Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2020

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu062187
Banca
VUNESP
Órgão
SEMAE
Ano
2020
Nível
Superior
Cargo
SeMAE - Engenharia Civil

Leia um trecho do romance “A Madona de Cedro”, de Antonio Callado, para responder à questão.


      No primeiro dia no Rio de Janeiro, Delfino Montiel quase se afogou. Ele tinha aprendido a nadar menino ainda no rio das Velhas, na fazenda de seu tio Dilermando. Mas a corrente dos rios é honesta e determinada, vai reta e sempre se disciplina pelas margens. O mar... Ora, quem vai entender o mar? Delfino largou-se para o mar no mesmo dia em que chegara ao Rio. Atravessou a areia e foi entrando no mar numa espécie de exaltação. Queria chorar com aquela frescura de água azul, queria abraçar e beijar o mar. A primeira onda que lhe veio ao encontro, Delfino a recebeu de braços abertos. Ela o derrubou numa cascata de areia e espuma. Ele bebeu água, muita, mas estava embriagado de mar.

      Só quando já se achava sentado na areia, arquejante, entre uma súcia de curiosos, é que Delfino compreendeu que quase tinha morrido afogado. Um dos que o havia salvo era um rapagão simpático que lhe perguntou:

      – Você donde é que veio, patrício, de Cabrobó1 ou Caixa Prego2?

      – De Congonhas do Campo, respondeu Delfino ingenuamente.

      Muita gente riu em torno dele.

      – Pois, se você ainda quer rever Congonhas, trate o mar com mais desconfiança.

      Enquanto o rapaz se afastava, Delfino notou principalmente o riso de uma menina de cabelos cor de mel. Ele a notou porque a menina não queria exatamente rir, com pena dele que estava, mas sua companheira ria tão à vontade que ela não podia deixar de acompanhá-la.

      Com os olhos fitos nela, Delfino a foi acompanhando com a vista enquanto a menina entrava no mar. Viu logo que era uma amiga íntima do mar. Viu-a furar uma primeira onda, ligeira e exata como uma agulha mergulhando na dobra azul de um pano. Quando ela se levantou do mergulho, o cabelo cor de mel estava preto e grudado ao pescoço, preto-esverdeado, como se ela tivesse voltado mais marinha do fundo do mar.

(Record/Altaya. Adaptado)

1Cabrobó é uma cidade pernambucana no sertão do São Francisco.

2Caixa Prego significa lugar muito distante, longínquo.

Com base nas informações do texto, é correto afirmar que Delfino Montiel
  1. Afoi de Congonhas do Campo para o Rio de Janeiro porque, em suas férias de trabalho, queria ver o mar pela primeira vez.
  2. Bcompreendeu, com tristeza, que jamais conseguiria conquistar aquela menina que saía do mar como um ser marinho e poderoso.
  3. Cpercebeu que a menina de cabelos cor de mel procurou conter o riso, pois se sentiu condoída pela situação vivenciada por ele.
  4. Dfingiu ingenuidade ao responder à pergunta do rapaz, pois não queria criar conflitos com quem o havia salvado do afogamento.
  5. Eentrou avidamente no mar mas foi derrubado com violência pelas ondas, o que lhe provocou extremo desapontamento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — percebeu que a menina de cabelos cor de mel procurou conter o riso, pois se sentiu condoída pela situação vivenciada por ele.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A percepção de Delfino sobre a menina que ria

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto: Delfino percebeu que a menina de cabelos cor de mel não queria rir, mas acompanhava a risada da companheira por não poder deixar de fazê-lo — sinal de que se sentiu condoída pela situação dele. A passagem que prova isso está no 2º parágrafo:

"Ele a notou porque a menina não queria exatamente rir, com pena dele que estava, mas sua companheira ria tão à vontade que ela não podia deixar de acompanhá-la."

A expressão "com pena dele" é a pista decisiva: ela sentia pena, ou seja, condoía-se da situação de Delfino, que acabara de quase se afogar. A alternativa C é uma paráfrase fiel desse trecho — troca "com pena" por "condoída" e "não queria exatamente rir" por "procurou conter o riso", sem acrescentar nada que o texto não diga.

O comando pede "com base nas informações do texto" — ou seja, compreensão/recorrência: a resposta deve estar explícita ou ser uma paráfrase direta. As demais alternativas falham porque extrapolam: acrescentam motivações, sentimentos e julgamentos que o texto não autoriza.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que Delfino foi ao Rio "porque, em suas férias de trabalho, queria ver o mar pela primeira vez". O texto não diz nada disso: não menciona férias, trabalho, nem que era a primeira vez que via o mar. O que se lê é apenas que ele "largou-se para o mar no mesmo dia em que chegara ao Rio" e que "queria chorar com aquela frescura de água azul, queria abraçar e beijar o mar" — mas não há causa para a viagem. A alternativa extrapola ao inventar um motivo (férias) e uma condição (primeira vez).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que Delfino "compreendeu, com tristeza, que jamais conseguiria conquistar aquela menina". O texto não registra tristeza nem qualquer pensamento de conquista ou impossibilidade. Delfino apenas "notou" a menina e a "acompanhou com a vista" enquanto ela entrava no mar, admirando sua intimidade com as ondas. O sentimento de admiração está implícito, mas tristeza e "jamais conseguiria conquistar" são extrapolações — o texto não diz que ele queria conquistá-la nem que se sentiu derrotado.

Alternativa C — ✅ Correta

Como provado na abertura, o texto afirma que a menina "não queria exatamente rir, com pena dele que estava". A palavra "pena" é sinônimo de condoer-se — sentir compaixão. A alternativa C parafraseia com precisão: "procurou conter o riso, pois se sentiu condoída pela situação vivenciada por ele". Não há acréscimo nem supressão: é a leitura literal do trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que Delfino "fingiu ingenuidade" ao responder. O texto diz o oposto: "respondeu Delfino ingenuamente". O advérbio "ingenuamente" descreve uma ação real, não fingida. A alternativa contradiz o texto ao trocar o sentido: o que era autêntico virou simulação. Além disso, não há qualquer menção a "evitar conflitos" — isso é extrapolação pura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa diz que Delfino "foi derrubado com violência pelas ondas, o que lhe provocou extremo desapontamento". O texto descreve a queda: "Ela o derrubou numa cascata de areia e espuma" — mas não há a palavra "violência". E o sentimento de Delfino é o oposto do desapontamento: "estava embriagado de mar". Ele quase morre, mas sente êxtase, não decepção. A alternativa contradiz o texto (o sentimento) e extrapola (a violência).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato plausível — como "férias de trabalho" ou "tristeza" — que o texto não menciona. Sempre confronte cada alternativa com o trecho exato: se a informação não está lá, está errada.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando antes de ler as alternativas. "Com base nas informações do texto" pede compreensão (paráfrase direta), não inferência livre. Desconfie de palavras absolutas e de sentimentos que o autor não registrou.

Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/vu062187