistemas de saúde.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Numerais como dados argumentativos no texto

Gabarito: letra A. Os numerais do texto (119 unidades, 25 Estados, 23%, 50%, 8500 vidas, R$ 1,2 bilhão) constituem dados relevantes e fundamentam a argumentação favorável à iniciativa de parceria entre os sistemas de saúde, pois são usados como prova concreta dos bons resultados do programa. Como se lê no texto: "Em um ano, o treinamento que profissionais de 119 unidades da rede pública de 25 Estados recebem em cinco hospitais privados de ponta já levou a uma redução de 23% das ocorrências de infecção hospitalar em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)". Esses números sustentam a tese de que "é possível melhorar o atendimento na rede pública com medidas simples e de custo relativamente baixo".

A questão pede uma interpretação ("conclui-se") sobre a função argumentativa dos numerais, não uma análise morfológica isolada. A banca quer que você perceba que os dados numéricos não são decorativos: eles comprovam a eficácia do programa e embasam a defesa da parceria. Vamos ver cada alternativa.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque os numerais são dados relevantes que fundamentam a argumentação favorável à iniciativa. O texto usa números para quantificar resultados positivos: a redução de 23% das infecções, a meta de 50%, as 8500 vidas que serão salvas e a economia de R$ 1,2 bilhão. Esses dados provam que o programa funciona e justificam a defesa da parceria. Veja a passagem que ancora:

"Em um ano, o treinamento que profissionais de 119 unidades da rede pública de 25 Estados recebem em cinco hospitais privados de ponta já levou a uma redução de 23% das ocorrências de infecção hospitalar em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)"

Aqui, os números não são meros detalhes: eles comprovam a eficácia do programa. O texto ainda acrescenta: "Isso significará salvar 8500 vidas de pacientes de UTI" e "reduzir R$ 1,2 bilhão nos gastos com internação". Esses dados reforçam a tese de que a parceria é positiva e viável. Portanto, a alternativa A está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que os numerais são "pouco expressivos" e "não sinalizam para resultados auspiciosos". Isso contradiz o texto, que apresenta os números como evidência de sucesso. O texto diz: "já levou a uma redução de 23% das ocorrências de infecção hospitalar" — um resultado positivo. Além disso, a meta de 50% e a economia de R$ 1,2 bilhão são auspiciosas. A alternativa B inverte o sentido do texto, transformando dados favoráveis em desfavoráveis. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que os numerais "orientam a argumentação para a ideia de se gastar menos com a saúde, devendo-se usar o dinheiro de forma menos criteriosa". Há dois problemas: primeiro, o texto não defende gastar menos, mas sim usar melhor os recursos ("fazer muito com poucos recursos"); segundo, a expressão "menos criteriosa" é oposta à ideia de "bom emprego do dinheiro público". O texto diz: "o bom emprego do dinheiro público, para dele sempre tirar o máximo, deve ser uma regra". Portanto, a alternativa C distorce a tese. Erro: contradiz o texto e acrescenta opinião.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que os numerais "contrariam a ideia de que o país passa por uma crise econômica, já que se gasta muito em uma parceria". O texto não menciona crise econômica nem afirma que se gasta muito. Pelo contrário, destaca que o programa é de "custo relativamente baixo" e que "não se pode esperar demais de iniciativas desse tipo". A alternativa D extrapola ao introduzir um tema (crise) que não está no texto. Erro: extrapolação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que os numerais "sinalizam informações da iniciativa sem, contudo, agregar elementos que mostrem se haverá uma redução de custo que a justifique". Isso é falso, pois o texto explicitamente afirma que o programa "permitirá, segundo estimativa do Ministério, reduzir R$ 1,2 bilhão nos gastos com internação". Ou seja, há sim uma redução de custo quantificada. A alternativa E ignora essa informação. Erro: contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que os números são apenas informativos ou desfavoráveis, quando na verdade eles são a espinha dorsal da argumentação. Fique atento: dados numéricos em textos argumentativos quase sempre comprovam a tese.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma questão sobre a função de dados numéricos, pergunte-se: "esses números apoiam ou enfraquecem a tese do autor?" No texto, eles apoiam — mostram resultados positivos e economia.

Gabarito: letra A.

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