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Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2020

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
vu062188
Banca
VUNESP
Órgão
SEMAE
Ano
2020
Nível
Superior
Cargo
SeMAE - Engenharia Civil

Leia o texto para responder à questão.


Quando o efêmero dura


      Uma das mais fabulosas tecnologias humanas é a escrita. Ela nos permitiu ampliar a memória para horizontes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter e, provavelmente, não diferiríamos muito de nossos ancestrais do Neolítico.

      Uma tecnologia tão poderosa não poderia passar sem deixar marcas. De início, poucos dominavam as letras, de modo que saber ler e escrever se tornou uma distinção de classe social. À medida que surgiram tecnologias mais eficientes de reprodução (prensa) e o ensino público se popularizou, o alfabetismo se tornou quase universal.

      No nível comportamental, havia uma divisão bastante clara entre a comunicação formal, calculada, destinada a durar (escrita), e aquela mais íntima, vaga (oral), que, justamente por não deixar traços, podia operar como uma sonda da sociabilidade, testando relacionamentos, fofocando, às vezes até zombando e insultando. O ex-presidente Temer apropriadamente matou a charada ao proclamar: “verba volant, scripta manent” (as palavras faladas voam, as palavras escritas permanecem).

      O problema é que as tecnologias não pararam de evoluir, dando lugar a computadores, celulares, aplicativos de mensagem, redes sociais etc. As pessoas vêm cada vez mais usando a escrita para comunicar-se no registro informal, que contava com o caráter efêmero da fala. Pior, a reprodutibilidade e transmissão de diálogos privados se tornaram potencialmente infinitas, sem falar do hackeamento.

      O resultado é uma explosão de curtos-circuitos sociais, nos quais mensagens concebidas para circular entre poucos ganham ampla difusão. Às vezes a divulgação é de interesse público, mas, em outros casos, ela só azeda amizades, compromete namoros ou intoxica o ambiente de trabalho. Vejo com certa preocupação a redução dos espaços de experimentação social, onde é lícito falar bobagem.

(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2019 /11/quando-o-efemero-dura.shtml Adaptado.)

Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão.
  1. AQuando mensagens, com as quais trazem diálogos privados, se espalham, há uma explosão de curtos-circuitos sociais.
  2. BA escrita, técnica pela qual nos diferenciamos de nossos antepassados, trouxe mudanças sociais significativas.
  3. CA comunicação formal, cujo o papel prioritário é preservar o conhecimento, opõe-se à comunicação informal, mais livre.
  4. DA frase em latim, na qual foi verbalizada pelo ex-presidente, exprime um ponto de vista a ser repensado atualmente.
  5. EA escrita, da qual nos garantiu o registro e a memória, é uma das mais incríveis conquistas humanas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A escrita, técnica pela qual nos diferenciamos de nossos antepassados, trouxe mudanças sociais significativas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Norma-padrão: pronomes relativos e regência

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única redigida em conformidade com a norma-padrão, pois emprega corretamente o pronome relativo "pela qual" (regido pela preposição exigida pelo verbo diferenciar-se: diferenciar-se por algo) e mantém a concordância e a clareza. Como se lê no texto: "Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento" — a escrita é a tecnologia pela qual nos diferenciamos dos antepassados.

A questão pede a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão, ou seja, que respeite as regras de regência, concordância e emprego dos pronomes relativos. O texto-base serve de apoio temático, mas o julgamento é essencialmente gramatical.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Quando mensagens, com as quais trazem diálogos privados, se espalham..."

O pronome relativo "as quais" já exerce a função de sujeito da oração adjetiva (as mensagens trazem diálogos privados). A preposição "com" é desnecessária e cria um erro de regência: não se diz "mensagens com as quais trazem", mas "mensagens que trazem" ou "mensagens as quais trazem". A banca explora a confusão entre o uso de preposição antes do relativo e a função sintática que ele exerce.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A escrita, técnica pela qual nos diferenciamos de nossos antepassados, trouxe mudanças sociais significativas."

A construção está perfeita: o pronome relativo "a qual" retoma "técnica" e vem regido da preposição "por", exigida pelo verbo diferenciar-se (diferenciar-se por algo). A oração adjetiva explicativa está corretamente isolada por vírgulas, e a concordância verbal ("trouxe") está adequada ao sujeito "A escrita".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A comunicação formal, cujo o papel prioritário é preservar o conhecimento..."

O pronome relativo "cujo" já carrega a ideia de posse e não admite artigo depois de si. O correto é "cujo papel", sem o "o". A banca testa o emprego de cujo — um clássico de prova.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A frase em latim, na qual foi verbalizada pelo ex-presidente..."

Há redundância: o verbo verbalizar já significa "expressar por palavras". Além disso, a preposição "na" é inadequada — o correto seria "que foi verbalizada" ou "a qual foi verbalizada". A construção "na qual foi verbalizada" mistura a regência do verbo com a preposição exigida pelo substantivo "frase", gerando um desvio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A escrita, da qual nos garantiu o registro e a memória..."

O pronome relativo "da qual" exige que o verbo concorde com o antecedente (a escrita), mas a forma "garantiu" está no singular — o correto seria "garantiu-nos" ou "nos garantiu" (a escrita garantiu-nos). Além disso, a preposição "de" é inadequada: quem garante algo a alguém não pede "de". O correto seria "A escrita, que nos garantiu o registro e a memória".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o emprego de pronomes relativos com preposição e a regência verbal. As alternativas erradas parecem elegantes, mas contêm desvios sutis: preposição indevida (A), artigo após cujo (C), redundância (D) e concordância/regência (E).

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar frases com pronomes relativos, identifique o verbo da oração adjetiva e pergunte: "quem?" ou "de quê?" — a preposição correta é a exigida pelo verbo. E lembre: cujo não aceita artigo depois de si.

Gabarito: letra B.

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