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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2020

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu059202
Banca
VUNESP
Órgão
FITO
Ano
2020
Nível
Superior
Cargo
Analista de Gestão - Secretária
Leia o poema de Eduardo Alves da Costa, para responder a questão.

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Os termos – flores, jardim, cão, casa, luz – significam no contexto
  1. Aelementos que compõem um cenário para descrever um ambiente doméstico.
  2. Brol de objetos de pertença do eu lírico, dos quais preferiu se desvencilhar.
  3. Cobjetos que instigam a cobiça de quem quer sempre mais.
  4. Ddoação espontânea de objetos familiares para quem deles precisa.
  5. Edemarcadores de uma apropriação ilegítima dos bens de uma família.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — demarcadores de uma apropriação ilegítima dos bens de uma família.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Significação contextual: a progressão da invasão no poema de Eduardo Alves da Costa

Gabarito: letra E. Os termos flores, jardim, cão, casa, luz funcionam, no contexto, como demarcadores de uma apropriação ilegítima dos bens de uma família — o poema narra uma escalada de invasões que culmina no roubo da luz e da voz, sempre com a passividade de quem nada diz. A alternativa E é a única que capta o sentido figurado e progressivo desses elementos, ancorada na sequência de verbos de posse violenta: "roubam uma flor", "pisam as flores", "matam nosso cão", "rouba-nos a luz" e "arranca-nos a voz".

O comando pede o significado contextual — ou seja, o sentido que as palavras assumem dentro do poema, não o sentido literal de dicionário. A chave está em perceber que o texto não descreve um ambiente doméstico real, mas constrói uma alegoria da invasão e da perda progressiva: cada objeto citado representa um bem que é tomado à força, sem consentimento. A repetição do refrão "e não dizemos nada" reforça a ideia de que se trata de uma apropriação ilegítima — os invasores agem sem permissão, e os donos nada fazem para impedir.

  1. 1Roubam uma flor
  2. 2Pisam flores, matam cão
  3. 3Roubam a luz
  4. 4Arrancam a voz
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"elementos que compõem um cenário para descrever um ambiente doméstico"Tangencia o texto. A alternativa lê os termos em sentido denotativo (literal), como se o poema fosse uma descrição de casa. Mas o texto não descreve um ambiente; ele narra uma ação de invasão. A palavra "cenário" reduz o poema a uma moldura, ignorando o conflito e a progressão que dão sentido aos objetos. O erro é extrapolar o sentido literal e desprezar o contexto figurado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"rol de objetos de pertença do eu lírico, dos quais preferiu se desvencilhar"Contradiz o texto. O eu lírico não se desvencilha de nada; ao contrário, os bens são tomados à força. O verbo "preferiu" introduz uma vontade que o texto não autoriza — o eu lírico é passivo, não age. A passagem "e não dizemos nada" mostra que ele não escolhe abrir mão; apenas não reage. A alternativa inverte o sentido: troca a perda imposta por uma renúncia voluntária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"objetos que instigam a cobiça de quem quer sempre mais"Extrapola o texto. O poema não diz que os invasores cobiçam os objetos; eles simplesmente os tomam. A palavra "cobiça" sugere um desejo psicológico que não está expresso. O texto mostra uma ação (roubar, pisar, matar), não uma motivação interna. A alternativa acrescenta uma explicação (a cobiça) que o autor não deu — é uma opinião embutida que o texto não sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"doação espontânea de objetos familiares para quem deles precisa"Contradiz o texto. A palavra "doação" implica voluntariedade e generosidade; o poema descreve roubo e violência. O verbo "roubam" (primeira estrofe) e "arranca-nos" (última) deixam claro que não há consentimento. A alternativa inverte o sentido central do texto: transforma a agressão em beneficência. É a distratora mais distante do sentido real.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"demarcadores de uma apropriação ilegítima dos bens de uma família"Correta. A alternativa sintetiza o sentido figurado dos termos: eles marcam etapas de uma invasão que toma o que não é dado. A prova está na sequência de ações:

"Na primeira noite eles se aproximam / e roubam uma flor / do nosso jardim. / E não dizemos nada."

"Na segunda noite, já não se escondem: / pisam as flores, / matam nosso cão, / e não dizemos nada."

"Até que um dia, / o mais frágil deles / entra sozinho em nossa casa, / rouba-nos a luz e, / conhecendo nosso medo, / arranca-nos a voz da garganta."

Cada termo — flor, jardim, cão, casa, luz — representa um bem da família que é tomado sem permissão. A palavra "roubam" e o verbo "arranca-nos" são decisivos: indicam apropriação ilegítima, não doação, não cobiça, não descrição. A alternativa E parafraseia com precisão o sentido global do poema: a escalada da invasão e a perda progressiva de tudo o que é caro ao eu lírico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a leitura literal — as alternativas A, C e D tentam seduzir com sentidos de dicionário (cenário, cobiça, doação) que não se sustentam no contexto figurado. A letra B inverte o sentido com "preferiu se desvencilhar". A correta exige ler o poema como alegoria.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de significação contextual, grife os verbos de ação — eles revelam o sentido dos objetos. Aqui, "roubam", "pisam", "matam", "arranca" apontam para apropriação ilegítima.

Gabarito: letra E.

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