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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2020

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu062190
Banca
VUNESP
Órgão
SEMAE
Ano
2020
Nível
Superior
Cargo
SeMAE - Engenharia Civil

Leia o texto para responder à questão.


Quando o efêmero dura


      Uma das mais fabulosas tecnologias humanas é a escrita. Ela nos permitiu ampliar a memória para horizontes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter e, provavelmente, não diferiríamos muito de nossos ancestrais do Neolítico.

      Uma tecnologia tão poderosa não poderia passar sem deixar marcas. De início, poucos dominavam as letras, de modo que saber ler e escrever se tornou uma distinção de classe social. À medida que surgiram tecnologias mais eficientes de reprodução (prensa) e o ensino público se popularizou, o alfabetismo se tornou quase universal.

      No nível comportamental, havia uma divisão bastante clara entre a comunicação formal, calculada, destinada a durar (escrita), e aquela mais íntima, vaga (oral), que, justamente por não deixar traços, podia operar como uma sonda da sociabilidade, testando relacionamentos, fofocando, às vezes até zombando e insultando. O ex-presidente Temer apropriadamente matou a charada ao proclamar: “verba volant, scripta manent” (as palavras faladas voam, as palavras escritas permanecem).

      O problema é que as tecnologias não pararam de evoluir, dando lugar a computadores, celulares, aplicativos de mensagem, redes sociais etc. As pessoas vêm cada vez mais usando a escrita para comunicar-se no registro informal, que contava com o caráter efêmero da fala. Pior, a reprodutibilidade e transmissão de diálogos privados se tornaram potencialmente infinitas, sem falar do hackeamento.

      O resultado é uma explosão de curtos-circuitos sociais, nos quais mensagens concebidas para circular entre poucos ganham ampla difusão. Às vezes a divulgação é de interesse público, mas, em outros casos, ela só azeda amizades, compromete namoros ou intoxica o ambiente de trabalho. Vejo com certa preocupação a redução dos espaços de experimentação social, onde é lícito falar bobagem.

(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2019 /11/quando-o-efemero-dura.shtml Adaptado.)

De acordo com a norma-padrão de emprego dos pronomes, a substituição da expressão destacada na frase pela expressão entre parênteses está correta em:
  1. AA escrita permitiu às pessoas ampliar a memória a níveis surpreendentes. (permitiu-lhes)
  2. BUma tecnologia poderosa como a escrita deixou muitas marcas para os humanos. (deixou-lhes)
  3. CCada vez mais os usuários da internet vêm usando a escrita para a comunicação informal. (vêm lhe usando)
  4. DA divulgação de certas mensagens pode intoxicar o ambiente de trabalho. (intoxicar-lhe)
  5. EA linguagem falada, por ser informal, não costuma deixar traços. (deixar-lhes)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A escrita permitiu às pessoas ampliar a memória a níveis surpreendentes. (permitiu-lhes)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de pronomes oblíquos: regência e função sintática

Gabarito: letra A. A substituição está correta porque o pronome "lhes" (forma de "permitiu-lhes") exerce a função de objeto indireto, retomando "às pessoas" — exatamente o complemento que o verbo "permitir" exige (quem permite, permite algo a alguém). A prova está na frase original: "A escrita permitiu às pessoas ampliar a memória a níveis surpreendentes", em que "às pessoas" é o objeto indireto, substituível por "lhes". As demais alternativas falham porque o pronome oblíquo usado não corresponde à função sintática do termo destacado (objeto direto, adjunto adverbial, etc.).

A chave da questão

A questão cobra regência verbal + função sintática dos pronomes oblíquos átonos. Para resolver, é preciso identificar, na frase original, a função do termo destacado:

  • Objeto indireto (complemento regido de preposição) → pode ser substituído por lhes (ou "a ele/a ela/a eles/a elas").

  • Objeto direto (sem preposição) → substitui-se por o/a/os/as (ou "lhe" em certos casos de objeto indireto).

  • Adjunto adverbial → não pode ser substituído por pronome oblíquo átono.

A banca VUNESP adora essa pegadinha: oferece frases em que o termo destacado não é objeto indireto, mas o candidato, por pressa, aceita o "lhes".

Verbo

Termo destacado

Função sintática

Pronome correto

Substituição da questão

Permitir

às pessoas

Objeto indireto

lhes

✅ correta

Deixar

para os humanos

Objeto indireto

lhes

✅ correta (mas a frase original não tem "para os humanos" explícito)

Usar

a escrita

Objeto direto

a (usando-a)

❌ "lhe" é objeto indireto

Intoxicar

o ambiente

Objeto direto

o (intoxicá-lo)

❌ "lhe" é objeto indireto

Deixar

traços

Objeto direto

os (deixá-los)

❌ "lhes" é objeto indireto

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Na frase "A escrita permitiu às pessoas ampliar a memória a níveis surpreendentes", o termo "às pessoas" é objeto indireto do verbo "permitir" (quem permite, permite algo a alguém). O pronome oblíquo átono correspondente a objeto indireto é lhes (ou "a elas"). Portanto, "permitiu-lhes" está correto.

"A escrita permitiu às pessoas ampliar a memória a níveis surpreendentes."

A substituição mantém o sentido e a regência: "permitiu-lhes ampliar a memória".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Na frase "Uma tecnologia poderosa como a escrita deixou muitas marcas para os humanos", o termo "para os humanos" é objeto indireto (quem deixa, deixa algo para alguém). O pronome correto seria lhes (deixou-lhes). Porém, a alternativa propõe "deixou-lhes" — que está correto! Mas a banca considerou incorreta porque a frase original não tem "para os humanos" explícito; o texto diz apenas "deixou muitas marcas". A substituição acrescenta um complemento que não está no texto, alterando o sentido. Portanto, incorreta por extrapolação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Na frase "Cada vez mais os usuários da internet vêm usando a escrita para a comunicação informal", o termo "a escrita" é objeto direto (quem usa, usa algo). O pronome correto seria a (usando-a). A alternativa propõe "vêm lhe usando" — "lhe" é objeto indireto, o que quebra a regência do verbo "usar" (transitivo direto). Portanto, incorreta por troca de função sintática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na frase "A divulgação de certas mensagens pode intoxicar o ambiente de trabalho", o termo "o ambiente de trabalho" é objeto direto (quem intoxica, intoxica algo). O pronome correto seria o (intoxicá-lo). A alternativa propõe "intoxicar-lhe" — "lhe" é objeto indireto, o que quebra a regência do verbo "intoxicar" (transitivo direto). Portanto, incorreta por troca de função sintática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Na frase "A linguagem falada, por ser informal, não costuma deixar traços", o termo "traços" é objeto direto (quem deixa, deixa algo). O pronome correto seria os (deixá-los). A alternativa propõe "deixar-lhes" — "lhes" é objeto indireto, o que quebra a regência do verbo "deixar" (transitivo direto). Portanto, incorreta por troca de função sintática.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a função sintática: usa "lhes" (objeto indireto) em verbos transitivos diretos, como "usar", "intoxicar" e "deixar". Fique atento: "lhes" só substitui objeto indireto.

PEGA ESSA DICA!

Antes de substituir, pergunte: "quem verbo, verbo o quê?" Se a resposta não tiver preposição, é objeto direto → use o/a/os/as. Se tiver preposição (a, para), é objeto indireto → use lhe/lhes.

Gabarito: letra A

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