Um dos principais fatores a dificultar a retomada da economia nos últimos anos tem sido a exasperante letargia da
criação de empregos. Apesar da elevada informalidade no
mercado, há sinais de que a situação pode melhorar adiante.
Dados recém-divulgados mostraram a criação líquida de
157,2 mil vagas com carteira assinada em setembro, no resultado mais positivo para o mês desde 2013. Outra novidade é
a geração em todos os principais setores, incluindo os mais
atingidos pela crise, como a construção civil.
É verdade que os dados totais do mercado de trabalho,
coletados pelo IBGE, contam uma história menos favorável.
Mostra-se a criação de 1,84 milhão de vagas no período de
12 meses até agosto, com prevalência de ocupações na
maior parte mais precárias (95% delas sem carteira ou por
conta própria).
Nada menos que 41% da população ocupada está na
informalidade, e outras cifras suscitam preocupação. A taxa
de desemprego tem caído lentamente – na média do trimestre
junho-agosto foram 11,8%, ante 12,1% no período correspondente do ano passado. A desocupação ainda atinge
12,6 milhões de brasileiros.
Embora o desempenho recente recomende cautela, os
indícios são de continuidade na abertura de postos de trabalho.
Uma coletânea de fatores pode impulsionar gradualmente a
economia.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.10.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a concordância está em conformidade com a norma-padrão.
AParcela expressiva das pessoas ocupada está na informalidade, segundo o IBGE.
BFoi criada bastante vagas no período de 12 meses até agosto, mas precárias na maioria.
CÉ bom ao país a queda lenta da taxa de desemprego de 11,8% em julho-agosto de 2019.
DHouve pouco oscilação na taxa de desemprego, que atinge 12,6 milhões de brasileiros.
EHá meia verdade na análise do resultado mais positivo para setembro desde 2013.
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GabaritoE — Há meia verdade na análise do resultado mais positivo para setembro desde 2013.
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Concordância verbal e nominal: a norma-padrão em jogo
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que respeita a norma-padrão: "Há meia verdade" — o verbo haver no sentido de "existir" é impessoal e fica no singular, e "meia" é advérbio (equivale a "não totalmente"), portanto invariável. A banca cobra exatamente esse caso: a forma correta é "meia verdade" (sem concordância), e não "meio verdade" ou "meia" como adjetivo.
A questão pede que você identifique a frase em que a concordância (verbal e nominal) está de acordo com a norma culta. Vamos analisar cada alternativa, apontando o erro específico e a regra que o condena.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: concordância nominal com expressão partitiva.
"Parcela expressiva das pessoas ocupada está na informalidade, segundo o IBGE."
O adjetivo "ocupada" deveria concordar com "pessoas" (núcleo do adjunto adnominal preposicionado), e não com "parcela". A regra: em expressões partitivas ("parcela de", "parte de", "a maioria de"), o adjetivo pode concordar com o núcleo da expressão ou com o termo preposicionado, mas a concordância mais natural e preferida pela norma culta é com o termo mais próximo, que aqui é "pessoas". Portanto, o correto seria "pessoas ocupadas". A alternativa erra ao fazer o adjetivo concordar com "parcela", gerando incoerência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: concordância verbal com sujeito posposto.
"Foi criada bastante vagas no período de 12 meses até agosto, mas precárias na maioria."
O verbo "criar" deve concordar com o sujeito "vagas" (plural), mesmo estando posposto. O correto é "Foram criadas bastantes vagas". Além disso, "bastante" aqui é pronome indefinido (equivale a "muitas") e deve concordar com o substantivo: "bastantes vagas". A alternativa erra duplamente: no verbo (singular em vez de plural) e no pronome (invariável em vez de plural).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: concordância nominal do predicativo com sujeito feminino.
"É bom ao país a queda lenta da taxa de desemprego de 11,8% em julho-agosto de 2019."
O predicativo "bom" refere-se ao sujeito "a queda" (feminino), portanto deve concordar: "É boa a queda". A regra: quando o sujeito é um substantivo feminino, o predicativo concorda em gênero. A alternativa mantém "bom" no masculino, o que viola a concordância nominal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: concordância nominal do pronome indefinido "pouco".
"Houve pouco oscilação na taxa de desemprego, que atinge 12,6 milhões de brasileiros."
"Pouco" deve concordar com o substantivo feminino "oscilação": "pouca oscilação". O verbo "houve" está correto (impessoal, no sentido de "existir"), mas o pronome indefinido "pouco" foi usado como invariável, o que é inadequado. A alternativa erra apenas na concordância nominal.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Acerto: verbo impessoal "haver" + advérbio invariável "meia".
"Há meia verdade na análise do resultado mais positivo para setembro desde 2013."
O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e fica sempre no singular: "Há" (correto). Já "meia" é advérbio (equivale a "não totalmente") e, como advérbio, é invariável: "meia verdade" (não "meio verdade" nem "meia" como adjetivo). A alternativa respeita ambas as regras, sendo a única plenamente correta.
Conclusão: a banca pede a alternativa em que a concordância está conforme a norma-padrão. A única que atende é a letra E, pois combina o verbo impessoal "haver" no singular com o advérbio invariável "meia". As demais apresentam erros de concordância nominal ou verbal, como vimos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "meio" (advérbio, invariável) e "meia" (adjetivo, variável). Muitos candidatos marcam "meio verdade" por acharem que "meio" é o correto, mas a forma padrão é "meia verdade".
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar concordância, identifique primeiro a classe da palavra: advérbios são invariáveis, adjetivos e pronomes indefinidos variam. E lembre-se: "haver" no sentido de "existir" é impessoal, sempre singular.