Questão de Português — Coesão e coerência — VUNESP 2020
- Código
- vu062423
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- AVAREPREV-SP
- Ano
- 2020
- Nível
- Superior

- AEu não fá-lo-ei.
- BEu não lhe farei.
- CEu não vou fazer ele.
- DEu não vou lhe fazer.
- EEu não vou fazê-lo.

GabaritoE — Eu não vou fazê-lo.
Gabarito: letra E. A reescrita correta é “Eu não vou fazê-lo”, pois o pronome “o” retoma o dever de matemática (objeto direto) e, com locução verbal, o pronome oblíquo átono pode ficar enclítico ao infinitivo — daí a forma fazê-lo, com acento indicando a ênclise. As demais alternativas ou usam o pronome errado (lhe para objeto indireto) ou ferem a norma-padrão (fazer ele).
A questão pede uma reescrita da fala de Calvin no primeiro quadrinho, mantendo o sentido e seguindo a norma-padrão. O verbo fazer é transitivo direto: o que se faz é o dever de matemática — logo, o pronome que o substitui é o/a (objeto direto), nunca lhe (que substitui objeto indireto, como em “dar-lhe um livro”).
“Eu não fá-lo-ei” está na mesóclise (pronome no meio do verbo no futuro do presente). Embora a mesóclise seja aceita na norma culta, a forma correta seria “fá-lo-ei” — mas a alternativa escreve “fá-lo-ei” com hífen indevido e, principalmente, não preserva a locução verbal “vou fazer” do original, alterando o tempo e o sentido. Além disso, a mesóclise é artificial e inadequada ao registro coloquial da tira.
“Eu não lhe farei” usa lhe, pronome de objeto indireto. O dever de matemática é objeto direto de “fazer” — não se diz “fazer-lhe o dever”, mas “fazê-lo”. A troca do pronome muda a regência e, portanto, o sentido.
“Eu não vou fazer ele” usa o pronome pessoal do caso reto “ele” como objeto direto. Na norma-padrão, objeto direto exige pronome oblíquo átono (o), não o caso reto. É construção típica da fala informal, inaceitável na escrita formal.
“Eu não vou lhe fazer” repete o erro da B: lhe é objeto indireto. Além disso, na locução verbal, o pronome oblíquo átono não pode ficar solto entre o verbo auxiliar e o infinitivo — o correto seria “não vou fazê-lo” ou “não o vou fazer”. A alternativa junta dois problemas: pronome errado e colocação inadequada.
“Eu não vou fazê-lo” é a reescrita perfeita: “o” retoma “o dever de matemática” (objeto direto), e na locução verbal “vou fazer” o pronome pode ficar enclítico ao infinitivo — fazê-lo (com acento agudo para marcar a ênclise). Mantém o sentido e segue a norma-padrão.
Identifique a transitividade do verbo antes de escolher o pronome: fazer pede objeto direto → o/a; se pedisse objeto indireto, usaria lhe. E lembre: em locução verbal, o pronome pode ir antes do auxiliar (“não o vou fazer”) ou depois do infinitivo (“não vou fazê-lo”) — nunca entre os dois.
Gabarito: letra E.
Link permanente: /questoes/vu062423