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Questão de Português — Regência — VUNESP 2019

PortuguêsRegência
Código
vu056877
Banca
VUNESP
Órgão
Transerp - SP
Ano
2019
Nível
Superior
Leia o texto para responder à questão.

Sedentários bem alimentados

    Pela primeira vez na história de nossa espécie, foi-nos oferecida a possibilidade de comer à larga em todas as refeições e de ganhar a vida sentados o dia inteiro. Obesidade e sedentarismo se tornaram as principais epidemias nos países de renda média e alta, nos quais a praga mortífera do tabagismo começa a ser a duras penas controlada.
    Na esteira dessas duas pandemias, caminham a passos apressados hipertensão arterial, diversos tipos de câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, problemas ortopédicos, articulares, renais e outras complicações que sobrecarregam o sistema de saúde, encarecem o atendimento e fazem sofrer milhões de pessoas. Nas capitais, 19% dos brasileiros adultos estão obesos e outros 35% têm sobrepeso, ou seja, menos da metade da população cai na faixa do peso considerado saudável.
    Na contramão de outros ramos da economia, a incorporação de tecnologia na área médica aumenta o custo do produto final. A assistência a uma população que envelhece mal como a brasileira exigirá recursos de que não dispomos no SUS nem na saúde suplementar.
    Esperar as pessoas adoecerem para tratá-las em hospitais e unidades de pronto atendimento é política suicida. Não há saída: ou investimos na prevenção ou, cada vez mais, só os privilegiados terão acesso à medicina moderna.
    Nos anos 1960, cerca de 60% dos nossos adultos fumavam, hoje não passam de 10%. Se conseguimos resultado tão impressionante com a dependência química mais feroz que a medicina conhece, não é impossível convencer mulheres, crianças e homens a comer um pouco menos e a andar míseros 40 minutos num dia de 24 horas.
(Drauzio Varella. Folha de S. Paulo, 11.11.2018.
www.folha.uol.com.br. Adaptado) 
Atendendo às regras de regência verbal e de colocação pronominal da norma-padrão da língua, a expressão destacada em “recursos de que não dispomos no SUS nem na saúde suplementar” pode ser substituída por
  1. Aque não nos ofertam.
  2. Bque não ofertam-nos.
  3. Cde que não nos ofertam.
  4. Dde que não ofertam-nos.
  5. Eem que não ofertam-nos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — que não nos ofertam.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência e colocação pronominal com o verbo "ofertar"

Gabarito: letra A. A expressão original "recursos de que não dispomos" baseia-se no verbo "dispor" (rege a preposição "de"). Já o verbo "ofertar" é transitivo direto — não pede nenhuma preposição antes do objeto direto — e, em orações adjetivas com o pronome relativo "que", a norma-padrão exige próclise do pronome oblíquo átono. A única alternativa que respeita ambos os pontos é A.

Trecho original: "recursos de que não dispomos no SUS nem na saúde suplementar"

Método de resolução

A questão testa duas regras simultâneas: (1) a regência do verbo usado na substituição e (2) a colocação do pronome oblíquo em relação ao verbo quando há um pronome relativo.

  • Regência: O verbo "ofertar" significa "oferecer" e exige complemento direto (sem preposição). Portanto, a construção deve ser "recursos que não ofertam" (objeto direto), e não "de que..." ou "em que...".

  • Colocação pronominal: Pronomes relativos (como "que") são palavras atrativas que obrigam a próclise — o pronome deve vir antes do verbo. Assim, o correto é "que não nos ofertam", e não "que não ofertam-nos".

1Regência
Sem preposição
"de que" (errado)
2Colocação pronominal
Próclise (antes do verbo)
Ênclise (depois do verbo)
3Palavra atrativa
Pronome relativo "que"
Próclise obrigatória
Verbo "ofertar" (transitivo direto)
LEVELsoulevel.com.br
Verbo "ofertar" (transitivo direto): Regência (Sem preposição, "de que" (errado)); Colocação pronominal (Próclise (antes do verbo), Ênclise (depois do verbo)); Palavra atrativa (Pronome relativo "que", Próclise obrigatória)

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"que não nos ofertam"

Respeita a regência (sem preposição antes de "que", pois o verbo é transitivo direto) e a colocação (próclise obrigatória diante do relativo "que"). Corresponde exatamente ao que a norma-padrão exige.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"que não ofertam-nos"

O erro está na colocação: o pronome relativo "que" atrai o pronome para antes do verbo (próclise). A ênclise "ofertam-nos" é gramaticalmente inaceitável nesse contexto. A regência, porém, está correta (sem preposição).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"de que não nos ofertam"

Embora a colocação esteja correta (próclise), a regência está errada. O verbo "ofertar" não rege a preposição "de"; o correto é usar apenas "que". A presença de "de" torna a alternativa inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"de que não ofertam-nos"

Acumula dois erros: regência (preposição indevida "de") e colocação (ênclise diante de pronome relativo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"em que não ofertam-nos"

Também duplamente errada: regência (preposição "em" não é exigida por "ofertar") e colocação (ênclise).

🎯 Pegadinha

A banca explora duas armadilhas clássicas:

  • Troca da regência: o candidato pode manter a preposição "de" (usada no original com "dispor") e aplicá-la indevidamente a "ofertar".

  • Troca da colocação: a posição do pronome após o verbo parece natural na fala coloquial, mas a norma exige próclise na presença do relativo "que".

💡 Dica

Ao substituir um verbo por outro, verifique sempre a regência do novo verbo — não copie a preposição do original. Além disso, lembre-se: pronomes relativos (que, quem, onde, cujo) são palavras atrativas que obrigam a próclise.

Gabarito: letra A

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